Cafeína: nova esperança para a esclerose múltipla Julho 2, 2008
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Estudos revelaram que camundongos que ingeriram o equivalente a seis a oito xícaras de café por dia apresentaram menores possibilidades de desenvolver uma doença semelhante à esclerose múltipla. A expectativa dos especialistas é que os resultados obtidos possam ser utilizados também em humanos.
De acordo com os cientistas, pode ser que a cafeína ajude a prevenir danos no sistema nervoso. No entanto, eles aconselham não passar de cinco xícaras de café por dia, uma vez que várias doses podem favorecer o desenvolvimento de diabetes. Enquanto os fatores da reação em cadeia que levam à múltipla esclerose não são completamente revelados, um determinado momento cerca a entrada dos leucócitos no sistema nervoso central.
Uma vez lá dentro, eles acionam ataques “auto-imunes”, de forma gradual e progressiva, destruindo as grossas mielinas que protegem os nervos. Os tratamentos atuais contra a esclerose múltipla se limitam apenas a reduzir o progresso da doença, quando já estiver estabelecida.
Através de um procedimento denominado pelos cientistas de “encefalomielite auto-imune experimental”, foi possível “imitar” o desenvolvimento da esclerose múltipla em humanos. Um dos efeitos da cafeína observados tanto em ratos como em humanos diz respeito a uma molécula chamada adenosina, relacionada ao sono e à produção de energia.
Quando as cobaias ingeriram cafeína, não foi possível conectar a adenosina a um determinado receptor na superfície das células. Por isso, os cientistas acreditam que cause um efeito indireto na entrada dos leucócitos no sistema nervoso em uma parte do cérebro conhecida como coróide plexus. Além disso, as cobaias não desenvolveram a doença.
“Por muitos anos, fizeram inúmeras descobertas sobre a prevenção da esclerose múltipla em cobaias. Mas, transformar esses resultados em terapias efetivas para humanos é um desafio. Baseados nesses dados do estudo, não aconselhamos a mudança no consumo de cafeína”, explicou um porta-voz das Associação para Esclerose Múltipla.
Fonte: SRZD - Sidney Rezende
Cafeína em altas doses pode impedir a esclerose múltipla Julho 1, 2008
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A cafeína em altas doses pode impedir a esclerose múltipla, segundo os resultados de pesquisas realizadas em ratos publicados nesta segunda-feira.
Esta descoberta pode abrir caminho para novos métodos de prevenção e tratamento da doença em humanos.
Os pesquisadores constataram que os ratos que consumiram o equivalente a seis ou oito xícaras de café por dia não desenvolveram o equivalente à doença em humanos.
A cafeína impede a adenosina - um dos quatro componentes de base do DNA - de se ligar a um catalisador desta molécula nos ratos.
A adenosina desempenha uma papel chave na bioquímica do sono, do despertar e da transferência de energia.
Quando a adenosina não pode se ligar a este catalisador, impede alguns glóbulos brancos de desempenhar um papel central nas respostas imunológicas do corpo porque não podem alcançar o sistema nervoso central e desencadear uma série de reações, levando a uma encefalomielitis autoinmune experimental (EIE). A EIE é a doença modelo animal para a esclerose múltipla.
“É uma descoberta totalmente surpreendente que pode ser muito importante para a pesquisa sobre a esclerose múltipla e outras doenças”, reconheceu Linda Thompson, especialista em câncer da Oklahoma Medical Research Foundation, uma das principais autoras deste trabalho, divulgado nas Atas da Academia Nacional de Ciências (PNAS) de 30 de junho.
Este avanço é também promissor para as doenças auto-imunes como o lupus e o reumatismo, nas quais o sistema imunológico ataca as células do organismo.
Embora promissoras, estas pesquisas ainda precisam ser aprofundadas para uma prevenção mais eficaz contra a esclerose múltipla, destacou Thompson.
Fonte: Último Segundo
Molécula extraída da peçonha de aranha tem potencial neuroprotetor Junho 25, 2008
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Substância da peçonha da aranha Parawixia bistriata poderá levar ao desenvolvimento de medicamentos pra tratar doenças degenerativas
Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto isolaram a Parawixin1, primeira molécula isolada da peçonha da aranha Parawixia bistriata. Em testes de laboratórios com ratos, os cientistas descobriram o potencial neuroprotetor da substância, que foi capaz de proteger as células neuronais — células nervosas — do efeito devastador que pode causar o excesso de glutamato, um aminoácido importante no metabolismo humano.
A pesquisa foi considerada pelos editores de uma das mais respeitadas revistas científicas de farmacologia do mundo — a norte-americana Molecular Pharmacology — como uma das mais promissoras perspectivas para o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes no tratamento de doenças como a esclerose lateral amiotrófica, mal de Alzheimer, esclerose múltipla e esquizofrenia.
Em sua última edição de 2007, Delany Torres-Salazar e Christoph Fahlke, do Instituto de Neurofisiologia de Hannover, Alemanha, analisaram o trabalho publicado pela doutorada Andréia Cristina Karklin Fontana, que foi orientada e co-orientada, respectivamente, pelos professores da USP Joaquim Coutinho-Netto, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), e Wagner Ferreira dos Santos, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), que estudam essa espécie de aranha há mais de 10 anos. A Parawixia bistriata é comum na América do Sul e pode ser encontrada principalmente em áreas de cerrado.
O excesso do glutamato, que também é um neurotransmissor — principal substância química produzida pelos neurônios de mamíferos e que faz a comunicação entre as células, as sinapses — causa a morte celular, que em alguns neurônios, pode ocorrer em apenas quatro minutos. O resultado desse processo de morte das células nervosas pode levar a lesões e, conseqüentemente, às chamadas doenças degenerativas.
Glutamato
Para equilibrar o processo de produção de glutamato, o organismo dos mamíferos produz também o ácido gama-aminobutírico ou, simplesmente gaba, que é o inibidor natural das ações do glutamato no sistema nervoso central. Nas mais simples ações dos mamíferos como, por exemplo, um levantar de braço, acontece o processo de liberação e inibição do glutamato no tecido nervoso.
