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Sono aumenta número de células no cérebro, diz estudo 05/09/2013

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Foto: BBC

Dormir libera mielina, substância que protege o circuito do cérebro, dizem cientistas

Cientistas americanos acreditam ter descoberto mais um motivo para incentivar as pessoas a tentar ter uma boa noite de sono: dormir ajudaria a repor um tipo de célula do cérebro.

Segundo eles, dormir eleva a produção de células que produzem uma substância estimuladora conhecida como mielina, responsável proteger o circuito neural.

A pesquisa, realizada até agora somente com ratos de laboratório, poderia ajudar a entender a ação do sono na reparação e no crescimento do cérebro, além do combate à esclerose múltipla, disse a equipe de cientistas do Estado americano de Wisconsin.

As descobertas foram publicadas na revista científicaJournal of Neuroscience.

A equipe liderada pela cientista americana Chiara Cirelli, da Universidade de Wisconsin, descobriu que a taxa de crescimento das células produtoras de mielina dobrou enquanto os ratos dormiam.

O aumento se deu com maior intensidade durante o período associado ao sonho – chamado de REM ou “movimento rápido dos olhos” – e foi produzido por genes.

Em contrapartida, genes envolvidos na morte das células e em respostas de estresse passaram a ser observados quando as cobaias foram forçadas a permanecer acordadas.

O motivo pelo qual os seres humanos precisam dormir intriga os cientistas há séculos. Já se sabe que uma boa noite de sono ajuda o corpo a repor as energias e garante seu bom funcionamento – mas o processo biológico que acontece durante esse período só começou a ser estudado recentemente.

Crescimento e reparação

“Por muito tempo, os cientistas concentraram seus esforços em comparar a atividade cerebral quando estamos dormindo e quando estamos acordados”, explica Cirelli. “Agora, está claro que a maneira como operam outras células de apoio no sistema nervoso também muda significativamente se estivermos dormindo ou acordados.”

Os cientistas dizem que suas descobertas indicam que a perda de sono pode agravar alguns sintomas da esclerose múltipla, doença que prejudica a produção de mielina.

Nela, o sistema imunológico ataca e destrói o revestimento de mielina dos neurônios e da medula e do cordão espinhal.

Segundo Cirelli, estudos posteriores poderão observar se o sono afeta ou não os sintomas da esclerose múltipla.

Ela acrescenta que sua equipe também vai examinar se a falta de sono, especialmente durante a adolescência, pode gerar efeitos nocivos de longo prazo para o cérebro.

De acordo com o Instituto Americano de Transtornos Neurológicos e de Acidente Vascular Cerebral, dormir ajuda o sistema nervoso a funcionar corretamente.

Um sono profundo coincide com a liberação do hormônio do crescimento em crianças e em jovens adultos. Muitas das células do corpo também registram elevação da produção e redução da quebra de proteínas durante esse período.

Dado que as proteínas ajudam o crescimento das células e a reparação dos danos causados por estresse e raios ultravioletas, uma boa noite de sono realmente pode significar o “sono da beleza”, acrescenta a instituição.

Fonte: BBC Brasil

Especialista indica maneiras de como evitar a fraqueza 15/07/2013

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A fisioterapeuta Marcela Batistuta, especialista em Reeducação Postural Global (RPG), explica que as principais causas da fadiga na Esclerose Múltipla são os excessos, seja físico, mental, social ou ambiental. “E ela pode se manifestar de várias formas, sendo aguda, quando aparece durante esforços e desaparece com o repouso; crônica, quando persiste mesmo após o repouso; localizada, quando se usa em excesso determinado grupo muscular, mas a sensação desaparece com o repouso, e sistêmica, quando há cansaço geral, com desânimo, perda de força e resistência física”, frisa.

Marcela destaca que a fadiga pode ainda surgir associada a problemas como depressão, pode ser induzida pela medicação ou ser causada por distúrbios do sono. “A fadiga muscular em braços ou pernas após exercícios repetitivos, como andar longas distâncias, acaba fazendo com que a perna falhe e também provoque uma sensação de fraqueza. Isto é causado por um bloqueio do impulso nervoso e o ideal é parar de andar ou realizar o ato repetitivo para que a condução nervosa reinicie. O problema pode ainda ser causado por falta de condicionamento físico, quando os músculos são pouco utilizados. Combater o sedentarismo evita a fadiga intensa durante atividades físicas”, ressalta.

A fisioterapeuta afirma que, assim como provoca uma ruptura na vida diária, a fadiga provocada pela Esclerose Múltipla também causa ansiedade quando os sintomas reaparecem após esforço e especialmente quando a atividade ou o ambiente provoca um aumento na temperatura do corpo. Por isso, Marcela Batistuta indica algumas práticas para melhorar a fadiga. “Evite banhos quentes, temperaturas muito elevadas, exercícios excessivos, refeições pesadas e fumar. Planeje sua vida de modo a estabelecer uma escala das necessidades no trabalho, para que noitadas e ocasiões sociais sejam repartidas. Siga uma dieta sensata e reduza o peso se for o caso. Fracione as atividades diárias e sempre respeite o período de repouso entre elas. Faça atividades leves conscientes, orientadas por um profissional, e procure controlar a depressão e o estresse”, completa a especialista.

Fonte: JM Online

Vitamina D no tratamento de esclerose múltipla 03/06/2013

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Utilização ainda é experimental mas existem evidências

Já circulou na internet a informação de pacientes com esclerose múltipla que foram tratados à base de altas doses de vitamina D. O documentário “Vitamina D – Por uma outra terapia”, disponível no YouTube, conta, por exemplo, a história de seis portadores da doença que tiveram suas vidas transformadas a partir deste polêmico tratamento, que não é reconhecido pela maioria dos especialistas por ainda ser considerado experimental.

A esclerose múltipla é uma doença neurológica autoimune, geralmente caracterizada por surtos de alterações na visão, formigamento ou dormência nos membros, perda de equilíbrio, dificuldade de andar.

De acordo com as teorias médicas mais aceitas, a esclerose múltipla é desencadeada por uma combinação de fatores que inclui predisposição genética, aspectos ambientais e infecções virais. Nos seus portadores, as células imunológicas invertem seu papel: em vez de proteger, o sistema de defesa do indivíduo passa a agredi-lo, comprometendo as funções coordenadas pelo sistema nervoso central, como visão, audição, sensibilidade e locomoção.

Um dos fatores de risco ambiental para o desenvolvimento da esclerose múltipla mais estudado atualmente é a deficiência da vitamina D. Apesar disso, Dr. Rodrigo Barbosa Thomaz, neurologista do Einstein, adverte que são vários os fatores de risco relacionados com a doença: os genéticos, os ambientais, e a interação destes (e não um fator isolado) que potencialmente desencadeariam os processos imunológicos responsáveis pelo início e pela evolução da doença.

A vitamina D é um precursor hormonal encontrado de duas formas: em plantas e peixes ou sintetizada pela exposição à luz solar. O homem pode manter os níveis necessários de vitamina D expondo-se ao sol, em horários e tempo mais adequados à produção e armazenamento, ou ingerindo alimentos enriquecidos com a vitamina. Esta, por sua vez, ajuda a manter o equilíbrio do cálcio e a mineralização do esqueleto humano.

Por outro lado, a deficiência da vitamina D pode estar relacionada à baixa exposição das pessoas à luz solar, ou por questões geográficas e climáticas. “Pode-se observar o elevado número de pessoas afetadas pela esclerose múltipla em países frios, em altas latitudes, e a baixa prevalência da doença em áreas mais próximas à linha do Equador, onde há maior tempo e clima favorável à exposição solar”, salienta Rodrigo Thomaz.

Um estudo publicado na revista Brain, por Jorge Correale, em janeiro de 2009, indicou que os níveis deficientes da vitamina D podem influenciar positivamente a evolução da doença. Outro estudo, da Harvard School of Public Health, liderado por Alberto Ascherio, em 2006, sugeriu a diminuição de 41% do risco de esclerose múltipla para cada 50nmol/L aumentando os níveis de vitamina D. Isto é, o risco de esclerose múltipla foi mais baixo entre aqueles ministrados com doses mais altas de vitamina D, e os riscos mais altos desta doença ficaram com aqueles com níveis mais baixos desta vitamina.

O neurologista do Einstein afirma: “Não se sabe ao certo como a reposição desta vitamina pode alterar o curso da doença. Outro problema inerente ao tratamento é a dose e o tempo ideal para repor os níveis deficientes, havendo o risco dos efeitos tóxicos incluindo a elevação dos níveis de cálcio no sangue (hipercalcemia), hipertensão arterial, náuseas, diminuição do apetite, fraqueza, constipação intestinal e insuficiência ou dano renal”.

Para Rodrigo Thomaz, até o momento, não existem estudos concluídos e baseados em evidências que indiquem que a substituição dos tratamentos convencionais pelo tratamento exclusivo com altas doses de vitamina D seja benéfica, ou superior.

“Ressalto que pesquisas envolvendo os níveis de Vitamina D em portadores de esclerose múltipla, na sua maioria, são realizados em países onde a incidência de raios ultra-violeta (UV), o tempo de exposição solar e os hábitos alimentares e culturais são diferentes do Brasil”.

No entanto, pontua o neurologista, a ciência evolui e deve estar atenta para os avanços no entendimento da esclerose múltipla e novas perspectivas de tratamento, integrando modos e abordagens terapêuticas como: medicamentos imunomoduladores e imunossupressores, medicamentos sintomáticos, atividades físicas e reabilitação neurológica, técnicas terapêuticas alternativas – medicina chinesa e fitoterapia, homeopatia, meditação e yoga – nutrição, mudança de hábitos e estilo de vida, controle do estresse e apoio psicológico e familiar.

