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Estresse e Esclerose Múltipla 06/03/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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A metanálise*, com a inclusão de 14 estudos empíricos, realizada pelo grupo do Departamento de Psiquiatria da Universidade da Califórnia (São Francisco – EUA), suporta a análise de que o estresse tem relação com as exacerbações da esclerose múltipla. Para os autores existe uma ligação pequena, porém significativa, entre o risco de surtos e eventos não-traumáticos causadores de estresse em portadores de EM. No entanto, o estudo não considerou qual a ligação entre os vários tipos de estresse e a sua associação com os surtos. Por outro lado, os autores chamam a atenção para que estes achados não sejam mal interpretados no sentido de colocar a responsabilidade pelas exacerbações no paciente com esclerose múltipla.

Respondemos da mesma forma aos diferentes tipos de estresse?

Os autores citam o estudo de Nisipeanu e Korczyn. Mostraram que os efeitos de um fator estressante e traumático que ameaça a vida, como os ataques de mísseis em Tel Aviv, que duraram um mês, durante a primeira guerra de Golfo, reduziram o risco de exacerbações da esclerose múltipla. Este achado foi consistente com os modelos animais e outros dados biológicos. Os numerosos estudos sobre estresse na encefalomielite auto-imune experimental, um modelo animal de esclerose múltipla, mostraram reduções significativas nos sintomas. Sabe-se que o estresse aumenta a liberação de cortisol endógeno, e que este é um potente hormônio anti-inflamatório.

Por outro lado, fatores moderados de estresse mostraram ativar a auto-imunidade da encefalomielite experimental. Aumentos sustentados das concentrações de cortisol em resposta ao estresse crônico produziram uma redução no número, capacidade de carreamento e afinidade nos receptores de glicocorticóides nas células do sistema imune, o que aumenta o risco de inflamação. Outro achado é que os mastócitos que residem no endotélio (parede dos vasos) podem ser ativados por fatores endógenos relacionados ao estresse. Os mastócitos ativados aumentam a permeabilidade da barreira sanguínea do cérebro liberando substâncias que aumentam a inflamação. O estudo considera estes mecanismos descritos intrigantes, mas que nenhum deles foi adequadamente estudado em pacientes com esclerose múltipla, demonstrando que a ausência de um modelo biológico é uma lacuna na literatura corrente.

Os efeitos potenciais dos diferentes tipos de estresse ou dos mecanismos pelos quais afetam a inflamação não são conhecidos e, por isto, cientificamente, a ocorrência de exacerbações ainda não pode ser ligada a nenhum fator estressor específico.

*Metanálise: Método quantitativo de combinação dos resultados de estudos independentes (geralmente extraídos de publicações literárias) e sumários e conclusões sintetizadas que podem ser utilizados para avaliar a efetividade terapêutica, planejar novos estudos, etc., com aplicação principalmente em áreas de pesquisa e medicina. (DeCS)

Fonte: David C Mohr, Stacey L Hart, Laura Julian, Darcy Cox, and Daniel Pelletier. Association between stressful life events and exacerbation in multiple sclerosis: a meta-analysis. BMJ, Mar 2004; 328: 731

Link externo: O estresse como possível fator desencadeante de surtos de Esclerose Múltipla de acordo com 48 pacientes
 

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