Mas como em toda engrenagem, esse processo precisa ser perfeito. Em situações de estresse a retirada do excesso de glutamato acontece pelas células neuronais, mas principalmente pela glia. Quando esse processo de retirada falha, ou pela superprodução de glutamato ou pela deficiência na liberação do gaba, para inibi-lo, é que ocorre a morte celular. Até hoje, a terapia para esse tipo de alteração consistia no bloqueio da entrada do volume excessivo de glutamato no neurônio. Mas as atuais terapias não evitam a morte celular.
A molécula Parawixin1, descrita pelos brasileiros, age justamente na limpeza desse núcleo. “Ela é uma substância que modifica sua própria estrutura de tal forma que parece que tem uns ganchinhos puxando glutamato, fazendo com que o meio de transporte dele para fora dos neurônios seja mais eficiente e acelerado mesmo em grande quantidade e, assim, evita a morte celular. Os medicamentos existentes hoje diminuem a estimulação, mas não bloqueiam a morte celular. A pesquisa foi capaz de fazer isso”, comemora Santos.
Para Coutinho-Netto, em doenças auto-imunes, por exemplo, onde os neurônios estão sendo atacados e liberando glutamato, a molécula pode agir como um aspirador. “Essa pesquisa, apesar de ser bem básica, traz boas perspectivas porque há 30 anos não se tem nada de novo nessa área. Os medicamentos existentes hoje são provenientes de descobertas do início do século passado.”
Por isso, os pesquisadores internacionais que aguardam a descrição da estrutura da molécula Parawixin1, a consideraram intrigante, pois tem ação específica e com potencial para se trabalhar com o sistema nervoso central. “Ela é totalmente desconhecida e nova”, relata o professor Coutinho-Netto. O trabalho publicado por Andréia é uma continuação das pesquisas dos professores Coutinho-Netto e Santos e caracterizou a ação da Parawixin1.
Testes
Para os testes com essa molécula os pesquisadores induziram os ratos a uma isquemia de retina, com o aumento da pressão ocular, que leva o cristalino a empurrar o vitrio e causar a cegueira. Antes disso, injetaram no animal a molécula Parawixin1, por via venosa. “Ela bloqueou o processo de estresse causado pela liberação excessiva de glutamato e evitou a morte celular, atuando como protetor neuronal, mesmo depois de 60 minutos da indução. Se com essa molécula segurarmos 10% de morte neuronal, já será um ganho imenso para a ciência, pois estaremos retardando o processo de morte celular e isso é completamente novo. O que vimos até hoje é a inibição da produção de glutamato ou a estimulação de produção do gaba”, comemora o professor Coutinho.
Outras vantagens da molécula Parawixin1 é o fato dela ser muito pequena, o que facilita a descrição da sua estrutura e sua reprodução em laboratório. “Tudo indica também que não causará efeito colateral porque sua ação é muito específica e ela atua em quantidades muito pequenas”, conta o professor.
O próximo passo do grupo é a descrição da sua estrutura, a cargo do pós-doutorando Leonardo Gobbo Neto e do professor Norberto Peporine Lopes, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCFRP). A doutora em Bioquímica pela FMRP, Andréia Fontana, continua estudando a ação da Parawixin1, na Universidade de Pittsburgh, na Pensylvania, Estados Unidos. “Depois da descrição da estrutura vamos pedir a patente e tentar reproduzi-la em laboratório (sintetizá-la). Não dá para ficar matando aranha para retirar toxina”, brinca o professor Coutinho-Netto.
Fonte: Portal Uai
Fármaco experimental laquinimod reduz lesões na esclerose múltipla Junho 24, 2008
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O fármaco experimental oral laquinimod, da Teva Pharmaceutical Industries, apresentou resultados positivos num estudo de Fase II para o tratamento da esclerose múltipla.
Segundo os resultados do estudo, o fármaco demonstrou reduzir o número de lesões no cérebro em pacientes com esclerose múltipla recorrente remissiva, em comparação com placebo. Assim, o laquinimod parece atrasar a doença e ser bem tolerado pelos pacientes. Os resultados foram publicados na “The Lancet”.
Após 36 semanas do estudo com 306 pessoas, os pacientes com esclerose múltipla recorrente remissiva que tinham sofrido uma ou mais recaídas no ano anterior receberam aleatoriamente uma de duas doses de laquinimod ou placebo. Aqueles que receberam a dose mais elevada do fármaco atingiram uma redução de 40,4 por cento nas lesões cerebrais, em comparação com os que receberam placebo. O tratamento com a dose mais baixa não demonstrou resultados significativos em comparação com o placebo.
Quando os investigadores expandiram o estudo por mais 12 semanas, os pacientes demonstraram uma redução média de 60 por cento no número de lesões no cérebro.
Fonte: Farmacia.Com.Pt
Judiciário determina prioridade processual a idosos e deficientes Junho 23, 2008
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23 de junho de 2008 - 14h33
Promover agilidade na tramitação de processos e garantir o cumprimento de um dos princípios constitucionais do respeito à dignidade humana. Com esse objetivo, a Corregedoria-Geral da Justiça, conduzida pelo desembargador Orlando de Almeida Perri publicou, na última sexta-feira, o Provimento 26/2008, que determina prioridade na tramitação de procedimentos judiciais que figurem como parte ou interessado pessoas com idade igual ou superior a 60 anos, portadoras de deficiência, moléstia ou debilidade profissional. Pessoas portadoras de doenças graves, como esclerose múltipla, cardiopatia grave, Mal de Parkinson e outros também terão prioridade.
e acordo com o provimento, disponível no Diário da Justiça Eletrônico, para obter esse benefício, o cidadão deverá juntar prova de sua condição e requerê-lo ao juiz competente. O gestor judicial da vara e os oficiais de justiça, por sua vez, deverão observar o prazo limite de 24 horas para encaminhamento dos autos à apreciação do juiz competente, quando necessária a conclusão dos autos, bem como para a remessa ao Ministério Público ou Defensoria Pública, quando o caso requerer.
Conforme a determinação, o magistrado deverá ordenar à escrivania as providências a serem cumpridas. Depois de deferida a prioridade, os autos serão identificados com duas tarjas amarelas em seu dorso, de modo a evidenciar sua tramitação prioritária.
O provimento também especifica que os documentos necessários para o cumprimento de ordem judicial, tais como mandados, cartas precatórias, intimações, entre outros, sejam expedidos em, no máximo, 48 horas quando outro prazo menor não for fixado. Os oficiais de justiça devem cumprir os mandados provenientes de tais processos em regime de urgência, no prazo máximo de cinco dias. As audiências, bem como a prolação de despachos, decisões ou sentenças dos processos que se encaixam no benefício terão caráter prioritário.
Na publicação do Provimento 26/08 foi considerada a necessidade de conceder às pessoas que se encontrem em condições especiais de saúde o direito à tramitação processual prioritária, assegurando-lhes a entrega da prestação jurisdicional em tempo hábil, conforme artigo 39, alínea “c” do Código Judiciário Estadual (Coje). Conforme a Constituição Federal, é dever do Estado tratar os desiguais com desigualdade, para igualar democraticamente as pessoas em suas diferenças, conferindo plena eficácia ao princípio constitucional do respeito e proteção à dignidade humana.
Fonte: SóNotícias - O primeiro jornal virtual do interior do Mato Grosso
Pacientes checos pagam US$1,80 por consulta médica - e acham caro Junho 10, 2008
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População acredita que assistência médica deve ser gratuita, como na época comunista. Número de consultas em todo o país caiu depois da adoção de taxas.
Na República Checa, você pode fazer uma consulta médica por cerca de $1,85 dólares. Um dia no hospital pode chegar a custar $4 dólares. Mas isso não é motivo para comemorar.
Para os checos, que freqüentam consultórios médicos mais vezes do que qualquer outro país europeu, isso levou a uma enorme revolta. Na verdade, a idéia de cobrar qualquer quantia por assistência médica pode gerar enorme controvérsias, sem mencionar mudanças abruptas nas políticas de saúde pública na República Checa e em outros países da Europa.
Na Hungria, as taxas de assistência médica foram derrubadas após um referendo nacional no mês de março, que resultou na demissão do Ministro da Saúde. Na República Checa, que começou a impor taxas modestas no começo do ano, o próprio Primeiro Ministro foi forçado perante a corte constitucional em Brunn a depor, enquanto a corte avaliava derrubar as taxas. No mês passado, a corte determinou que o governo tem o direito de cobrar taxas de pacientes que usam o sistema de assistência médica.
Países ricos e pobres lutam para descobrir a melhor forma de oferecer assistência médica acessível a seus cidadãos, sem ir à falência. Em lugares como a República Checa, há um sentimento de traição, porque o governo há muito tempo cuida da saúde, mas também um medo justificável pelos anos recentes de mudança e crescimento. Até mesmo em Praga, conhecida como a cidade dourada, a nova riqueza – e o aumento da expectativa por serviços de alto padrão – significou apenas preços mais altos para aquela população dependente de salários baixos e pensões fixas.
“Tenho que economizar para ter dinheiro para comer”, disse Kveta Lachoutova, 78 anos, uma viúva aposentada. Em uma entrevista na sala de espera do consultório médico, ela afirmou estar tentando viver com uma pensão de cerca de US$ 600, gastando cerca de US$ 400 em aluguel e serviços como água e luz. “Não compro nada mais”.
Para pessoas saudáveis e empregadas, as taxas representam praticamente um trocado, pagas com as mesmas moedas de 10 ou 20 coroas usadas para comprar um bilhete de bondes elétricos em Praga (1 dólar vale cerca de 16 coroas). Checos abastados admitem secretamente que gastam muito mais em cuidados veterinários para seus bichos de estimação do que com sua própria assistência médica, mesmo tendo que bancar alguns medicamentos.
No entanto, muitos checos vêem como uma questão de princípio o fato de que a assistência médica deveria ser gratuita – apesar de que o sistema de saúde é financiado em parte por deduções de imposto de renda. Além disso, os checos têm um forte senso de solidariedade com os mais pobres.
Sob o regime comunista, a assistência médica era gratuita, mas até certo ponto. Suborno para obter melhores condições de tratamento era uma prática comum e ainda pode ser um problema, particularmente na Hungria, onde ainda continua vigente.
A região tem sido um laboratório para reformas na assistência médica nos últimos anos. O esforço foi liderado por defensores do livre-mercado da próspera Eslováquia, que se beneficia de taxas de imposto uniformes para todos os cidadãos e um crescimento econômico bastante acelerado, na casa dos 10% no ano passado.
A Eslováquia introduziu pagamentos modestos para consultas médicas e diárias hospitalares em 2003. Mas, como aconteceria mais tarde na Hungria, as taxas não duraram muito. O governo de esquerda que chegou ao poder em 2006 as eliminou naquele mesmo ano, apenas alguns meses depois de tomar posse.
“O que queremos alcançar no sistema de saúde é uma responsabilidade individual maior, fazendo com que os consumidores sejam mais responsáveis pelo que consomem”, disse Peter Pazitny, diretor-executivo e um dos sócios fundadores do Instituto de Políticas de Saúde na Bratislava, antes o principal conselheiro do Ministro da Saúde da Eslováquia.
A necessidade de uma reforma na região é evidente, disse Pazitny. Estatísticas da Organização pela Cooperação e Desenvolvimento Econômico demonstram que os sistemas de saúde da República Checa, da Eslováquia e da Hungria estão entre os piores de todos os países membros em relação à expectativa de vida e à taxa de mortalidade para derrames, doenças cardíacas e câncer.
O governo checo foi receptivo às recomendações do Instituto de Política de Saúde e até emprega outro colega de Pazitny em Praga. Mas os membros da oposição preferem que o antigo compatriota os deixe em paz – e também o sistema de saúde pública.