Fonte: Dr. Rodrigo Barbosa Thomaz, neurologista do Einstein

Fonte: Albert Einstein

Sintomas 12/07/2012

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Sintomas comuns da esclerose múltipla

A esclerose múltipla afeta cada pessoa de maneira diferente. Devido à esclerose múltipla poder afetar diferentes funções do cérebro, as pessoas experimentam uma ampla variedade de sintomas.  Mas existem alguns sinais comuns da esclerose múltipla, a maioria envolvendo o equilíbrio, a visão, a memória, os movimentos ou a função sexual, incluindo:1

  • Fadiga – sentir-se cansado e não ter muita energia é uma queixa comum das pessoas com esclerose múltipla
  • Dormência – muitas pessoas relatam sensação de dormência ou de formigamento em partes do corpo
  • Problemas de equilíbrio – uma perda do equilíbrio é um sintoma precoce comum da esclerose múltipla
  • Dor crônica – mais da metade das pessoas com esclerose múltipla sentem algum tipo de dor
  • Dificuldade para andar – problemas de mobilidade são um dos sintomas mais comuns da esclerose múltipla
  • Espasticidade – algumas vezes, os músculos ficarão enrijecidos ou com cãibras, tornando difícil movimentar o membro afetado e causando dor
  • Depressão – o estresse de lidar com uma doença como a esclerose múltipla pode frequentemente levar à depressão. A depressão é uma condição grave, assim é importante que as pessoas com esclerose múltipla que apresentam depressão conversem com seus médicos.
  • Problemas sexuais – o dano aos nervos causado pela esclerose múltipla pode algumas vezes afetar o funcionamento sexual da pessoa
  • Problemas na bexiga – a esclerose múltipla interfere com o funcionamento da bexiga, o que pode resultar em uma variedade de sintomas, desde urgência leve até incontinência urinária.

Uma das razões pelas quais a esclerose múltipla pode ser uma doença que confunde e provoca frustração é que ela nem sempre é fácilmente diagnosticada, e nem todas as pessoas apresentam os mesmos sintomas. Algumas pessoas têm muitos sintomas, enquanto outras têm poucos; algumas pessoas têm sintomas leves, enquanto outras podem ter doença mais grave; para algumas, os sintomas vão e voltam, enquanto para outras eles podem perdurar. O importante é se lembrar que existem tratamentos eficazes para muitos desses sintomas, de forma que qualquer pessoa que apresente sintomas novos da esclerose múltipla deve conversar com seu médico sobre tratamento.1

Pacientes brasileiros de esclerose múltipla ganham novo medicamento 12/03/2009

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Especialistas internacionais no tratamento da esclerose múltipla realizaram palestras para 50 neurologistas brasileiros, no último sábado, em São Paulo, apresentando um novo medicamento, com maiores benefícios, para o tratamento da doença, que é auto-imune e acomete o sistema nervoso central. Vindos do Canadá e da Espanha, países que possuem importantes centros médicos para o tratamento da esclerose múltipla, os médicos Peter Rieckmann e Jaume Sastre-Garriga, explicaram a importância da nova droga, que acaba de chegar ao Brasil.

“Temos agora uma droga bem mais eficiente por ser menos imunogênica, com menos efeitos colaterais locais e, dessa forma, mais tolerada pelos pacientes”, explicou o Prof. Rieckmann, da Divisão de Neurologia do Centro de Pesquisas Cerebrais do Hospital da Universidade British Columbia, em Vancouver, Canadá, onde são atendidos anualmente cerca de 4 mil pacientes.

Para o espanhol Jaume Garriga, da Unidade de Neuroimunologia do Hospital Universitário Vall d`Hebron, em Barcelona, o ponto chave do novo medicamento – uma nova formulação de betainterferona 1 a – é a menor imunogenicidade. “Muitas pessoas desenvolvem anticorpos à própria droga, o que neutraliza o efeito do tratamento, ele fica menos eficaz. Com esta nova fórmula o tratamento será mais eficiente”, observa o professor. Em seu centro em Barcelona, são acompanhados regularmente 2.500 pacientes com esclerose múltipla.

Medicamento oral e diagnóstico por imagem – O evento do último sábado abordou ainda as dificuldades e importância em definir o diagnóstico correto, excluindo doenças que costumam ter sintomas parecidos, principalmente com o uso de exames de Ressonância Magnética por Imagens. Além de antecipar novidades para o próximo ano, quando deverá chegar ao mercado o esperado medicamento oral para o tratamento da esclerose múltipla.

“Já sabemos que o medicamento oral – a cladribina – é muito eficiente na redução de recaídas, como acontece com as drogas injetáveis. Mas precisamos saber sobre os efeitos colaterais em longo prazo. Por enquanto sabemos apenas sobre os efeitos colaterais nos dois anos de estudos. Mas acho que quando a droga oral estiver disponível teremos que fazer um mix de situações individualizadas para cada paciente: quem vai começar com a oral por não tolerar a injetável, quem vai continuar com o medicamento tradicional e assim por diante”, observa Peter Rieckmann.

Especialista no diagnóstico da esclerose múltipla, Jaume Garriga, falou sobre a importância do exame de Ressonância Magnética por Imagem. Para ele, o exame é muito importante e somente pode ser dispensável quando o paciente já teve dois ataques bem claros da doença.

Na opinião de Garriga, o aumento da prevalência da esclerose múltipla deve-se muito aos exames de Ressonância Magnética. “Estamos mais capazes em reconhecer a doença. Acho que a prevalência aumenta por vários motivos, mas também em função dos melhores diagnósticos”.

A prevalência da esclerose múltipla na Espanha é de 60 a 70 casos para cada 100 mil habitantes, enquanto que no norte da Europa, em países como Escócia, Suécia e Dinamarca chega a 250 por 100 mil. O clima, a falta de sol, a falta de vitamina D, o estresse, a poluição, são determinantes para a prevalência. Além do sexo, já que a esclerose múltipla atinge de duas a três mulheres para cada homem. No Brasil alguns estudos indicam que a prevalência seja de 10 a 15 casos para cada 100 mil.

Adesão ao tratamento vai aumentar – Neurologistas brasileiros presentes ao evento também estão otimistas com a chegada do novo medicamento. O Prof. Fernando Figueira, Chefe do Centro do Hospital da Terceira Ordem da Penitência do Rio de Janeiro, afirma que a nova fórmula será bem mais tolerada pelos pacientes. “Acho que nunca teremos uma medicação 100% segura e 100% eficaz, mas precisamos buscar a melhor relação. O fato do novo medicamento ser menos imunogênico garante uma eficácia maior ao tratamento. E será bem mais tolerado, pois diminui as reações alérgicas, os sintomas como febre e mal estar. E isso é ótimo para a adesão dos pacientes ao tratamento”, afirma Figueira.

Responsável pelo Centro de Esclerose Múltipla do Hospital da Restauração do Recife, a Dra. Maria Lúcia Brito, confirmou que o novo medicamento aumentará a adesão do paciente ao tratamento. Ela conta que um em cada dois pacientes desenvolvem algum tipo de alergia no local da injeção, principalmente aqueles que estão em tratamento há muitos anos. “Há uma grande expectativa positiva dos médicos e dos pacientes para a chegada deste novo medicamento”, observa a neurologista do Recife, onde são acompanhados 600 pacientes com esclerose múltipla.

Esclerose Múltipla – A esclerose múltipla é uma doença auto-imune, crônica, que afeta o sistema nervoso central. Não tem causa definida e surge em adultos jovens – com idade entre os 20 e os 40 anos -, comprometendo movimentos e visão. A esclerose múltipla afeta mais as mulheres, numa proporção de três para um. Sintomas como perda de visão unilateral, diminuição da força nas pernas e nos braços, formigamentos, dores faciais e vertigens, devem ser bem analisados pelos médicos, pois podem representar o início da doença.

Em todo o mundo existem cerca de 2 milhões de portadores da doença. No Brasil estima-se a existência de 25 mil pacientes.

Fonte: Portal Fator Brasil

Além da cura 26/11/2008

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A medicina tradicional abre espaço para tratamentos complementares, que levam em conta os aspectos físicos e emocionais de cada paciente. O resultado é um enfrentamento da doença cada vez menos dolorido

FOTOS FABIO MANGABEIRA

Quando recebeu o diagnóstico de câncer, Maria do Rosário Sampaio sentiu como se tivesse levado uma trombada violenta. “Foi muito difícil assimilar e aceitar”, recorda. Foi em dezembro de 2005 que ela soube ser portadora de um câncer no intestino já em fase de metástase. Os tumores migraram para os ovários e hoje estacionaram nos pulmões. Foram três cirurgias e muitas sessões de quimioterapia que alteraram a rotina de Rosário e família (marido e duas filhas adultas). Ela dirigia uma pequena frota de microônibus escolares, hoje arrendada e administrada a distância.

Após a fase de recusa, revolta e fúria diante da doença, Rosário, 50 anos, resolveu arregaçar as mangas e abraçar a vida. Além do tratamento pesado com quimioterápicos que alvejam os tumores, Rosário alterna outras terapias: reiki (energização por meio das mãos), acupuntura, meditação e também fisioterapia para combater os efeitos da perda de sensibilidade em mãos e pés. Tudo dosado para não debilitá-la. Depois de uma dose de químio com duração de três dias, ela repousa uma semana. Nesse período, sai com a família e amigos para shows, museus, cafés.

Mudou a alimentação sob orientação de uma nutricionista. Nada de carne vermelha, farináceos, açúcar industrializado, leite e derivados. Não nega que a idéia de morte lhe ocorra às vezes, mas “em 90% do tempo meu pensamento é de vida”. Participa ativamente de grupos de apoio a outros pacientes e, na aula de arteterapia, montou seu quadro “história de vida”, com pessoas e coisas que falam ao coração. A gaveta cheia de lenços coloridos acompanha as duas perdas totais de cabelo. Coisas perdidas, outras conquistadas. Amigos fiéis, por exemplo. E a certeza do aconchego entre os seus. Uma extensão vital do tratamento químico e cirúrgico, indispensável mesmo.

É justamente na conjunção dos aspectos biológicos e psicológicos que atua o Saúde além da cura, programa de promoção de qualidade de vida e bem-estar lançado recentemente pelo Hospital Albert Einstein, em São Paulo, para pacientes da oncologia. Foi lá que Rosário encontrou todo o leque de recursos que vem fazendo a diferença no seu caso. Seguindo uma corrente que se intensificou nos últimos quatro anos especialmente nos EUA, o programa oferece tratamentos da medicina chamada de integrativa e complementar, entre eles meditação, acupuntura, reiki e ioga. Inclui também orientação nutricional e acompanhamento psicológico, quando necessário.

