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Recomendações para uso de Imunomoduladores 09/03/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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  1. A prescrição de imunomoduladores para pacientes com EM deve ser restrita a neurologistas;
  2. Os imunomoduladores não devem ser utilizados em pacientes nos quais não haja sintomas e/ou sinais clínicos ou de RM da doença (formas remitente-recorrentes recentes ou de longa evolução com quadro estável e formas primariamente e secundariamente progressivas), devendo, entretanto, ser observados regularmente;
  3. O uso de imunomoduladores deve ser considerado nas fases iniciais da doença, tão logo o diagnóstico definido de EM seja estabelecido pelos critérios de McDonald e col. (lesões características à RM do encéfalo e/ou medula cervical e achados compatíveis ao exame do líquido cefalorraquiano). É fundamental a existência de evidências clínicas de atividade da doença através da presença de pelo menos um surto recente.
  4. O uso de imunomoduladores deve ser considerado nas fases iniciais da doença, tão logo o diagnóstico definido de EM seja estabelecido pelos critérios de McDonald e col.15 (lesões características à RM crânio e/ou medula cervical e achados compatíveis ao exame do líquido cefalorraquiano). É fundamental a existência de evidências clínicas da atividade da doença através da presença de pelo menos um surto clinico.
  5. Em situações especiais, como a idade inferior a 17 e superior a 55 anos ou baixo número de surtos associados à incapacidade para a deambulação (EDSS maior ou igual a 6,0), a utilização dos imunomoduladores deverá ser considerada individualmente.
  6. Contraindica-se o uso de interferons durante a gestação, obrigando-se as pacientes em idade reprodutiva a utilizar métodos contraceptivos eficazes. Em caso de gravidez o uso de interferons deve ser interrompido. Não há evidências de efeitos deletérios do acetato de glatirâmer na gestação.
  7. Contra-indica-se o uso de interferons em pacientes com depressão, doenças hepáticas e/ou cardíacas graves associadas.
  8. Os imunomoduladores têm eficácia semelhante independentemente das doses e via de administração, portanto não há imunomodulador de escolha em nenhuma das situações clínicas e/ou evolutivas da doença, nem quanto à dose inicial, pois não há consenso a respeito da relação dose-efeito. Cabe aos pacientes e/ou seus cuidadores a escolha do medicamento que julgar mais conveniente. Após ser devidamente informado quanto aos benefícios, eventuais riscos e efeitos colaterais de cada medicamento, estes devem concordar com avaliações médicas e laboratoriais freqüentes durante o uso dos imunomoduladores.
  9. É recomendável, quando necessário, alterar a dose ou o imunomodulador durante o tratamento, cabendo ao prescritor do medicamento monitorar sua eficácia, ocorrência de efeitos colaterais , assegurar a aderência do paciente e solicitar exames de laboratório necessários durante o tratamento.
  10. Não há evidências de que os imunomoduladores tenham efeito nas formas primária ou secundariamente progressivas, porém em alguns casos de pacientes com atividade da doença há benefícios modestos.
  11. Em caso de surto da doença não há indicação da suspensão do imunomodulador.
  12. A avaliação da eficácia de um imunomodulador deve ser feita no prazo mínimo de seis meses e deve, quando considerado benéfico, ser mantido por tempo indeterminado, contanto que se constate que a doença está inativa ou com baixa atividade inflamatória, constada pelo número menor de surtos, incapacidade funcional, ou progressão da doença quando comparado ao período anterior ao tratamento e pela ausência eventual de novos déficits neurológicos durante o mesmo. Pode-se, eventualmente, utilizar a RM como auxiliar na avaliação da atividade da EM, com a constatação do não aparecimento de novas lesões durante o tratamento;
  13. Efeitos colaterais intoleráveis, presença de surtos em número e gravidade igual ou superior, quando comparados a antes do tratamento, sinais clínicos que indiquem transição da forma remitente-recorrente para secundariamente progressiva, ou ainda a falta do benefício do tratamento devem ser considerados como falha terapêutica;
  14. Em caso de falha terapêutica pode-se alterar a dose ou o tipo do imunomodulador, (interferon para acetato de glatirâmer ou vice-versa), interromper seu uso ou associá-lo a imunossupressor;
  15. Os efeitos biológicos causados pela presença de anticorpos neutralizantes durante o tratamento, com eventual perda de eficácia dos interferons, não está estabelecido com clareza, portanto a dosagem dos mesmos não traz benefícios práticos.

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Fonte: ACADEMIA BRASILEIRA DE NEUROLOGIA. Departamento Científico de Neuroimunologia. Diretrizes para o tratamento da esclerose mútipla com drogas imunomoduladoras. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. set. 2005, vol.63, no.3b [citado 09 Março 2006], p.892-895.

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