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Vacina contra hepatite B e esclerose múltipla 28/03/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Utilidade pública.
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Por Reinaldo Menezes Martins e Maria de Lourdes de Souza Maia

Em 1994, a França acrescentou a vacina contra hepatite B ao esquema vacinal da infância e lançou uma campanha nas escolas, visando principalmente aos adolescentes de 11 e 12 anos. A vacinação se estendeu além desses grupos-alvo. Mais de 75 milhões de doses tinham sido vendidas no final de 1997. Mais de um terço da população da França foi vacinada até 1999. A cobertura vacinal do grupo de 16 a vinte anos chegou a 80% em 1997.

Graças às notificações de doenças neurológicas que se assemelhavam a exacerbações de esclerose múltipla, doença grave desmielinizante do sistema nervoso central e de etiologia desconhecida, após a vacina contra hepatite B, um programa de fármaco-vigilância foi iniciado em 1994 na França. Até 1998, a situação era a seguinte:

— Os estudos não confirmaram nem negaram o vínculo entre vacina contra hepatite B e um pequeno aumento de risco de esclerose múltipla.

— O máximo risco era nenhum para lactentes, menos de 0,3 por cem mil em pré-adolescentes e menos de um em adultos vacinados.

Embora nenhum teste estatístico desse significância ao nível de 0,05, o Ministério da Saúde da França patrocinou um estudo de risco x benefício para tomar a decisão de continuar ou não a vacinação contra hepatite B, que chegou à conclusão de que não havia razão para questionar a estratégia de vacinação seguida até então. Surpreendentemente, o Ministério da Saúde recomendou a manutenção das estratégias vacinais, mas a vacinação dos adolescentes passou a ser feita, por decisão individual de cada família, em clínicas privadas.

A discrepância entre as conclusões dos estudos de segurança e a interrupção da vacinação nas escolas criou confusão na mídia, no público e na comunidade médica, levando à queda na cobertura vacinal contra hepatite B, que se estendeu à vacina contra hepatite A, mas felizmente não a outras vacinas.

Vários outros estudos, realizados nos Estados Unidos e na Europa, não mostraram evidência de associação entre hepatite B e doenças desmielinizantes do sistema nervoso central (World Health Organization, 1999).

Estudo da Base de Dados da Europa para Esclerose Múltipla mostrou que a vacinação contra tétano, hepatite B e influenza não aumentou o risco de recaída de esclerose múltipla, pelo menos a curto prazo (Kimmel, 2002).

Grande estudo ainda mais recente de caso-controle, realizado pelo CDC, avaliando a relação entre esclerose múltipla, neurite óptica e vacinações, concluiu que as vacinas contra hepatite B, influenza, tétano, sarampo ou rubéola não estão associadas ao aumento de risco de esclerose múltipla ou neurite óptica (DeStefano, 2003).

Fonte: MARTINS, RM e MAIA, MLS. Eventos adversos pós-vacinais e resposta social. Hist. cienc. saude-Manguinhos, 2003, vol.10 supl.2, p.807-825. ISSN 0104-5970.

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Comentários

1. Sueli Sanches - 10/04/2006

Caro,
Doutor.
Boa Tarde !
Gostaria de saber detalhes, sobre esclerose múltipla. Qual sua origem e consequências, o que deve ser feito para retardar os sintomas, existe cura ou não.
Obs.: Tenho 38 anos.
Aguardo respostas.
Grata.
Tenha uma excelente semana.

2. esclerosemultipla - 11/04/2006

Cara Sueli,

Obrigada pela visita ao blog.

Para saber detalhes sobre a doença, sugerimos que navegue pela seção médica e também visite os links sobre EM no menu lateral.

No momento não dispomos de material além do publicado. Como atualizamos o blog com freqüência, em breve você poderá encontrar mais informações de seu interesse.

O ideal é que converse com o seu médico para esclarecer qualquer dúvida.

Gratas.


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