“Eu entenderia se os rapazes eslovacos fizessem recomendações como se fosse um trabalho de faculdade, mas aqui eles estão introduzindo essas coisas na vida real”, disse Michal Hasek, líder da convenção partidária Social Democrata, o maior partido de oposição no Parlamento.
A constituição checa afirma que “cidadãos têm direito, através do seguro público de saúde, a assistência médica gratuita nas condições definidas por lei”. Os novos pagamentos não só são inconstitucionais, segundo Hasek, mas também têm causado sofrimento real em alguns segmentos da população. A oposição e a mídia local transformaram a imagem de bebês prematuros em incubadoras, cujos pais devem pagar os custos hospitalares, em símbolos do novo sistema.
Especialistas discordam na questão de que taxas pagas para consultas médicas são uma boa idéia, sob a ótica da saúde pública, e até questionam se elas representam grandes economias para o sistema de saúde em geral. “Serviços mais caros e desnecessários não são exigidos pelos pacientes, mas sugeridos pelos médicos somente para gerar mais receita para eles”, afirmou Peter Gaal, professor de políticas de saúde na Universidade Semmelweis em Budapest.
As taxas daqui, $1,85 dólares por uma prescrição e consulta médica, e $4 dólares para um dia no hospital, claramente estão produzindo efeitos no comportamento dos checos. O Ministro da Saúde disse que o número de prescrições caiu 40% no primeiro trimestre, apesar de que algumas delas podem ter sido resultado de estocagem no final do ano passado. O governo calculou que seguradoras públicas economizaram mais de US$ 100 milhões no primeiro trimestre, em comparação ao ano anterior, enquanto fornecedores arrecadaram US$ 62 milhões em taxas.
“Tentamos eliminar do sistema de saúde alguns custos que as pessoas podem pagar sozinhas”, disse Tomas Julinek, Primeiro-Ministro da República Checa, em uma entrevista no seu gabinete. Mas existe um teto para pagamentos, ajustado em mais de US$ 300 para o ano, que Julinek afirma que também protegeria as doenças graves.
Vários pacientes crônicos afirmaram não ter certeza como o teto funcionaria, ou exatamente quais custos estariam incluídos. “Até agora, só vejo e sofro o lado negativo”, disse Lenka Vondrackova, paciente de esclerose múltipla que luta para sobreviver junto a seu marido e seus dois filhos adolescentes com cerca de US$ 1.200 por mês, a soma do seu salário e da pensão pela deficiência.
Eles vivem apertados em um apartamento minúsculo em um edifício da época comunista em Cerny Most, um bairro afastado na parte leste de Praga. Seu regime de remédios exige cinco comprimidos pela manha, um spray nasal uma vez ao dia e mais três comprimidos à noite, bem como uma injeção aplicada por seu marido ou um de seus filhos. Antes das reformas, eles conseguiam economizar um pouco a cada mês.
“Agora, tudo o que sobrou foi dominado pelas taxas”, disse o marido Pavel.
“Acredito que no futuro ficará evidente que haverá mais dinheiro para equipamentos e remédios melhores”, disse ela, torcendo por uma pílula que pudesse substituir a injeção dolorosa que toma todas as noites. “Se funcionar…”, acrescentou, desviando o olhar, dividida entre o ceticismo e a esperança.
Fonte: G1
Célula-tronco pode curar doença neurológica fatal Junho 5, 2008
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Pesquisadores norte-americanos conseguem tratar ratos com processo de degeneração nas células do cérebro, abrindo caminho para curar doenças como esclerose múltipla
Pela primeira vez na história da medicina e com a ajuda das células-tronco, especialistas norte-americanos e chineses curaram ratos portadores de condições neurológicas similares a uma doença fatal entre crianças. A conquista da ciência, divulgada apenas seis dias depois de o Supremo Tribunal Federal (STF) aprovar as pesquisas no Brasil, deve abrir novas perspectivas para o tratamento da esclerose múltipla e de leucodistrofias pediátricas.
A equipe do neurocientista Steve Goldman, chefe da Divisão de Terapia Celular e Gênica da Universidade de Rochester, aplicou uma injeção com 300 mil células-tronco gliais – estruturas capazes de regenerar o tecido nervosos – no cérebro de 26 roedores acometidos por tremores. Dois meses depois, essas células-tronco se multiplicaram e se espalharam por quase todo o sistema nervoso central. Durante vários meses, as células-tronco produziram mielina, uma substância esverdeada e gordurosa que cobre as células nervosas e tem papel importante na eficiência da condução dos impulsos elétricos entre neurônios e nervos. A ausência ou a falta de mielina leva a algumas doenças neurodegenerativas.
Dos 26 ratos tratados com células-tronco, três quartos morreram de ataques epilépticos, e seis deles tiveram uma sobrevida maior que a esperada. Quatro roedores ainda viviam um ano depois do tratamento, livres de convulsões e dos demais sintomas. Goldman explicou que as cobaias tinham um distúrbio neurológico parecido com a doença de Pelizaeus-Merzbacher, um transtorno raro e progressivo de desmielinização. “As células-tronco gliais foram retiradas do tecido do cérebro de fetos humanos”, comentou o autor da pesquisa. “A estratégia é particularmente apropriada para o tratamento de doenças pediátricas resultantes da falta de mielina, do desparecimento da matéria branca do cérebro, de algumas formas de paralisia cerebral e de patologias como doenças de Tay-Sachs, de Krabbe, de Canavan e adrenoleucodistrofia (desordem que provoca degeneração da bainha de mielina)”, acrescentou.
De acordo com Goldman, a pesquisa deverá ser “muito relevante” para a esclerose múltipla, mielite transversa e neurite ótica - inflamação do nervo ótico que pode levar à perda total de visão. “A esclerose múltipla é um alvo mais difícil por compreender um processo inflamatório autoimune e a morte de neurônios”, comentou o neurocientista. A expectativa é de que os testes clínicos com humanos comecem dentro de dois anos. “Precisamos obter o apoio e a aprovação da FDA (agência reguladora de drogas e medicamentos nos Estados Unidos).” Enquanto isso, Goldman e sua equipe avalia a utilidade de um tratamento simultâneo à base de anticonvulsivos nos próprios ratos. O objetivo é ampliar o tempo de vida dos animais para permitir a suficiente mielinização. Os especialistas constataram que em 13 meses os neurônios das cobaias ficaram praticamente repovoados de mielina.