Onde encontrar suporte
“O tratamento oncológico pode causar complicações agudas e persistentes. Além disso, a quimioterapia e a radioterapia podem resultar em novos tumores. Por isso, o paciente vive à sombra da possibilidade de novas doenças. É para esse paciente que o programa desenvolve um plano de acompanhamento médico baseado no risco individual de desenvolver novos tumores, problemas emocionais e nutricionais”, explica Auro Del Giglio, coordenador do departamento de Oncologia do Albert Einstein. Ou seja, não se faz de conta que está tudo bem, mas se usam recursos para que a jornada seja menos dolorida e com maior perspectiva de sucesso.

“TENHO UMA COLEÇÃO DE LENÇOS QUE FORAM PRESENTES DE PESSOAS QUERIDAS. HOJE, EM 90% DO TEMPO MEU PENSAMENTO É DE VIDA”

MARIA DO ROSÁRIO, 50 ANO ANOS

A corrente integrativa quer fugir do estereótipo das chamadas “terapias alternativas”, que sugerem qualquer coisa que fuja ao tratamento convencional, como diz o cirurgião Paulo de Tarso Lima, que tem especialização em Medicina Integrativa pela Universidade do Arizona. Isso significa que há respaldo acadêmico de peso. Somente nos EUA, são 41 universidades com linhas de estudo voltadas a essa nova área que enxerga o tratamento oncológico além do tripé tradicional: cirurgia, quimioterapia e radioterapia. É um modelo que também tem demonstrado eficácia para minimizar os efeitos colaterais.

Versões internacionais do programa implantado no Einstein (em inglês Survivorship Program) estão hoje presentes em grandes centros de oncologia norte-americanos como o M.D. Anderson, além de universidades como Duke University, Stanford University, Columbia University, Mayo Clinic e Harvard Medical School.

Capacidade de reagir
Há cerca de dois anos, a publicação científica British Medical Journal publicou os resultados da pesquisa realizada na Harvard Medical School em parceria com a Universidade de Heidelberg (Alemanha), relacionando perfis de personalidade ao maior risco de desenvolvimento de câncer e doenças cardiovasculares. Pessoas que lidaram melhor com a perspectiva de adoecerem e demonstraram serem menos impacientes, de acordo com os pesquisadores, tiveram risco reduzido especialmente para as doenças investigadas.

Na prática, implica o doente reunir forças e buscar meios para reagir melhor a um fato que abateria outro. Foi assim que se passou com a microbiologista Zelinda Bartolomei Nakagawa, 53 anos, que tratou um linfoma e repensou o modo como levava a vida. “Eu era séria demais, trabalhava 18 horas por dia e queria centralizar tudo.” Isso ficou para trás. Zelinda, que enfrentou um tratamento pesado com associação de químio e radioterapia, não leva mais as coisas tão a sério, permite-se ter tempo para ler, sair com amigos, estar mais com a mãe e a filha e até ajudar outros pacientes em trabalho voluntário. “Pensamos que tudo vai desmoronar com a doença, mas não, a vida se ajeita e segue seu curso”, diz. Esse perfil de enfrentamento da doença sem “quebrar as pernas”, muito pelo contrário, é a base do conceito da resiliência ultimamente empregado na área da saúde, segundo Kátia Osternack Pinto, psicóloga da divisão de Psicologia do Instituto Central do Hospital das Clínicas da FMUSP e doutora em Neurologia.

“PENSAMOS QUE TUDO VAI DESMORONAR COM A DOENÇA, MAS NÃO, A VIDA SE AJEITA E SEGUE SEU CURSO”

ZELINDA BARTOLOMEI, 53 ANOS

“Esse termo tem sido definido como a capacidade que a pessoa tem de enfrentar adversidades e de recuperar-se de perdas.” A palavra, afirma ela, vem da Engenharia de materiais e tem a ver com a elasticidade, com a resistência que o material suporta e a capacidade de retornar à composição original depois que cessa a tensão.

Desse modo, pessoas mais resilientes entram menos em depressão e são menos vulneráveis aos estímulos estressores do ambiente. “É como um escudo protetor que cada pessoa tem e que pode ser mais ou menos resistente. Esta é uma das coisas que diferenciam as pessoas em termos de resposta aos tratamentos”, diz Kátia. Em ambientes acadêmicos nos quais reina a medicina tradicional, as experiências com abordagens que extrapolam o campo médico já estão se tornando comuns e atraindo profissionais de várias áreas.

Aceitação médica
É assim no Instituto de Medicina Comportamental, vinculado ao departamento de Psicobiologia da Unifesp, onde diversas pesquisas são conduzidas utilizando-se ioga, meditação e outras técnicas de relaxamento. Outra abordagem, já consagrada na prática clínica do instituto, é a Terapia Cognitiva, também chamada Racional-Emotiva. “Buscamos ‘resignificar’ positivamente as emoções dos pacientes de modo a minimizar o impacto sobre o organismo da percepção negativa das situações”, explica a psicóloga clínica Júnia Ferreira, especialista em Medicina Comportamental pela Unifesp.

De acordo com essa visão teórica, os sentimentos e comportamentos estão relacionados ao modo como cada um estrutura o mundo a partir dos seus pensamentos e crenças. A equipe, então, ensina exercícios respiratórios e técnicas de relaxamento muscular, simultaneamente ao trabalho psicoterapêutico de estimular o paciente a substituir velhas crenças por pensamentos chamados de positivos e produtivos. “Quando o organismo produz incessantemente hormônios para compensar o estresse emocional, a resposta é o aumento da vulnerabilidade imunológica”, afirma Júnia.

Já começa a haver demanda técnica por esse enfoque em faculdades de Medicina. Em estudo desenvolvido na Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto da USP, a psicóloga Lílian Cláudia Junqueira entrevistou médicos oncologistas e concluiu que eles sentem falta de abordagem das várias dimensões do ser humano no ensino de graduação. O levantamento também mostrou que os médicos já enxergam além dos aspectos orgânicos do paciente. Eles tendem a respeitar as crenças dos pacientes até como estratégia para se aproximar deles. “O médico percebe que a espiritualidade pode ser uma excelente aliada na luta contra as adversidades e o sofrimento, que são inerentes ao adoecimento por câncer”, diz Lílian.

Cuidados ao escolher
Os profissionais que absorveram essa visão mais integral do paciente também fazem ressalvas. É importante não adotar qualquer prática sem orientação preliminar e contar com alguma segurança e eficácia já demonstradas por evidências científicas, como afirma o oncologista Rafael Kaliks, do Einstein. “Pacientes com câncer geralmente têm interesse em tratamentos integrativos, como fitoterápicos, suplementos, massagem. Porém, muitas vezes sem nenhuma orientação médica, o que pode, em alguns casos, interferir negativamente no tratamento convencional.”

O critério, então, é apenas optar por atividades cujo benefício já tenha sido cientificamente demonstrado. A acupuntura, entre outras, já foi reconhecida como ciência e como especialidade. E, para exercê-la, o profissional tem de ser credenciado. Algumas práticas de relaxamento e exercícios físicos específicos já demonstraram ser capazes de diminuir o estresse. O problema, conforme aponta Kátia Osternack, é que algumas pessoas podem generalizar sua eficácia para situações não comprovadas. Então, deixa de ser adequado e pode se tornar até prejudicial. “É a mesma coisa que indicar remédios de forma leiga. O critério é simples: siga a recomendação de um especialista e lembre-se: o que é bom para outra pessoa nem sempre é o melhor para você”, alerta Kátia.

O cirurgião Paulo de Tarso observa que uma das práticas mais conhecidas na oncologia é a tendência dos pacientes a buscarem alternativas ao tratamento convencional, especialmente em prognósticos inicialmente ruins. O surgimento de programas voltados a uma visão mais global do tratamento busca, assim, evitar confusão e a busca de recursos que podem até ser prejudiciais. “Há uma preocupação de orientar adequadamente, ajudar o paciente na escolha da terapia complementar que realmente fará diferença para seu o bem-estar.”

Fonte: Revista Viva Saúde, edição 67 -02008

Os primeiros sinais da depressão 22/09/2008

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A depressão que dói no corpo
Dor de barriga, nas têmporas, nas costas, esses podem ser os primeiríssimos sinais de que alguém está prestes a mergulhar de cabeça em um quadro depressivo, alertam os médicos

Há boas chances de um sintoma físico aparecer muito antes de a tristeza profunda ficar estampada na cara da vítima de depressão e ela não conseguir mais esconder sua perda de interesse pelo mundo exterior. Hoje os cientistas sabem: o quadro depressivo tende a emergir na forma dos mais diversos tipos de dor no corpo. E não confunda isso com um processo de somatização, em que distúrbios emocionais produzem mal-estar orgânico. Nada disso. Não se trata de algo como uma sugestão da mente entristecida sobre o organismo. “Trata-se, sim, de um fenômeno eminentemente bioquímico”, põe os pingos nos is Renato Sabbatini, neurofisiologista da Universidade Estadual de Campinas, a Unicamp, que fica no interior paulista.

“Os circuitos que a depressão ativa são íntimos de regiões do sistema nervoso, inclusive o autônomo, que comanda o funcionamento dos órgãos”, explica Sabbatini. Ricardo Alberto Moreno, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas de São Paulo, emenda: “Cerca de 60% dos casos da doença são associados a males orgânicos, a maioria deles acompanhada de dor”.

De que maneira uma alteração na massa cinzenta repercute no corpo e, ao mesmo tempo, interfere na alegria de viver? Os cientistas apontam o dedo acusador para o mau funcionamento da serotonina, da noradrenalina e da dopamina. O trio de neurotransmissores, fundamental na regulação do humor, circularia com menos eficiência entre os neurônios de um deprimido e isso dificultaria a transmissão de milhares de mensagens químicas. E aí, em um efeito dominó, outras falhas de comunicação apareceriam. “A ausência dessas substâncias prejudica diversas áreas, inclusive as responsáveis por inibir dores”, explica Telma Gonçalves de Andrade, especialista em psicofisiologia da Universidade Estadual Paulista, a Unesp, em Assis, também no interior de São Paulo.

