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Esclarecimentos sobre o Tysabri 05/03/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Utilidade pública.
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Na edição de 2 de março de um jornal médico mundialmente conhecido e conceituado, o New England Journal of Medicine, foi publicado um artigo sobre a ocorrência de leucoencefalopatia multifocal progressiva (PML) nos estudos do Tysabri® (natalizumab, Biogen Idec e Elan pharmaceuticals). PML é uma doença rara e freqüentemente fatal, desmielinizante do sistema nervoso central. Foi diagnosticada em três participantes do estudo sobre a droga; nenhum caso novo foi confirmado após estes. A droga foi retirada do mercado em fevereiro de 2005. Baseado neste estudo, os investigadores estimam que a incidência de PML nos envolvidos nos testes clínicos, uma média de 17,9 meses (doses), é 1 caso para 1000 pacientes.

Na mesma edição do jornal encontram-se dois artigos dos resultados finais dos estudos de dois anos do Tysabri administrado sozinho (estudo AFFIRM) e do Tysabri associado ao Avonex® (interferon beta-1a, estudo SENTINEL). Sobre o estudo AFFIRM o autor relata que o Tysabri reduziu a progressão e a taxa de recorrências clínicas nos pacientes com EM recidivante. No estudo SENTINEL o autor relata que adicionar o Tysabri à terapia com Avonex foi significativamente mais eficaz do que o Avonex sozinho na EM recidivante. Entretanto, dois dos casos de PML ocorreram nos pacientes que receberam a combinação destas drogas.

O perfil de segurança do Tysabri administrado sozinho por até dois anos parece ser aceitável, porém sua combinação com outros agentes imunomoduladores ou imunossupressores parece aumentar o risco de PML, uma doença frequentemente fatal. A avaliação do risco versus benefício é complexa, por isso, a FDA ainda não marcou a data de retorno ao mercado americano.

Nota: A FDA (Food and Drug Administration) é um órgão do governo americano responsável pela segurança e eficácia de drogas humanas e veterinárias, produtos biológicos, dispositivos médicos, alimentos, cosméticos e produtos que emitem radiação.

Ação do Tysabri na EM

Tysabri é o nome comercial do medicamento Natalizumab e é administrado por infusão intravenosa uma vez a cada 4 semanas. O primeiro estudo clínico com natalizumab mostrou que os pacientes apresentaram um número menor de lesões cerebrais inflamatórias e menos recidivas durante um período de seis meses em pacientes com esclerose múltipla recidivante.

O mecanismo (s) específico pelo qual o TYSABRI exerce seus efeitos na esclerose múltipla não foi definido inteiramente.

Na esclerose múltipla, acredita-se que as lesões ocorram quando as chamadas células inflamatórias ativadas (leucócitos: linfócitos T, monócitos) cruzam a barreira de proteção do cérebro, também conhecida como barreira hematoencefálica. Uma das funções desta barreira é impedir o acesso das células inflamatórias no tecido cerebral. Ao migrar para o tecido cerebral, os linfócitos e monócitos iniciam o processo inflamatório culminando na destruição das camadas internas da bainha de mielina e na disfunção das células da neuróglia, que são responsáveis pela formação e manutenção das bainhas de mielina dos axônios (prolongamentos dos neurônios responsáveis pela condução dos impulsos elétricos).

Para que os leucócitos atravessem esta barreira é necessária a interação entre moléculas especiais, chamadas moléculas de adesão, encontradas na superfície das células inflamatórias e moléculas encontradas nas células que revestem a parede dos vasos sanguíneos (células endoteliais).

O efeito clínico do natalizumab na esclerose múltipla pode ser secundário ao bloqueio da interação da molécula de adesão (alfa-4-integrina) expressa por células inflamatórias com moléculas das células endoteliais (vasos sanguíneos) e das células do parênquima cerebral (chama-se parênquima ao conjunto de células responsáveis pela função de determinado órgão).

Dados de um modelo animal experimental de encefalite auto-imune de esclerose múltipla demonstraram a redução da migração de leucócitos ao parênquima do cérebro e a redução da formação de placas após a administração do natalizumab, verificado por repetidos exames de ressonância nuclear magnética. O significado clínico destes dados em animais é desconhecido, mas sugerem a ação em humanos.

Fontes:

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Comentários

1. lurdes - 24/10/2006

nao se faria se ainda nao sabem os riscos …será seguro?

2. lurdes - 24/10/2006

será seguro se nem ele s tem a certeza…

3. Tica - 30/10/2006

Oi Lurdes,

A segurança e a eficácia do Tysabri além de dois anos é realmente desconhecida. Nem eles tem certeza…


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