Fonte: Correio Braziliense
Por seis votos a cinco, STF aprova pesquisas com células-tronco embrionárias Maio 30, 2008
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BRASÍLIA - Com seis votos favoráveis e cinco contrários, o Plenário do Supremo Tribunal Federal (STF) aprovou nesta quinta-feira o uso de células-tronco embrionárias em pesquisas científicas, sem restrições. A decisão histórica já era comemorada por cadeirantes e ativistas pró-células-tronco em frente ao STF, mesmo antes de encerrado o julgamento ( Temporão comemora decisão do STF )
Os seis votos a favor do uso de células-tronco em pesquisas - e contra a Adin (ação direta de inconstitucionalidade) foram do relator da ação, Carlos Ayres Britto, e dos ministros Joaquim Barbosa, Carmen Lúcia e Ellen Gracie, Marco Aurério e Celso de Mello. Outros três ministros (Menezes Direito, Ricardo Lewandowski e Eros Grau) se manifestaram no sentido de impor restrições às pesquisas e reparos técnicos na legislação. O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF), ministro Gilmar Mendes, foi outro que votou pela constitucionalidade, com ressalvas.
Voto de Cezar Peluso gera polêmica
Apesar de ter declarado que não fez restrições às pesquisas com células-tronco, o ministro Cezar Peluso teve seu voto computado como contrário ao artigo 5º da Lei de Biossegurança, que legaliza as pesquisas com céluas-tronco embrionárias. A confusão se deu por que Peluso, favorável às pesquisas, sugeriu mudanças na lei, no caso a criação de comitês de fiscalização das pesquisas - o que implicaria em uma restrição, mesmo que pouco grave.
Mas o ministro fez questão de afirmar que não fez restrições às pesquisas:
- Ou não me ouviram ou, se me ouviram, não me entenderam. O meu voto não contém nenhuma ressalva às pesquisas - ressaltou.
Cezar Peluso foi o último a votar na sessão de quarta-feira. Ele afirmou que as pesquisas com células-tronco embrionárias não ofendem o direito à vida e que os embriões teriam um destino mais “útil e nobre” ao serem utilizados em experimentos, em vez de serem descartados como lixo.
Ao final, o ministro frisou a importância de que os membros dos comitês responsáveis por fiscalizar essas pesquisas possam ser responsabilizados penalmente em caso de desvio ético, o que já é previsto na Lei de Biossegurança e no Código Penal, e a necessidade de se criar um órgão responsável pela aprovação dos membros que compõem os comitês.
- Eu gostaria que ficasse constando esse registro, para que não se pense que isto aqui é como se fosse um jogo de futebol, onde os números possam falar mais do que o teor dos julgamentos - finalizou.
Ativistas já comemoram vitória histórica
Ativistas favoráveis às pesquisas foram para a frente do STF para comemorar a confirmação da maioria dos votos contrários a Ação Direta de Incostitucionalidade (Adin) que pedia a derrubada do artigo 5º da Lei de Biossegurança. Animados, cadeirantes se reuniram para posar para fotos, fazendo o “V” da vitória.
A decisão foi comemorada pela geneticista Mayana Zatz, da Universidade de São Paulo (USP):
- Estou muito emocionada, não está fácil, mas temos uma enorme responsabilidade pela frente e vamos dar o melhor de nós e lutar para que as pessoas possam ter as mesmas condições de saúde que o resto da população - disse.
Mayana contou que agora, com a liberação, os cientistas vão submeter os projetos de pesquisa e correr atrás do prejuízo. Segundo ela, apesar da pesquisa já ser autorizada hoje, já que a Adin não ter revogado a Lei de Biossegurança, cientistas e comitês de ética e pesquisa não estavam liberando os projetos com o temor de que eles viessem a ser paralisados por uma decisão negativa do Supremo.
OS VOTOS DE HOJE:
GILMAR MENDES: O presidente do Supremo Tribunal Federal (STF) votou pela constitucionalidade, com ressalvas. Segundo Mendes, a legislação brasileira sobre o assunto carece de maior rigor, se comparada com a regulamentação feita por outros países que já se utilizam das pesquisas.
- Na análise comparativa, a lei brasileira contém algum tratamento ineficiente em relação às pesquisas, podendo ensejar violação a princípio da proporcionalidade - disse.
Entretanto, ao condicionar a permissão das pesquisas à aprovação de um comitê central de ética, o presidente do STF ressaltou que declarar a inconstitucionalidade causaria um vício legislativo “mais danoso do que a manutenção da sua vigência”, através de uma “solução reparadora”.
CELSO DE MELLO: O ministro Celso de Mello, do Supremo Tribunal Federal (STF), considerou constitucional o Artigo 5º da Lei de Biossegurança, que trata das pesquisas com células-tronco embrionárias. Mello baseou o voto, em parte, em documento apresentado por um grupo de trabalho da Academia Brasileira de Ciências. No documento, os cientistas afirmam que a vida do futuro feto está “irremediavelmente condicionada” ao desenvolvimento do embrião no útero. Eles dizem ainda que as pesquisas com células-tronco adultas, por enquanto, indicam que elas não são mais promissoras que as embrionárias.
O ministro também fez uma longa consideração sobre a laicidade do estado brasileiro, e frisou que, “nesta república laica, o Estado não se submete a religiões”. Celso de Mello concluiu o voto afirmando que, após esse julgamento, que ele classificou de “efetivamente histórico”, “milhões de pessoas não estarão mais condenadas à desesperança”.
MARCO AURÉLIO: O ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) afirmou que o “tema da vida” continua sendo “alvo de grande expectativa no Brasil”, o que dá responsabilidade ao Supremo.
- Cumpre a esta corte a guarda da Constituição Federal, julgando improcedente a ação e mantendo a esperança sem a qual a vida do homem se torna inócua - disse. - Que se aguarde o amanhã, não se apagando a luz que no Brasil surgiu com a Lei 11.105/2005 [Lei de Biossegurança].
CEZAR PELUSO: O ministro Cezar Peluso iniciou os trabalhos da Corte fazendo esclarecimentos a respeito do voto que proferiu à noite. Ele disse que votou pela constitucionalidade das pesquisas com células-tronco embrionárias sem nenhuma restrição. Na quarta-feira, o presidente do STF, ministro Gilmar Mendes, anunciou o voto de Peluso como constitucional com ressalvas.
Fonte: O Globo Online
Temporão defende pesquisas com células-tronco embrionárias Maio 27, 2008
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O ministro da Saúde, José Gomes Temporão, disse nesta terça-feira que é favorável às pesquisas com células-tronco embrionárias. O ministro está otimista em relação ao julgamento no Supremo Tribunal Federal (STF) que esta previsto para amanhã . O julgamento da ação teve início em 5 de março deste ano e foi suspenso por um pedido de vista do ministro Menezes Direito. Na ocasião, o relator do processo, ministro Carlos Ayres Britto, e a então presidente do Supremo, ministra Ellen Gracie, votaram contra a ação e a favor da pesquisa com células-tronco embrionárias. ( Veja a íntegra do voto do relator ) Você apóia a pesquisa com células-tronco embrionárias? Vote!
- O Brasil precisa. Os pacientes precisam ter uma esperança e os médicos estão querendo colocar o seu saber e o seu conhecimento no desenvolvimento de novas tecnologias. Quem sabe esta semana vamos ter uma grande notícia para o Brasil, os pacientes e os médicos - afirmou Temporão.
Cerca de 50 representantes do Movimento Brasil sem Aborto, da Associação Pró-Vida Família e da Arquidiocese de Brasília realizaram um ato público nesta manhã, em frente ao STF.
O objetivo dos manifestantes foi sensibilizar os ministros para que votem a favor da Ação Direta de Inconstitucionalidade (Adin) 3510, que questiona o artigo 5º da Lei de Biossegurança.
Leia o manifesto de Marcelo Yuka
- O objetivo é sensibilizar os ministros, principalmente aqueles que porventura não tenham um voto definido em relação ao tema e ao julgamento de amanhã, no sentido de que eles possam fazer a opção pela admissibilidade da Adin - afirma Jaime Ferreira Lopes, coordenador nacional do Movimento Nacional em Defesa da Vida - Brasil Sem Aborto.
Para os manifestantes contrários a essa permissão, o uso de células-tronco embrionárias fere o direito à vida.
- Nós partimos de um princípio fundamental, o direito inviolável da vida, e essa vida para nós tem início na fecundação, porque, a partir da fecundação, nós temos já definido todo o DNA do ser humano que irá se desenvolver - diz Lopes.
Além disso, eles alegam que os estudos feitos com esse tipo de célula em outros países não têm tido bons resultados, ao contrário das pesquisas com células-tronco de adultos.
- Nós sabemos que as pesquisas com células-tronco feitas nos países onde são permitidas têm resultado zero, do ponto de vista da aplicação em terapias em seres humanos - afirma o coordenador.
- As células-tronco embrionárias são extremamente resistentes e elas acabam provocando, na experiência em camundongos, alta rejeição e tumores cancerígenos - completa.
Leitores do GLOBO ONLINE apóiam pesquisas com células-tronco
Fonte: O Globo Online
Aprovação do medicamento Extavia Maio 26, 2008
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A Novartis, segunda maior companhia farmacêutica da Suíça, recebeu a aprovação regulatória da Comissão Européia para seu medicamento Extavia, utilizado no tratamento de esclerose múltipla. O remédio é idêntico ao Betaseron da rival Bayer.
O Extavia pode ser usado em pacientes no estágio inicial ou reincidentes de esclerose múltipla. A Novartis conquistou o direito de ter a sua própria versão do medicamento por meio da aquisição da companhia norte-americana de biotecnologia Chiron, ocorrida em 2005. Além disso, houve um acordo com a Bayer, que detém o Betaseron em seu portifólio de medicamentos desde a compra da Schering em 2006.
Fonte: JB Online
O difícil convívio com a esclerose múltipla Maio 21, 2008
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“Aos 25 anos de idade comecei a sentir os sintomas que, depois de seis anos de consultas, exames e diversos especialistas, foi diagnosticado como esclerose múltipla”, conta Magali, uma administradora aposentada. Ela lembra que há época sentia as pernas “fracas”, além de sentir problemas de visão. Até que teve uma crise muito forte e foi parar no hospital com todo o lado direito do corpo paralisado. Teve que parar de trabalhar. “Passei quinze anos da minha vida sem colocar os pés no chão e tomando remédios que nada tinham a ver com minha doença”, reclama. Hoje, Magali já recuperou parte dos movimentos das pernas e se locomove com a ajuda de um andador.
Ao contrário do que se imagina, a esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica que afeta, principalmente, adultos jovens e provoca dificuldades motoras e sensitivas que comprometem muito a qualidade de vida de seus portadores. Ainda há muita confusão em relação à esclerose múltipla, as pessoas em geral sabem pouco a respeito. Um dos erros mais comuns entre os leigos é confundir com arteriosclerose, que é comum em idosos, mas as duas doenças não têm absolutamente nada a ver uma com a outra. Além do aumento no número de casos, a doença é diagnosticada cada vez mais freqüente em pessoas jovens. “Hoje temos pessoas na faixa dos 18 anos ou menos procurando auxílio”, afirma Suely Berner da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM).
