jump to navigation

Esclerose múltipla benigna e a benignidade da esclerose múltipla 06/03/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
trackback

A única forma de classificarmos a esclerose múltipla como benigna (EM benigna) é retrospectivamente, após 10 a 15 anos do início oficial com incapacidade mínima avaliada por uma escala chamada EDSS. Inicialmente, seria classificada como EM remitente-recorrente (EMRR).

O estudo realizado pelo Departamento de Neurologia da UNIFESP/EPM (Brasil), com o objetivo de apresentar as características clínicas de 50 pacientes portadores de EM atendidos num período de 13 anos neste setor, trouxe dados diferentes sobre a EM benigna daqueles citados em artigos internacionais:

Segundo Weinshenker, até 40% dos pacientes portadores de EM apresentam a forma benigna, o que implica em 10 anos de doença com escore EDSS menor ou igual a 3,5 pontos. Observamos em nossa série apenas 8% de pacientes benignos, taxa abaixo daquela encontrada nos estudos internacionais. Ainda não podemos afirmar o quão benigna é a doença no Brasil, pois faltam estudos epidemiológicos das diversas áreas do nosso país. Porém, sabemos que o fato de sermos um centro terciário, poderia interferir com nossa amostra, pois é esperado que os casos mais graves sejam encaminhados mais para nosso serviço. Outrossim, a população atendida em nosso ambulatório possui nível sócio-cultural mais baixo, com o hábito de procurar assistência médica quando já com comprometimento acentuado. Desse modo, casos benignos e menos comprometidos podem estar em acompanhamento em outras unidades do sistema de saúde e sem o acompanhamento de uma equipe especializada.

A esclerose múltipla é uma doença que demanda uma equipe especializada (neurologia, neuroftalmologia, fisioterapia, fonoaudiologia, urologia, psicoterapia e etc.) ou pelo menos, o atendimento em local que tenha contato direto com estas equipes. Alguns pacientes não moram em grandes centros urbanos onde a maioria destes serviços está disponível, portanto encontram dificuldade para o deslocamento, principalmente pacientes em estágios mais graves da doença. Uma forma de suprir temporariamente a falta destas equipes em algumas cidades seria o fornecimento de transporte especial, pois não é somente a falta de recursos financeiros que impede o deslocamento.

Um cadastro nacional de pacientes, como já ocorre em alguns países, supriria algumas das limitações que os pesquisadores encontram ao realizar estudos epidemiológicos como este da UNIFESP. Esta é a ponta do iceberg, pois o mais difícil não é programar um sistema de cadastro e fazê-lo funcionar, mas outros fatores que urgem como: maior divulgação da doença que traria maiores chances de diagnóstico precoce, investimento do governo para estudos, criação de centros especializados, locais acessíveis para distribuição de medicamentos e, principalmente, mobilização e cobrança da sociedade civil.

Ainda não conseguimos predizer o prognóstico da doença em seu início, mas podemos predizer o futuro que desejamos ao nos unirmos em prol de mudanças que beneficiem todos os pacientes com esclerose múltipla. Isto sim…é benigno.

Para saber mais sobre o estudo:
OLIVEIRA, ENEDINA MARIA LOBATO DE, ANNES, M, OLIVEIRA, ACARY SOUZA BULLE et al. Estudo clínico de 50 pacientes acompanhados no ambulatório de neurologia UNIFEP/EPM. Arq. Neuro-Psiquiatr. [online]. Mar. 1999, vol.57, no.1 [cited 06 March 2006], p.51-55.

Anúncios

Comentários

1. cristiano - 19/10/2006

eu queria saber se quem tem esclerose mutipla pode se relacionar sexualmente iagual a qualquer outra pessoa?
E tambem se pode ter filhos,e se ele vai nascer com a doença?

2. Tica - 24/10/2006

Oi Cristiano,

Pode se relacionar igual a qualquer pessoa! Legal saber sobre as questões sexuais relacionadas a EM: https://esclerosemultipla.wordpress.com/2006/08/07/questoes-sexuais-na-esclerose-multipla/

Quanto aos filhos, transcrevo o trecho de um artigo que pode ser esclarecedor:

“Fatores genéticos claramente relacionam-se com a doença, com risco em parentes de primeiro grau 20 a 40 vezes maior que na população em geral, o que significa, no entanto, um risco geral menor que 5%”

Fonte: Nassar Junior Antonio Paulo, Pignataro Daniela Soriano, Fuzaro Melissa Martins, Tilbery Charles Peter. Questões éticas na esclerose múltipla sob o ponto de vista de médicos e pacientes. Arq. Neuro-Psiquiatr. [periódico na Internet]. 2005 Mar [citado 2006 Out 24]; 63(1): 133-139.

Abraços,
Bianca


Sorry comments are closed for this entry

%d blogueiros gostam disto: