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Analgesia e parto: O que o obstetra tem que saber? 28/02/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico.
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O artigo publicado por K. M. Kuczkowski do Departamento de Anestesiologia e Medicina Reprodutiva da Universidade da Califórnia (USA), aborda a analgesia no parto de pacientes com doenças neurológicas.

A falta de guidelines voltados para estas pacientes torna o artigo uma referência, pois além de realizar um apanhado de todos os assuntos publicados até o momento sobre o tema, detalha cada doença neurológica e suas peculiaridades.

No final do estudo conclui que o manejo bem sucedido da paciente grávida com doença neurológica depende dos esforços cooperativos do obstetra, neurologista e anestesiologista envolvidos no cuidado periparto e que uma compreensão detalhada da fisiologia da gravidez e da fisiopatologia da doença neurológica subjacente é de importância preliminar na gerência obstétrica e anestésica deste grupo de parturientes de alto risco.

Abaixo as considerações do autor sobre a esclerose múltipla:

  • Apesar das tentativas de associar a anestesia e a cirurgia à recaídas dos sintomas, nenhum estudo controlado conseguiu ligação direta da anestesia e as exacerbações da esclerose múltipla.
  • Não obstante, a administração rotineira de agentes anticolinérgicos não é recomendada, pois estes podem induzir a um aumento na temperatura corporal, sabidamente associado às exacerbações da esclerose múltipla.
  • O interesse foi levantado, pois os anestésicos locais podem ser mais histotóxicos ao tecido neural que já está comprometido pela esclerose múltipla. Todos os agentes anestésicos locais são neurotóxicos; entretanto, as concentrações anestésicas locais neurotóxicas estão bem acima daquelas utilizadas clinicamente. A neurotoxicidade das drogas anestésicas locais não foi demonstrada nos pacientes com esclerose múltipla.
  • Analgesia e anestesia epidural foram realizadas com sucesso para o trabalho de parto e o parto nestas pacientes. Deve ser selecionada a concentração mais baixa de anestésico local capaz de produzir o efeito desejado.
  • Narcóticos via epidural e intratecal também foram administrados sem efeito adverso aparente.
  • Embora o periparto e o estresse cirúrgico (e anestesia geral) tenham sido ligados às exacerbações dos sintomas de esclerose múltipla, os dados publicados a respeito desta associação são muito limitados.
  • A punção lombar diagnóstica não está associada ao aumento da taxa de recaídas.

Em resumo, a revisão de dados publicados não contra-indica o uso de anestesia regional para o trabalho de parto, o parto vaginal e a cesariana nas pacientes com esclerose múltipla. Entretanto, é importante informar a paciente que há uma incidência elevada da recaída da doença durante o período do pós-parto, não obstante a escolha da anestesia e da modalidade de parto.

K. M. Kuczkowski . Labor analgesia for the parturient with spinal cord injury: what does an obstetrician need to know? Arch Gynecol Obstet. 2006 Feb 22
PMID: 16496169

Tradução e adaptação: Tica

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