O sistema imunológico é outro afetado. “Os deprimidos correm um risco três ou quatro vezes maior de adoecer”, conta Sabbatini. Também pode acontecer de uma série de doenças aproveitar a brecha criada pelos neurotransmissores. Ou seja, quem de repente passa a ficar doente com muita freqüência não deve se conformar com a velha explicação: ah, isso é estresse. É preciso refletir se não existe algo mais profundo (e tristonho) por trás.

O sono é mais um que acusa prejuízos quando o cérebro está deprimido. Sabe-se que a ausência de serotonina atrapalha o adormecer, mas esse não é o único ponto. O desbalanceamento químico por trás do transtorno emocional afeta todo o ciclo circadiano, ou seja, o relógio que regula o funcionamento do organismo ao longo das 24 horas. Assim, a pessoa perde a sincronia com o meio ambiente, afetando a quantidade e, principalmente, a qualidade das horas dormidas.

Os médicos querem divulgar cada vez mais aos leigos e aos próprios colegas que nem sempre melancolia é depressão. “Tristezas fazem parte da vida”, lembra Sabbatini. Ao mesmo tempo, nem sempre a depressão se enquadra no retrato da pessoa arrasada, trancafiada no quarto, muda… Ela pode estar escamoteada nos tais sintomas físicos – em casos raros, a angústia nem chega a brotar, só as dores do corpo é que afloram e ficam sem alívio até a cabeça ser tratada. Com antidepressivos ou tratamento clínico.

No mês passado, a Associação Brasileira de Familiares Amigos e Portadores de Transtornos Afetivos (Abrata), em parceria com o Instituto Ibope, promoveu na capital paulista a pesquisa “Investigando a Depressão”. O intuito, mais do que mapear a prevalência do mal na cidade, é verificar por meio de questionários a porcentagem de indivíduos provavelmente deprimidos que relatam dores físicas. E, deles, quantos estão longe de ligar o malestar à enfermidade da mente. A depressão já ocupa o quarto lugar no ranking das causas globais de incapacidade. Até 2020 deverá ser a segunda. Por isso, a idéia é rastrear a população e descobrir onde estão suas próximas vítimas – antes que deixem de sair de casa, trabalhar, conviver com a família e os amigos.

Além de remédios, os especialistas apostam na psicoterapia – seja a cognitiva comportamental, que estimula o deprimido a deixar de lado pensamentos destrutivos, seja a interpessoal, que identifica situações de conflito para aprimorar a capacidade de o paciente interagir e aliviar o abatimento. “Estudos de neuroimagem comprovam que a eficácia desses tratamentos é similar à dos remédios”, revela Helena Maria Calil, professora titular de psicofarmacologia da Universidade Federal de São Paulo e presidente da Abrata. Quando a depressão é tratada corretamente, diga-se, o ânimo volta e as dores, onde estiverem, esvaecem.

Fonte: Revista Saúde! é vital – outubro de 2008

Seus genes estão nas suas mãos? 21/09/2008

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A resposta, segundo uma nova área da ciência chamada epigenética, é um impactante sim. Ela revela que os hábitos podem influenciar a atividade dos genes que predispõem a doenças – o que faz toda a diferença para viver mais e melhor

Há mais coisas entre o seu código genético e o seu destino do que sonhavam os cientistas. Antes, eles achavam que um determinaria o outro em matéria de saúde. Mas um ramo recente da biologia, a epigenética, comprova em detalhes por que o vigor ou os problemas que o futuro lhe reserva não devem ser encarados apenas como mérito ou culpa do que está escrito em seu DNA. Seus pesquisadores desvendam como a alimentação, o estresse, a prática de exercícios ou o tabagismo são capazes de influenciar o comportamento dos genes para o bem e para o mal.

Para ilustrar essas descobertas, basta recorrer a um estudo recém-concluído na Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos. Os médicos recrutaram 30 pacientes com câncer de próstata em estágio inicial e os submeteram por três meses a um programa que incluía dieta rica em vegetais e pobre em gorduras, exercícios moderados, técnicas de controle do estresse e participação em grupos de apoio. Logo em seguida veio a constatação por meio de moderníssimos exames de DNA: essas medidas diminuíram a atividade de genes ligados ao surgimento de tumores e aumentaram a ação daqueles envolvidos na capacidade do organismo de enfrentá-los. O que ajudou (e muito) a brecar a evolução do problema.

O que a epigenética faz, em resumo, é enxergar ao pé da letra o resultado dos nossos hábitos no interior de cada célula. Ali dentro esteja ela no cérebro ou no pé existe a receita completa de um indivíduo. Essa fórmula única é o seu material genético, o DNA. O que pode variar é a leitura dessa receita algumas células lêem os trechos que determinam como devem funcionar os neurônios e atuam como tal; outras decifram a parte necessária para executar as funções de uma célula de pele. E assim por diante.

Na receita também existem genes ligados a doenças e genes relacionados à capacidade de resistir aos males. Se são ou se não são lidos direito é o que determina quando as células de um órgão funcionarão bem ou serão um estorvo, dando origem a um câncer. Agora os cientistas notam que existem fenômenos bioquímicos batizados de epigenéticos e intimamente associados aos hábitos. Eles não chegam a alterar a seqüência do DNA, esclarece a biomédica Miriam Jasiulionis, da Universidade Federal de São Paulo. No entanto, o jeito como você vive pode, sim, destacar determinadas linhas, aumentando as chances de que se expressem. Ou fazer o contrário.

Os pesquisadores vasculham como a má alimentação ou o tabagismo metem o bedelho nos pedacinhos do DNA, reforçando a ameaça de doenças para as quais já temos tendência. A boa notícia é que, em tese, dá para reparar os prejuízos de uma vida desregrada. Os mecanismos epigenéticos são reversíveis, conta a farmacêutica Cláudia Rainho, da Universidade Estadual Paulista, em Botucatu, no interior de São Paulo. Ou seja, se você adotar um estilo de vida mais saudável, será bem possível que alguns trechos nada agradáveis do seu DNA caiam no esquecimento.

Afinal, como uma mudança de hábito é capaz de se intrometer na atividade de um gene? A resposta é pura química. Diversas moléculas, resultantes do próprio trabalho do corpo e do que a gente come, por exemplo, são capazes de grudar em uma porção do código genético. Entre essas figuras, destaca-se de longe o metil. Ele seria comparável a uma espécie de chave que consegue ligar ou desligar um gene, num fenômeno conhecido como metilação do DNA. Cerca de 60% dos nossos genes são passíveis de mecanismos assim, isto é, podem ser acionados ou inativados pelo metil, calcula Giseli Klassen, professora de patologia da Universidade Federal do Paraná.

Para aplacar sua ansiedade: algumas peças-chave da célebre vida saudável, como o reles costume de comer brócolis ou cereais, incrementa a produção do bendito metil. A dúvida cruel é por que, se você come a porção de brócolis, por exemplo, as reações podem afetar positivamente um naco do DNA do seu fígado e, ao mesmo tempo, não se envolver com o mesmíssimo pedaço de DNA lá na cabeça.

Assim como esses mecanismos podem se diferenciar de órgão para órgão, como se tivessem poder de decisão próprio, eles variam de pessoa para pessoa. Até que ponto, então, o aparecimento de uma doença é resultado da receita que a gente carrega de berço ou de fenômenos bioquímicos disparados pelos hábitos? Não sabemos ainda, responde Rafael Linden, professor do Instituto de Biofísica da Universidade Federal do Rio de Janeiro. Mas é certo que ambos entram no jogo. E que as refeições podem ser grandes ou péssimas fornecedoras de chaves para mexer com genes destrambelhados.

Algumas substâncias encontradas nos alimentos transferem os compostos metil para o DNA, controlando a expressão de um gene, afirma a bióloga Lusânia Antunes, da Universidade de São Paulo, em Ribeirão Preto. Ao se incorporar num gene que favoreça o surgimento de um tumor, é como se esse metil o rendesse e o mantivesse caladinho. Mas há perguntas no ar: será que, da mesma forma que ele silencia um gene do mal, poderia calar um gene benéfico, responsável por uma função interessante à célula? Em suma, será que o metil sempre escolhe o alvo certo? Apesar de questionamentos assim, já se presume que alguns nutrientes contribuam de maneira favorável.

Pesquisadores suspeitam de que a prática de exercícios físicos também ajude a deixar os genes em forma, por assim dizer. É como se eles sentissem o resultado de aulas de musculação, corridas ou passeios de bicicleta freqüentes. Na contramão, surgem provas de que os hábitos nocivos enlouquecem a maquinaria do DNA. O cigarro e o excesso de álcool estão associados a alterações epigenéticas indesejáveis, conta Miriam Jasiulionis. Além disso, já se sabe que a fumaceira não só mexe com o comportamento dos genes mas também provoca mutações neles no caso, defeitos que ficam para sempre. Não é por acaso que os tabagistas têm mais câncer.

A doença mais investigada pela epigenética, claro, é o câncer. As células normais e as tumorais apresentam um padrão de genes ativados e desativados diferente entre si, explica a bióloga Anamaria Camargo, do Instituto Ludwig de Pesquisa sobre o Câncer. Os genes que controlam a proliferação celular geralmente ficam desativados nos exemplares doentes, conta a oncologista Mariângela Corrêa, do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, em São Paulo. E, enquanto estão impedidos de trabalhar, outros que fazem exatamente o oposto, ou seja, incentivam a desordem e deveriam ficar inertes os oncogenes estão ativados.

Nas células saudáveis, vê-se o contrário: os genes supressores, que regulam a multiplicação, estão ativos, e os oncogenes, desligados. Para que todas as células continuem assim, firmes e fortes, a melhor estratégia é investir no estilo de vida é o que têm provado os primeiros estudos com seres humanos.