Diagnóstico clínico
Não se conhecem ainda as reais causas da doença. Sabe-se, porém, que sua evolução difere de uma pessoa para outra e que é mais comum em mulheres e em indivíduos de pele branca. De acordo com o professor de neurologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Lineu César Werneck, a característica mais importante da esclerose múltipla é a imprevisibilidade dos surtos. O diagnóstico é basicamente clínico, mas já existem exames laboratoriais e de imagem que ajudam a confirmá-lo e a acompanhar a evolução da doença.
Os sintomas mais freqüentes da doença são fadiga, problemas visuais e perda da coordenação muscular, dificuldade de andar, falar e engolir, entre outros. Em casos mais extremos corre-se o risco de sofrer paralisias. Dentre as causas do distúrbio, constata-se que há uma predisposição genética. “No entanto, um trauma emocional importante ou fatores externos como o estresse podem, também, se tornarem gatilhos para o surgimento da doença”, esclarece o especialista. Para Werneck, o diagnóstico não é fácil porque os sintomas são facilmente confundidos com os de outras doenças. Para definir o quadro, é necessário, além de uma apurada avaliação clínica, a solicitação de exame de tomografia e ressonância magnética.
Luminosidade
No recente simpósio internacional “Serono”, foram apresentados estudos que comprovam que fatores como luminosidade, sexo, cor da pele estão relacionados à incidência da esclerose múltipla. Assim, nos países do norte, onde a luminosidade é menor, a prevalência da esclerose múltipla é maior. O motivo, segundo os pesquisadores, é a falta de vitamina D3, acarretada pela baixa luminosidade. Esta vitamina funciona como um imunomodulador que inibe as células inflamatórias e protege as que seriam atacadas. Estudos indicam que até mesmo durante a gestação, a luminosidade traz influências para os bebês. “Há maior incidência da doença em pessoas que nasceram no verão e que tiveram boa parte da gestação em meses com menor luminosidade”, explica Dagobeto Callegaro, neurologista, coordenador do Ambulatório de Esclerose Múltipla do Hospital das Clínicas, da USP.
Os especialistas brasileiros e internacionais reunidos no encontro foram unânimes em informar que os esforços das pesquisas científicas atuais são em tornar o tratamento da esclerose múltipla mais eficaz e também mais confortável ao paciente. Entre os avanços previstos para os próximos anos, está o uso de medicamentos orais, que poderão unir a eficácia dos tratamentos já existentes, eliminando a necessidade de injeções.
A doença
A esclerose múltipla é um problema neurológico crônico. Por alguma deficiência do sistema imunológico, as camadas que recobrem as fibras nervosas (mielinas) são destruídas pelas próprias células de defesa que atacam o sistema nervoso central. “Essa proteção é essencial para a transmissão dos impulsos nervosos. Quando atacada, a mielina forma uma barreira que impede a passagem desses impulsos”, explica Lineu Werneck. Assim, dependendo da área atingida, uma função orgânica ou motora poderá ficar comprometida.
O diagnóstico da doença é importante para que o tratamento seja iniciado o mais cedo possível. Já existem exames eficazes que auxiliam no diagnóstico, como a ressonância magnética e a análise do líquido espinhal. “Ao receber um paciente com sintomas que sinalizam a doença o médico deve, após descartar outras possíveis causas, fazer uso desses exames”, lembra Alain Gabbai - chefe do departamento de neurologia da Unifesp/Escola Paulista de Medicina.
Uma vez diagnosticado, o paciente deve ficar atento aos sinais que seu corpo emite.
“Nos chamados surtos, em que a mielina está sendo atacada com mais intensidade, o paciente tem de ser medicado rapidamente para evitar que a lesão deixe seqüelas”, adverte o médico.
Esses medicamentos visam transpor a barreira que inibe os impulsos, já que as ordens emitidas pelo cérebro não chegam até a musculatura das pernas, por exemplo, prejudicando os membros inferiores. Também pode ocorrer a perda de sensibilidade ao toque. Lineu Werneck recomenda que sejam incentivados tratamentos multidisciplinares para adiar a progressão da doença, com a colaboração de fisioterapeutas, fonoaudiólogos e nutricionistas.
Fonte: Paraná-Online
Fatores que influenciam na incidência da esclerose múltipla Maio 17, 2008
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Estudos epidemiológicos sobre fatores que influenciam o desenvolvimento da Esclerose Múltipla foram apresentados nesta sexta feira pelo Prof. Dr. Dagobeto Callegaro, neurologista, coordenador do Ambulatório de Esclerose Múltipla do Hospital das Clínicas, da USP, durante o Serono Symposia International, que acontece na cidade de São Paulo. Segundo Callegaro, fatores como luminosidade, sexo, cor da pele estão relacionados à incidência da esclerose múltipla. “Nos países do norte, onde a luminosidade é menor, a prevalência da esclerose múltipla é maior. O motivo é a falta de vitamina D3, acarretada pela baixa luminosidade”.
Sabe-se também que a incidência da doença é maior em mulheres e em pessoas de pele branca. Outros fatores, como o tipo de dieta também influenciam a prevalência da esclerose múltipla. Na Noruega, por exemplo, que tem maioria branca e baixa luminosidade em todo o território, existem diferentes taxas de prevalência, de acordo com o tipo de dieta. Na região norte, onde a dieta é rica em vitamina D3 (peixes e vegetais) a incidência da doença é menor do que no sul, onde se consome mais carnes e laticínios.
Fonte: Correio do Estado
Dieta rica em ômega-3 melhora a vida dos portadores de esclerose múltipla Maio 17, 2008
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Uma dieta rica em peixes, frutas e legumes pode ser uma das principais formas de evitar os períodos de crise em portadores de esclerose múltipla (EM). Foi o que afirmou o neurologista Dagoberto Callegaro, do Hospital das Clínicas de São Paulo, um dos especialistas que estão reunidos em São Paulo até sábado em evento que discute a eficácia dos tratamentos disponíveis para a doença.
Callegaro faz a afirmação tomando como base os resultados de uma pesquisa feita com portadores da doença na Noruega, um dos países com maior incidência de esclerose múltipla. Pesquisadores compararam as cidades onde os moradores comiam mais e menos peixe, e constataram que nas localidades em que as pessoas ingeriam mais bacalhau, salmão e atum, menores eram as taxas de EM.