E não pense que as medidas saudáveis, incluindo desde um cardápio balanceado até uma rotina com menos estresse, limitam-se ao seu exclusivo bem-estar. Surgem indícios cada vez mais contundentes de que a maneira como você leva a vida seria transmitida para os genes dos seus filhos. Uma questão muito debatida é quanto se transmite dessa herança, conta Lygia Pereira, professora de genética humana da Universidade de São Paulo. Mas como isso aconteceria? Bem, nesse aspecto, mistérios ainda pairam. Até porque na fecundação, quando há a união do espermatozóide e do óvulo, uma cópia do DNA da mãe se acopla à do pai e, em meio a esse casamento, quase todo o material genético perde aquelas chaves, as metilações, que ligavam e desligavam os genes.

Formam-se novas metilações durante o desenvolvimento do embrião, diz Cláudia Rainho. No entanto, uma pequena parcela dos genes herdados não sofre essa queima de arquivo e, assim, carrega totalmente a sua herança. Deduz-se, assim, que quem viveu longe de cigarros e outras drogas, apostou na malhação e não se esqueceu de frutas e verduras no prato, entre outros ingredientes saudáveis, irá presentear seus filhos com uma bagagem genética de primeira, menos predisposta a doenças.

Já quem não se cuidou pode transmitir não só as alterações epigenéticas indesejáveis como também mutações aqueles defeitos permanentes ao embrião. E estas são indiscutivelmente mais herdadas, diz a biomédica brasileira Mariana Brait, da Universidade Johns Hopkins, nos Estados Unidos. Ou seja, o modo como você vive hoje faz toda a diferença para o futuro do seu corpo e provavelmente para o de seus descendentes também.

Fonte: Revista Saúde! é vital – outubro de 2008

Aromaterapia traz benefícios para o corpo e a mente 18/09/2008

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Óleos essenciais têm o poder de curar males e ainda ser aplicado nos tratamentos de beleza

Seja na forma de essência, sabonetes, velas ou até na formulação de produtos de beleza, os óleos essenciais têm uma lista de benefícios. Curam doenças, revigoram, acalmam, energizam, estimulam, melhora o estresse e embelezam.

Adotada há mais de seis mil anos por egípcios e pela medicina chinesa, a aromaterapia tem como base de tratamento usar o princípio ativo de plantas medicinais aromáticas para equilibrar corpo e mente.

Como funciona
Para usufruir de seu tratamento, os óleos podem ser usados em difusores, sprays de ambientes, vaporização, inalação e durante o banho. Dessa forma, a essência será inalada. O aroma entra pelo nariz, levando o princípio ativo da planta até o sistema límbico, onde está localizado o hipotálamo, que é a região no cérebro que controla a produção de hormônios.

“Há a liberação de B-endorfinas, hormônios que são mediadores químicos do prazer e responsáveis pela sensação de bem-estar”, explica Carlos Russo Jr., diretor científico da marca de cosméticos Bio Age.

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Os aromáticos devem ser diluídos em óleo vegetal

Quando a essência é aplicada na pele em massagens, banhos, escalda-pés e compressas, a substância é absorvida pela derme e hipoderme e penetra na circulação sangüínea, que transporta a essência para o corpo todo.

Como usá-los
Por serem concentrados, os óleos essenciais só podem ser aplicados na pele diluídos em óleo vegetal, como o de semente de uva, de amêndoas ou de gergelim. Alguns deles são contra-indicados para mulheres grávidas e crianças. O ideal é escolher produtos de boa procedência e respeite as indicações de uso.

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Lavanda combate o estresse e a insônia

Para que servem as essências:
Alecrim: ativa a circulação sangüínea, alivia dores musculares e reumáticas, é digestivo.

Basílico: alivia depressão e ansiedade. Age contra cãibras.

Camomila
: calmante, analgésico, antiinflamatório, digestivo.

Salvia
: reequilibra o sistema de produção de hormônios, alivia sintomas de TPM, agressividade, pânico, depressão.

Eucalipto
: purifica o sistema respiratório, é expectorante, alivia asma, bronquite, resfriados, sinusite.

Gengibre
: combate enxaqueca, dores na coluna e as provocadas por torções e contusões.

Jasmim
: é analgésico, alivia melancolia, sensação de rejeição, pânico, medo, depressão.

Junípero
: desintoxica fígado e rins, é diurético, combate artrite e dores articulares.

Lavanda
: combate estresse, insônia, tensões nervosas, enxaqueca, dores e hematomas. Usado contra picadas de insetos e queimaduras. É digestivo e ativa o sistema imunológico.

Mandarina
: ameniza cólicas, diarréia, mau humor, irritabilidade.

Manjerona
: equilibra sistema nervoso, alivia insônia, ansiedade, angústia, depressão.

Rosa
: é regenerador celular, ameniza traumas, pânico, angústia, impaciência e tristeza.

Rose gerânio
: rejuvenescedor, alivia sintomas da tensão pré-menstrual, raiva, agressividade, atenua o peso das frustrações.

Tomilho
: alivia estados gripais, resfriados, cansaço físico e é antivirótico.

Cipreste
: bom para a circulação, evita a retenção de líquidos e abre as vias respiratórias.

Bergamota
: alivia alergias, dermatose, perda de apetite, ansiedade.

Grapefruit
(toranja): é relaxante, diurético, combate a fadiga.

Laranja doce
: revigorante, estimulante, digestivo.

Limão
: aumenta as defesas do organismo contra gripes, resfriados e contaminação por bactérias. Estimula a memória.

Lemongrass
: estimulante da concentração e criatividade, descongestionante linfático e estimulante circulatório, regula o sistema nervoso e alivia a dor de cabeça. Tônico estomacal e digestivo, desinfetante, bactericida, parasiticida, anti-séptico e fortalece a pele.

Tea-tree
: anti-séptico, cicatrizante, fungicida e germicida. Indicado contra micose de unha, afta, dor de dente, dor de ouvido, psoríase, frieira, calo, furúnculo, herpes e no tratamento da acne.

Ylang-ylang
: no homem, evita a ejaculação precoce. Na mulher, estimula a produção de hormônios femininos. Combate a hipertensão.

Fonte: Abril.com

Agora você vai dormir 21/08/2008

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Uma boa noite de sono ativa a memória, rejuvenesce a pele, ajuda a manter o peso e fortalece o sistema imunológico. Mas isso você já sabe. Então, confira a seguir 27 dicas práticas para você dormir com os anjos

Sonolência, cansaço, falta de energia durante o dia e nervos à flor da pele. Essas são algumas das conseqüências causadas por noites maldormidas – uma realidade que afeta cerca de 70% dos brasileiros de vez em quando. Agora, imagine o que acontece quando a insônia deixa de ser passageira e torna-se crônica. “Os transtornos do sono causam um impacto enorme no dia-a-dia de grande parte da população. Daí, a importância de se investigar se há problemas desse tipo quando um paciente se queixa, por exemplo, que acorda cansado, mesmo afirmando que dorme bem”, diz a neurologista Rosa Hasan, coordenadora do Laboratório do Sono da Faculdade de Medicina do ABC. Não são poucos os que não conseguem pregar o olho. Segundo as estatísticas, no Brasil, mais de 35 milhões de pessoas sofrem de insônia. Desse universo, 80% não consegue dormir com freqüência, 33% tem idade acima de 16 anos e as maiores vítimas são as mulheres.

Outra pesquisa recente, coordenada pela Sociedade Brasileira do Sono, avaliou cerca de 43 mil pessoas das principais capitais do país e revelou que mais da metade da população (53,9%) não tem um sono restaurador. E 43% apresenta sinais de cansaço no decorrer do dia.

A insônia pode ser passageira, causada por um problema corriqueiro, como uma preocupação no trabalho. Ou pode estar relacionada com um fato recente, como a perda de um ente querido ou uma separação conjugal.

Resolvido o problema, em geral, essa falta de sono melhora espontaneamente. Porém, se a insônia persistir por mais de um mês e começar a interferir na qualidade de vida, é aconselhável buscar tratamento especializado. Vale lembrar que somente 5% dos insones procuram o médico para descobrir por que passam as noites em claro, e que, na maioria das vezes, a solução para um sono bom e tranqüilo pode ser mais fácil do que muitos imaginam.

Confira, a seguir, 27 soluções práticas para ajudá-lo a relaxar e, finalmente, dormir mais e melhor.

UM TIPO DE “SONÍFERO” PARA CADA PROBLEMA Há várias formas de ajudar seu sono a vir mais depressa – das receitas mais simples até o uso de alguns remédios. Saiba o que fazer, se você …

… TEM INSÔNIA
1 A medicina indiana recomenda: leite morno com nozmoscada polvilhada e pó de uma semente aromática conhecida como cardamomo. A mistura tomada em pequenos goles antes de ir para a cama funciona como um ótimo relaxante.
2 Banho morno, antes de dormir, favorece o relaxamento físico e mental.
3 Depois das seis da tarde, evite comidas pesadas, álcool e bebidas estimulantes (especialmente café, chá preto, chá mate, refrigerantes).

…ROLA NA CAMA …ROLA NA CAMA ATÉ PEGAR NO SONO
4 Lutar contra a insônia não adianta. Se o sono não vem, é melhor sair da cama e fazer algo relaxante como tomar um banho ou ler.
5 Assim que o primeiro sinal de sono chegar, vá para cama, mesmo que ainda seja cedo. Se resistir, seu sono demorará a voltar.

…SE VOCÊ SOFRE DE APNÉIA
6 Você vai se livrar mais facilmente da apnéia, a parada respiratória que ocorre durante o sono, se seguir corretamente o tratamento sugerido pelo especialista. Várias medidas, como o uso de aparelhos ortodônticos intra-orais, medicamentos adequados e, em casos severos, cirurgias para desobstrução das vias aéreas, são usadas para minimizar o problema.
7 Evite o uso de relaxantes musculares, álcool, sedativos, calmantes e anti-alérgicos. Se estiver acima do peso, procure emagrecer.

…TEM SÍNDROME DAS PERNAS INQUIETAS
8 Esta síndrome é caracterizada por uma irresistível necessidade de movimentar os membros inferiores, arrastando ou esfregando as pernas no lençol. Os movimentos duram em média de 0,5 a 5 segundos. Cada episódio pode durar minutos a horas. Ela contribui para uma má qualidade no sono, porque pode despertar o indivíduo inúmeras vezes durante à noite. Descoberta a causa da síndrome, o tratamento é feito com medicamentos específicos para cada caso.

…ACORDA VÁRIAS VEZES À NOITE
9 É preciso, em primeiro lugar, descobrir a causa do sono entrecortado. Se for ambiental, a solução está em melhorar as condições do quarto para dormir. Porém, fatores emocionais como preocupação com o trabalho podem levar ao hábito de acordar durante à noite para começar a “trabalhar”mais cedo. Se você não pára de pensar nos compromissos do dia seguinte, mesmo quando vai para a cama, deixe papel e caneta no criado-mudo e anote tudo o que vier à cabeça. Assim, sem o receio de esquecer algo importante, você se desliga.

…POSSUI O SONO LEVE
10
Procure dormir em um ambiente apropriado de forma que seu sono não seja interrompido por estímulos externos. O uso de protetores auriculares, feitos de borracha maleável, e de máscaras noturnas que vedam totalmente os olhos são boas opções.

…NÃO CONSEGUE MANTER OS OLHOS ABERTOS NO DIA SEGUINTE
11 Quem demora para dormir ou tem um sono picado, em geral, tem sono de manhã e, por isso, levanta mais tarde. Mas, nesses casos, pode-se criar um ciclo vicioso. Por isso, é bom lembrar que, muito pior do que dormir tarde, é não ter hora para acordar. Para “quebrar” esse ciclo, experimente levantar-se todas as manhãs no mesmo horário, por exemplo, às 7 horas. Depois de alguns dias, o sono certamente chegará mais cedo

…SENTE-SE CANSADO, MESMO TENDO DORMIDO BEM
12 A primeira providência é consultar um especialista. Muitas pessoas não percebem, mas têm seu sono interrompido inúmeras vezes durante à noite. A má qualidade do sono justifica o cansaço no dia seguinte.

…É SONÂMBULO
13 O sonambulismo é um problema que ocorre normalmente no período de infância. Caracteriza-se pelo hábito de fazer as coisas dormindo, como sentar, falar ou até mesmo andar pelo quarto e pela casa toda. O maior cuidado nesses casos é ter alguém para acompanhar o sonâmbulo para evitar que ele se machuque, além de tomar medidas de segurança para que não ocorra nenhum acidente de maior gravidade. O sonambulismo não necessita de tratamento, pois tende a desaparecer com o crescimento.

… É VÍTIMA DO BRUXISMO
14
O hábito de ranger os dentes durante a noite, dizem os especialistas, é um distúrbio de fundo emocional. Por isso, o ideal é, antes de mais nada, pesquisar sua causa para diminuir as tensões. Ao mesmo tempo, um dentista pode estudar a possibilidade da colocação de um aparelho intra-oral confeccionado com resina acrílica, conhecido como placa de mordida. A placa proporciona uma posição articular estável, protegendo os dentes e toda a estrutura de suporte (gengivas, maxilares e toda a arcada dentária) e evita rangidos.

…COSTUMA TE..COSTUMA TER PESADELOS FREQÜENTES
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Sonhos ruins, menos comuns em adultos, em geral, são causados por estresse, experiências traumáticas, dificuldades emocionais, alguns tipos de medicamentos ou doença. Contudo, algumas pessoas têm pesadelos freqüentes, por uma questão emocional. É interessante nesse caso que as causas sejam investigadas.

INTERFERÊNCIAS EXTERNAS
16 LUMINOSIDADE
Nada de luzes fortes acesas pela casa depois das 9 ou 10 horas da noite. É que a melatonina, neurotransmissor indutor do sono, só começa a ser produzida quando escurece. Por isso, luzes fortes podem confundir seu cérebro e atrapalhar esse processo biológico.

17 RUÍDOS
O barulho não permite que haja um sono profundo, restaurador. Uma das conseqüências desse sono superficial, além da irritação, é que há um déficit de hormônio do crescimento, que entra no organismo justamente nas fases de sono mais profundo.

18 TEMPERATURA AMBIENTE
Tanto o calor quanto o frio atrapalham o descanso de qualquer pessoa. A temperatura ambiente ideal para relaxar e dormir bem deve ficar entre 22ºC e 24ºC.

19 DENSIDADE DO COLCHÃO
Cada pessoa tem uma preferência, mas colchão duro demais incomoda regiões como ombros e quadril. Já os muito moles atrapalham a posição da coluna. Em estudo realizado no Instituto do Sono do Departamento de Psicobiologia, da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), com mais de 2 mil pessoas, os pesquisadores concluíram que entre os vários tipos de colchão a maior preferência (52 %) ficou com os de densidade média.

20 TRAVESSEIROS
Fundamentais para garantir uma boa noite de sono. Daí a importância de escolher um que combine com o seu biotipo e atenda suas preferências pessoais. Por isso, analise sua preferência pessoal quanto à altura (mais baixo ou mais alto) e suporte (macio, médio ou firme), de modo que a cabeça e o pescoço fiquem alinhados à coluna. Para quem sente calor excessivo ou sua muito durante o sono, os modelos mais indicados são os que oferecem maior ventilação, como os de espuma de látex, por exemplo, que permitem a evaporação rápida de umidade e transpiração. “Prescrevemos travesseiro especial somente em caso de refluxo gastroesofágico e doenças de coluna que exigem orientação quanto à altura do travesseiro”, alerta o neurologista José Renato Bauab, responsável pelo setor de Distúrbios do Sono, do Hospital São Camilo, de São Paulo.

PREVENÇÃO E TRATAMENTO
21 REMÉDIOS:
“quando usados por um espaço curto de tempo, um ou dois meses, para ajudar na correção de um distúrbio que esteja atrapalhando o sono, vale a indicação. O que não pode é usar hipnóticos a médio e longo prazos, sem previsão de retirada do medicamento. Se a pessoa não consegue mais dormir sem a medicação, é sinal que a causa da insônia não foi tratada adequadamente”, avisa o médico Rubens Wajnsztejn. O especialista também alerta: a longo prazo, esse tipo de medicamento pode causar dependência. “Muito mais emocional do que física, mas mesmo assim não é adequado”, garante.

21 ATIVIDADE FÍSICA: a pratica de exercícios, como correr ou caminhar, ajuda a relaxar e dormir melhor. Porém, quem já apresenta dificuldades para cair no sono deve evitar malhação pesada à noite. Segundo os especialistas, o excesso de adrenalina liberado por causa da atividade física dificulta o descanso.

22 TERAPIA: em casos de insônia provocada por fatores emocionais, a terapia pode ajudar o insone a lidar melhor com a depressão e com a ansiedade. Por tabela, pode restabelecer um sono tranqüilo.

23 MASSAGEM: uma das práticas mais simples da medicina chinesa com ótimos resultados contra a insônia é pressionar alguns pontos do tui na, um tipo de automassagem que ajuda a relaxar e restabelece o fluxo da energia vital em todo o corpo. A terapeuta Maria Mercati, autora do livro Tui Na (Ed. Manole), indica a massagem, com o polegar, em dois pontos, um no punho e outro no antebraço, durante cinco minutos. Faça isso já na cama, deitado, com as costas apoiadas, se possível ouvindo uma música suave.

25 IOGA: os exercícios de ioga reequilibram o funcionamento das glândulas, incluindo a glândula pineal, responsável pela liberação de um neurotransmissor que regula o sono. Além disso, a ioga promove a respiração correta que reduz a ansiedade. Para ter uma noite relaxante, tente esse exercício: sentado ou deitado, inspire trazendo o ar até o abdômen. Depois, expire, abaixando o abdômen, e imagine as preocupações e a insônia sendo eliminadas.

26 CHÁS: melissa, valeriana, camomila ou cidreira. Se as ervas estiverem frescas, ferva-as por três minutos, deixe na infusão por mais três e tome o chá morno ou quente. Se estiverem secas, siga as instruções da embalagem. Depois de beber o chá, sente-se na cama, feche os olhos e concentre os pensamentos em fatos agradáveis. Deite-se e preste atenção na respiração até adormecer.

27 ACUPUNTURA: “esta é uma técnica terapêutica utilizada para harmonizar a energia do corpo, promover o bem-estar e combater a insônia. É comum os pacientes relatarem relaxamento e sonolência após uma sessão de acupuntura. Podemos dizer que a acupuntura funciona como sonífero”, diz o clínico, geral Arnaldo Marques Filho, especialista na técnica e acupunturista do Ambulatório de Acupuntura do Hospital e Maternidade São Camilo (SP).

ACORDE PARA ISSO
Conheça os exames que detectam os distúrbios do sono: POLISSONOGRAFIA NOTURNA: consiste na monitorização de vários parâmetros biofisiológicos do paciente enquanto dorme. Um computador registra dados como atividade elétrica cerebral, movimento dos olhos, boca e pernas, fluxo aéreo nasal, movimentos respiratórios do tórax e abdômen, ronco, registro eletrocardiográfico… POLISSONOGRAFIA DIURNA: o exame poderá ser solicitado quando o paciente se queixa de muito sono durante o dia. É realizado para fazer o diagnóstico diferencial entre narcolepsia (uma doença que faz a pessoa adormecer a qualquer hora do dia) ou a sonolência ocasionada pela insônia. TESTE DA MANUTENÇÃO DE VIGÍLIA: realizado para avaliar a capacidade do indivíduo de resistir ao sono. O teste tem sido usado para avaliar se o tratamento realizado está surtindo efeito.

Fonte: Revista Viva Saúde – Fevereiro de 2007

Meditação é adotada por neurocientistas e psicólogos 02/08/2008

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Confortavelmente sentado, cerre os olhos, respire fundo e esvazie a sua mente dos preconceitos em torno da meditação. Durante muito tempo considerada uma prática mística e esotérica, com todo o teor pejorativo que isso possa carregar, a meditação está passando por um processo de reciclagem.