Para o médico, uma dieta rica em peixes com ômega-3 e que exclui leite, derivados e a carne vermelha, é uma das formas que o portador da doença tem de controlar os períodos de crise, que vão desde uma perda parcial da visão até a falta de movimento total nos braços e nas pernas.
- Nossas mães e avós estavam certas quando nos obrigavam, na infância, a tomar uma colher de óleo de fígado de bacalhau diariamente. A suplementação com ômega tem mostrado bons resultados na qualidade de vida e no controle da doença nos portadores de esclerose múltipla - disse Callegaro.
Outras pesquisas já apontaram que o ômega-3 também tem papel importante no controle de outras doenças como a depressão e a epilepsia.
*A jornalista viajou a convite da Merck Serono
Fonte: O Globo Online
Evento debate novos tratamentos para esclerose múltipla Maio 15, 2008
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Alguns dos especialistas em esclerose múltipla (EM) em todo o mundo estão reunidos em São Paulo até sábado para discutir a eficácia dos tratamentos disponíveis para a doença e definir novas diretrizes de tratamento para os próximos anos. No encontro, os médicos frisaram a importância do diagnóstico precoce da esclerose múltipla, que atinge 15 em cada 100 mil brasileiros, e é atualmente a doença mais incapacitante entre os jovens adultos do país.
- Como a esclerose múltipla pode ser confundida com outras doenças, é importante que o médico, junto ao paciente, faça todos os exames necessários para se chegar ao diagnóstico correto o mais rápido possível. Assim, é mais fácil evitar as crises incapacitantes e a evolução rápida da doença. Com a medicação adequada, fisioterapia, uma boa dieta e medidas que ajudam a controlar o estresse, os portadores da EM têm total capacidade de conduzir a vida normalmente - explica o neurologista Ludwig Kappos, chefe do ambulatório de Neurologia e Neurocirurgia do hospital da Universidade de Basel, na Suíça.
*Maria Vianna viajou a convite da Merck Serono
Fonte: O Globo Online
Má alimentação pode comprometer atividade cerebral, dizem especialistas Maio 12, 2008
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A falta de cuidados com a alimentação pode interferir no desempenho mental, aumentando os riscos de déficit de memória e até de doenças degenerativas, alertam especialistas. Apesar das constatações, o Brasil ainda sofre com índices alarmantes de dietas mal balanceadas. De acordo com estudo realizado pela Universidade de São Paulo (USP), 3 em cada 10 adolescentes paulistanos consomem alimentos ricos em gorduras e ausente de fibras, o que, segundo a nutricionista clínica Luciana Ayer, pode comprometer a atividade cerebral.
- O sistema neurológico precisa de gorduras boas para manter o bom funcionamento das células. A ingestão de gorduras trans, presentes em produtos industrializados, intoxica a célula, o que interfere na atividade cerebral. Os aditivos químicos em excesso, presentes em corantes, adoçantes e no glutamato monossódico, entram nos neurônios ocupando o lugar dos nutrientes. Essas substâncias estranhas são tóxicas para o neurônio, comprometendo o desempenho cerebral - diz Luciana, que é co-autora do livro Nutrição Cerebral (ed. Objetiva).
Os efeitos desses alimentos no cérebro são adversos, podendo causar demência, défict de atenção, ansiedade e depressão. De acordo com o neurologista Cícero Galli Coimbra, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a falta de uma dieta balanceada pode, inclusive, provocar doenças neurológicas. Para reduzir os riscos, ele aconselha a ingestão de alimentos ricos em proteínas e vitaminas.
- As doenças degenerativas têm ligação com o aspecto alimentar e emocional. As crianças hiperativas, por exemplo, têm respondido a tratamentos com ingestão de vitamina B6, presente no feijão, lentilha e fibras. Ela (vitamina) é necessária para a produção de um dos neurotransmissores do cérebro que melhora a atenção da pessoa e diminui a excitabilidade. O ômega 3 também estimula os neurônios. E os resultados obtidos com dietas ricas desses elementos são melhores do que os apresentados por remédios convencionais - alerta Galli.
Uma pesquisa realizada pela Nova Escócia com crianças dos EUA demonstrou que aquelas que comiam bem atingiam as maiores notas na escola. Para manter o cérebro em plena atividade, a nutróloga Lenita Zajdenverg, do Hospital Universitário Clementiano Fraga Filho, da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), chama atenção para o consumo de alimentos antioxidantes e de cor avermelhada.
-Dieta saudável, rica em vegetais, possui efeito antioxidante, o que prolonga a vida das células cerebrais. As proteínas presentes no queijo, no ovo e no leite são bastante benéficas para o funcionamento do cérebro. Há ainda estudos que apontam a melhoria da atividade cerebral e a diminuição do risco de demência com o uso de frutas vermelhas no cardápio - diz Lenita.
Mas vale ressaltar que não adianta tomar suplementos alimentares ricos em colina - presente no ovo - ou em caroteno - encontrado nas frutas vermelhas - para depois ir para um rodízio de pizza. Lenita, inclusive, alerta que o consumo em demasia de vitaminas pode ser maléfico à saúde. Portanto, antes de incluir esses produtos complementares no cardápio diário, é preciso consultar um especialista para saber a quantidade necessária que pode ser ingerida.
É preciso ter cuidado também com o preparo de determinados alimentos para, em longo prazo, não comprometer a atividade dos neurônios. As carnes assadas em grelha, principalmente as aves, podem estimular o desenvolvimento de mal de Parkison, alerta Cícero Galli. As altas temperaturas durante o cozimento estimulam a formação de substâncias que causam danos irreversíveis aos neurônios. Para evitar esse efeito, o especialista em neurologia aconselha o consumo de peixes em forma de ensopado. Isso não quer dizer que as outras carnes devam ser abolidas da dieta. Basta ingeri-las com moderação, destaca.
Fonte: O Globo Online