Já aceita como um fenômeno físico, graças a recentes estudos do cérebro, ela tem sido usada por neurocientistas, psicólogos e outros especialistas como uma valiosa ferramenta, uma espécie de Lexotan espiritual, no tratamento de diversas doenças.

- Quimicamente, a meditação parece estimular uma maior produção de certos neurotransmissores no cérebro, como a dopamina, responsável pelo sentimento de prazer e bem-estar, e a serotonina, ligada à sensação de felicidade – explica o psicólogo e mestre em neurociências da USP, Leonardo Mascaro, que acaba de lançar o livro “A arquitetura do eu”. – Isso tudo ajudaria a explicar as melhorias de humor registradas nos praticantes de meditação.

Em torno desse relativamente novo conceito, a meditação tem sido estudada por meio de técnicas científicas, como a análise das ondas cerebrais e procedimentos de diagnóstico por imagens, como o eletroencefalograma. O objetivo de especialistas como o médico psiquiatra Alcio Braz, mestre em antropologia social, é entender como a meditação atua no cérebro enquanto seus praticantes encontram-se imersos em profundos estágios de interiorização.

- A medicina ainda não explica todos os efeitos da meditação – diz Alcio Braz, que é chefe do Serviço de Saúde Mental do Hospital da Lagoa. – Sabe-se que parte desses efeitos tem a ver com modificações dos padrões de resposta a situações estressantes, com aumento da atividade de áreas de inibição da ansiedade e diminuição da secreção dos hormônios vinculados à reação aguda ao estresse.

Para ficar zen:
Dez exercícios de meditação

Fonte: O Globo Online

Blogs ajudam a tratar doenças de todo tipo – de obesidade e diabete a esclerose múltipla 18/07/2008

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Escrever ajuda a tratar

O antigo hábito de registrar em um diário os acontecimentos cotidianos ganha nova força com a internet e se mostra uma excelente terapia para quem quer (e precisa) descarregar emoções reprimidas

A fonoaudióloga Maria Isabel Gandolfi Donadi, de 31 anos, de São Paulo, tomou uma das decisões mais importantes da sua vida no começo deste ano. Cansada de recorrer sem sucesso às mais variadas fórmulas para emagrecer, resolveu submeter-se a uma cirurgia de redução de estômago. Ela estava bastante segura do que queria. Afinal, conhecia bem os riscos que correria caso continuasse com mais de 90 quilos, um peso perigoso para quem, como ela, já tinha hipertensão, esporões nos calcanhares e desgastes articulares pronunciados nos joelhos. Porém, a menos de um mês da operação, a candidata a magra, tomada por um incontrolável medo de morrer na sala de cirurgia, vacilou. Quase desisti de tudo, conta.

Naquele momento, quando parecia que o chão lhe escapava, Maria Isabel encontrou uma maneira pouco convencional mas cada vez mais comum de recobrar o equilíbrio emocional e não perder o prumo: criou um blog. Ao escrever, consegui organizar melhor as idéias. Também pude desabafar, expressando minhas angústias em palavras. Daí me senti aliviada, conta a moça, que garante ter encontrado no tal blog a grande ajuda para entrar na faca. Dias após a cirurgia, lá estava ela de novo diante da tela, compartilhando com os amigos do mundo virtual a difícil recuperação.

A versão digital dos antigos diários tornou-se uma mania na internet e inúmeras pessoas já usufruem de seus benefícios, inclusive os terapêuticos. Embora falte literatura científica sobre o assunto, os especialistas admitem que a escrita possa contribuir direta ou indiretamente para o tratamento de doenças, físicas e psíquicas. O hábito de escrever alivia o estresse de pacientes com câncer, atesta a psico-oncologista Luciana Holtz, de São Paulo. Além dos blogs, a internet é pródiga em comunidades formadas por portadores de uma mesma doença, que funcionam como grupos de apoio virtuais alimentados por depoimentos em forma de texto. Segundo a terapeuta, o distanciamento proporcionado pela escrita contribui para a coesão desses grupos, que certamente se desfariam diante da morte de um integrante, por exemplo, caso fossem presenciais.

A escritora e psicóloga Sonia Belloto, de São Bernardo do Campo, no ABC paulista, é uma entusiasta dos blogs e comunidades da internet. O texto é um amigo disponível a qualquer hora, comenta. Ele nos obriga a pensar, ajuda a refletir e, por ser uma atividade solitária, favorece o autoconhecimento. Além disso, ativa a memória e funciona como uma espécie de academia para o cérebro ao facilitar a liberação de dopamina, um neurotransmissor que estimula o sistema nervoso e contribui para a saúde do corpo.

O psicólogo italiano Luigi Solano, professor de psicossomática da Universidade La Sapienza, em Roma, ressalta que a escrita em si não cura, mas pode trazer, sim, benefícios à saúde. Ele costuma aplicar nos pacientes uma técnica de registro escrito com resultados surpreendentes. Observei redução no uso de serviços médicos, melhora na resposta imunológica em casos de asma e artrite reumatóide, diminuição da depressão pós-parto, controle glicêmico mais eficiente em diabéticos, aumento da resistência a infecções oportunistas em pacientes com aids e redução do tempo de recuperação pós-cirúrgica, enumera. Solano, no entanto, faz questão de frisar a importância de que esses relatos escritos tenham acompanhamento profissional. O psicólogo acredita que as memórias traumáticas permaneçam no cérebro como um corpo estranho, produzindo algo que se poderia comparar com toxinas. Elaborar o texto ajuda a diluir essas experiências negativas, garante.

O psiquiatra Geraldo Possendoro, professor da Universidade Federal de São Paulo, a Unifesp, concorda que esse ato intimista alivia a ansiedade, mas tem uma visão mais pragmática do assunto. Ele encara o papel e a tela do computador como extensões da memória. O auto-registro é um método consagrado pela terapia cognitivo-comportamental, que ajuda o terapeuta a identificar as causas de um trauma psíquico, explica o médico. Ou seja, o relato escrito do paciente nos permite identificar os gatilhos das crises nervosas, já que há ali detalhes que poderiam ser esquecidos.

Por fim, vale lembrar a coletânea de poemas intitulada O Lado Fatal, em que a autora, a gaúcha Lya Luft, relata uma grande dor: a morte de seu segundo marido, o também escritor Hélio Pellegrino.

Tive uma catarse e escrevi 17 poemas em uma única tarde. É uma obra sui generis. Não é arte, mas sim um desabafo, declara. O livro diz ela a ajudou a organizar seus pensamentos. A base da análise é a palavra. Quando nomeamos os fantasmas, eles deixam de existir. E, enquanto escrevemos, vamos reparando os danos provocados pelos traumas.

A FEBRE DOS BLOGS
A eclosão de comunidades virtuais voltadas para a área de saúde representa uma tendência irrefreável. Prova disso é o sucesso do site americano Patients Like Me, uma espécie de Orkut de pacientes, que congrega milhares de pessoas em torno de doenças específicas. É o caso de Humberto Macedo, que mora em Brasília, no Distrito Federal, e é portador de esclerose lateral amiotrófica (ELA), o mesmo distúrbio do físico inglês Stephen Hawking. Ele é um dos mais engajados membros de uma comunidade do site que investiga o potencial do tratamento com lítio usado originalmente para a depressão.

Fonte: Revista Saúde é Vital – agosto de 2008

Molécula extraída da peçonha de aranha tem potencial neuroprotetor 25/06/2008

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Substância da peçonha da aranha Parawixia bistriata poderá levar ao desenvolvimento de medicamentos pra tratar doenças degenerativas

Pesquisadores da USP de Ribeirão Preto isolaram a Parawixin1, primeira molécula isolada da peçonha da aranha Parawixia bistriata. Em testes de laboratórios com ratos, os cientistas descobriram o potencial neuroprotetor da substância, que foi capaz de proteger as células neuronais — células nervosas — do efeito devastador que pode causar o excesso de glutamato, um aminoácido importante no metabolismo humano.

A pesquisa foi considerada pelos editores de uma das mais respeitadas revistas científicas de farmacologia do mundo — a norte-americana Molecular Pharmacology — como uma das mais promissoras perspectivas para o desenvolvimento de medicamentos mais eficazes no tratamento de doenças como a esclerose lateral amiotrófica, mal de Alzheimer, esclerose múltipla e esquizofrenia.

Em sua última edição de 2007, Delany Torres-Salazar e Christoph Fahlke, do Instituto de Neurofisiologia de Hannover, Alemanha, analisaram o trabalho publicado pela doutorada Andréia Cristina Karklin Fontana, que foi orientada e co-orientada, respectivamente, pelos professores da USP Joaquim Coutinho-Netto, da Faculdade de Medicina de Ribeirão Preto (FMRP), e Wagner Ferreira dos Santos, da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras de Ribeirão Preto (FFCLRP), que estudam essa espécie de aranha há mais de 10 anos. A Parawixia bistriata é comum na América do Sul e pode ser encontrada principalmente em áreas de cerrado.

O excesso do glutamato, que também é um neurotransmissor — principal substância química produzida pelos neurônios de mamíferos e que faz a comunicação entre as células, as sinapses — causa a morte celular, que em alguns neurônios, pode ocorrer em apenas quatro minutos. O resultado desse processo de morte das células nervosas pode levar a lesões e, conseqüentemente, às chamadas doenças degenerativas.

Glutamato
Para equilibrar o processo de produção de glutamato, o organismo dos mamíferos produz também o ácido gama-aminobutírico ou, simplesmente gaba, que é o inibidor natural das ações do glutamato no sistema nervoso central. Nas mais simples ações dos mamíferos como, por exemplo, um levantar de braço, acontece o processo de liberação e inibição do glutamato no tecido nervoso.

Mas como em toda engrenagem, esse processo precisa ser perfeito. Em situações de estresse a retirada do excesso de glutamato acontece pelas células neuronais, mas principalmente pela glia. Quando esse processo de retirada falha, ou pela superprodução de glutamato ou pela deficiência na liberação do gaba, para inibi-lo, é que ocorre a morte celular. Até hoje, a terapia para esse tipo de alteração consistia no bloqueio da entrada do volume excessivo de glutamato no neurônio. Mas as atuais terapias não evitam a morte celular.

A molécula Parawixin1, descrita pelos brasileiros, age justamente na limpeza desse núcleo. “Ela é uma substância que modifica sua própria estrutura de tal forma que parece que tem uns ganchinhos puxando glutamato, fazendo com que o meio de transporte dele para fora dos neurônios seja mais eficiente e acelerado mesmo em grande quantidade e, assim, evita a morte celular. Os medicamentos existentes hoje diminuem a estimulação, mas não bloqueiam a morte celular. A pesquisa foi capaz de fazer isso”, comemora Santos.

Para Coutinho-Netto, em doenças auto-imunes, por exemplo, onde os neurônios estão sendo atacados e liberando glutamato, a molécula pode agir como um aspirador. “Essa pesquisa, apesar de ser bem básica, traz boas perspectivas porque há 30 anos não se tem nada de novo nessa área. Os medicamentos existentes hoje são provenientes de descobertas do início do século passado.”

Por isso, os pesquisadores internacionais que aguardam a descrição da estrutura da molécula Parawixin1, a consideraram intrigante, pois tem ação específica e com potencial para se trabalhar com o sistema nervoso central. “Ela é totalmente desconhecida e nova”, relata o professor Coutinho-Netto. O trabalho publicado por Andréia é uma continuação das pesquisas dos professores Coutinho-Netto e Santos e caracterizou a ação da Parawixin1.

Testes
Para os testes com essa molécula os pesquisadores induziram os ratos a uma isquemia de retina, com o aumento da pressão ocular, que leva o cristalino a empurrar o vitrio e causar a cegueira. Antes disso, injetaram no animal a molécula Parawixin1, por via venosa. “Ela bloqueou o processo de estresse causado pela liberação excessiva de glutamato e evitou a morte celular, atuando como protetor neuronal, mesmo depois de 60 minutos da indução. Se com essa molécula segurarmos 10% de morte neuronal, já será um ganho imenso para a ciência, pois estaremos retardando o processo de morte celular e isso é completamente novo. O que vimos até hoje é a inibição da produção de glutamato ou a estimulação de produção do gaba”, comemora o professor Coutinho.

Outras vantagens da molécula Parawixin1 é o fato dela ser muito pequena, o que facilita a descrição da sua estrutura e sua reprodução em laboratório. “Tudo indica também que não causará efeito colateral porque sua ação é muito específica e ela atua em quantidades muito pequenas”, conta o professor.

O próximo passo do grupo é a descrição da sua estrutura, a cargo do pós-doutorando Leonardo Gobbo Neto e do professor Norberto Peporine Lopes, da Faculdade de Ciências Farmacêuticas (FCFRP). A doutora em Bioquímica pela FMRP, Andréia Fontana, continua estudando a ação da Parawixin1, na Universidade de Pittsburgh, na Pensylvania, Estados Unidos. “Depois da descrição da estrutura vamos pedir a patente e tentar reproduzi-la em laboratório (sintetizá-la). Não dá para ficar matando aranha para retirar toxina”, brinca o professor Coutinho-Netto.

Fonte: Portal Uai

O difícil convívio com a esclerose múltipla 21/05/2008

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“Aos 25 anos de idade comecei a sentir os sintomas que, depois de seis anos de consultas, exames e diversos especialistas, foi diagnosticado como esclerose múltipla”, conta Magali, uma administradora aposentada. Ela lembra que há época sentia as pernas “fracas”, além de sentir problemas de visão. Até que teve uma crise muito forte e foi parar no hospital com todo o lado direito do corpo paralisado. Teve que parar de trabalhar. “Passei quinze anos da minha vida sem colocar os pés no chão e tomando remédios que nada tinham a ver com minha doença”, reclama. Hoje, Magali já recuperou parte dos movimentos das pernas e se locomove com a ajuda de um andador.

Ao contrário do que se imagina, a esclerose múltipla é uma doença neurológica crônica que afeta, principalmente, adultos jovens e provoca dificuldades motoras e sensitivas que comprometem muito a qualidade de vida de seus portadores. Ainda há muita confusão em relação à esclerose múltipla, as pessoas em geral sabem pouco a respeito. Um dos erros mais comuns entre os leigos é confundir com arteriosclerose, que é comum em idosos, mas as duas doenças não têm absolutamente nada a ver uma com a outra. Além do aumento no número de casos, a doença é diagnosticada cada vez mais freqüente em pessoas jovens. “Hoje temos pessoas na faixa dos 18 anos ou menos procurando auxílio”, afirma Suely Berner da Associação Brasileira de Esclerose Múltipla (ABEM).

Diagnóstico clínico

Não se conhecem ainda as reais causas da doença. Sabe-se, porém, que sua evolução difere de uma pessoa para outra e que é mais comum em mulheres e em indivíduos de pele branca. De acordo com o professor de neurologia da Universidade Federal do Paraná (UFPR) Lineu César Werneck, a característica mais importante da esclerose múltipla é a imprevisibilidade dos surtos. O diagnóstico é basicamente clínico, mas já existem exames laboratoriais e de imagem que ajudam a confirmá-lo e a acompanhar a evolução da doença.

Os sintomas mais freqüentes da doença são fadiga, problemas visuais e perda da coordenação muscular, dificuldade de andar, falar e engolir, entre outros. Em casos mais extremos corre-se o risco de sofrer paralisias. Dentre as causas do distúrbio, constata-se que há uma predisposição genética. “No entanto, um trauma emocional importante ou fatores externos como o estresse podem, também, se tornarem gatilhos para o surgimento da doença”, esclarece o especialista. Para Werneck, o diagnóstico não é fácil porque os sintomas são facilmente confundidos com os de outras doenças. Para definir o quadro, é necessário, além de uma apurada avaliação clínica, a solicitação de exame de tomografia e ressonância magnética.

Luminosidade

No recente simpósio internacional “Serono”, foram apresentados estudos que comprovam que fatores como luminosidade, sexo, cor da pele estão relacionados à incidência da esclerose múltipla. Assim, nos países do norte, onde a luminosidade é menor, a prevalência da esclerose múltipla é maior. O motivo, segundo os pesquisadores, é a falta de vitamina D3, acarretada pela baixa luminosidade. Esta vitamina funciona como um imunomodulador que inibe as células inflamatórias e protege as que seriam atacadas. Estudos indicam que até mesmo durante a gestação, a luminosidade traz influências para os bebês. “Há maior incidência da doença em pessoas que nasceram no verão e que tiveram boa parte da gestação em meses com menor luminosidade”, explica Dagobeto Callegaro, neurologista, coordenador do Ambulatório de Esclerose Múltipla do Hospital das Clínicas, da USP.

Os especialistas brasileiros e internacionais reunidos no encontro foram unânimes em informar que os esforços das pesquisas científicas atuais são em tornar o tratamento da esclerose múltipla mais eficaz e também mais confortável ao paciente. Entre os avanços previstos para os próximos anos, está o uso de medicamentos orais, que poderão unir a eficácia dos tratamentos já existentes, eliminando a necessidade de injeções.

A doença

A esclerose múltipla é um problema neurológico crônico. Por alguma deficiência do sistema imunológico, as camadas que recobrem as fibras nervosas (mielinas) são destruídas pelas próprias células de defesa que atacam o sistema nervoso central. “Essa proteção é essencial para a transmissão dos impulsos nervosos. Quando atacada, a mielina forma uma barreira que impede a passagem desses impulsos”, explica Lineu Werneck. Assim, dependendo da área atingida, uma função orgânica ou motora poderá ficar comprometida.

O diagnóstico da doença é importante para que o tratamento seja iniciado o mais cedo possível. Já existem exames eficazes que auxiliam no diagnóstico, como a ressonância magnética e a análise do líquido espinhal. “Ao receber um paciente com sintomas que sinalizam a doença o médico deve, após descartar outras possíveis causas, fazer uso desses exames”, lembra Alain Gabbai – chefe do departamento de neurologia da Unifesp/Escola Paulista de Medicina.

Uma vez diagnosticado, o paciente deve ficar atento aos sinais que seu corpo emite.

“Nos chamados surtos, em que a mielina está sendo atacada com mais intensidade, o paciente tem de ser medicado rapidamente para evitar que a lesão deixe seqüelas”, adverte o médico.

Esses medicamentos visam transpor a barreira que inibe os impulsos, já que as ordens emitidas pelo cérebro não chegam até a musculatura das pernas, por exemplo, prejudicando os membros inferiores. Também pode ocorrer a perda de sensibilidade ao toque. Lineu Werneck recomenda que sejam incentivados tratamentos multidisciplinares para adiar a progressão da doença, com a colaboração de fisioterapeutas, fonoaudiólogos e nutricionistas.

Fonte: Paraná-Online

Evento debate novos tratamentos para esclerose múltipla 15/05/2008

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Alguns dos especialistas em esclerose múltipla (EM) em todo o mundo estão reunidos em São Paulo até sábado para discutir a eficácia dos tratamentos disponíveis para a doença e definir novas diretrizes de tratamento para os próximos anos. No encontro, os médicos frisaram a importância do diagnóstico precoce da esclerose múltipla, que atinge 15 em cada 100 mil brasileiros, e é atualmente a doença mais incapacitante entre os jovens adultos do país.

- Como a esclerose múltipla pode ser confundida com outras doenças, é importante que o médico, junto ao paciente, faça todos os exames necessários para se chegar ao diagnóstico correto o mais rápido possível. Assim, é mais fácil evitar as crises incapacitantes e a evolução rápida da doença. Com a medicação adequada, fisioterapia, uma boa dieta e medidas que ajudam a controlar o estresse, os portadores da EM têm total capacidade de conduzir a vida normalmente – explica o neurologista Ludwig Kappos, chefe do ambulatório de Neurologia e Neurocirurgia do hospital da Universidade de Basel, na Suíça.

*Maria Vianna viajou a convite da Merck Serono

Fonte: O Globo Online

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