‘Turistas das células-tronco’ viajam em busca de tratamentos Dezembro 22, 2008
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Quando Robert Ramirez foi diagnosticado com a doença de Parkinson em 2006, seu médico lhe deu os remédios, mas pouca esperança: “ele me disse que não havia muito a se fazer exceto esperar a ‘passagem para o outro lado.’”
Ramirez, mecânico peruano-americano do norte de Nova Jersey, acompanhou desamparado seus sintomas piorarem. Seu braço esquerdo ficou cada vez mais fraco. Os músculos da perna se enrijeceram. Seu tremor se intensificou. Foi quando sua esposa, Elvira, viu Jorge Tuma em um noticiário peruano.
O médico peruano, em Lima, afirmou que tratava Parkinson e outras doenças com injeções de células-tronco. Eles verificaram em seu site: por US$ 6 mil, conseguiriam um tratamento. Reservaram um vôo para Lima.
Ramirez faz parte de um número crescente de pacientes que buscam terapias com células-tronco fora dos Estados Unidos – especialistas estimam que sejam milhares. E Tuma é mais um entre dezenas de médicos não-americanos a oferecer esse tratamento. A tendência se tornou significante o bastante para que a Sociedade Internacional de Pesquisa em Células-Tronco (ISSCR) publicasse recentemente diretrizes para médicos e aspirantes a “turistas das células-tronco.”
Especialistas americanos temem que haja médicos tratando imprudentemente pacientes sem esperar por ensaios clínicos que garantam a segurança dos procedimentos.
“Há muitos médicos se aproveitando do senso comum a respeito do potencial de cura das células-tronco em países com regulação médica mais frouxa,” disse Sean Morrison, diretor do Centro de Biologia de Células-Tronco da Universidade de Michigan e tesoureiro da ISSCR. “Mas os detalhes do tratamento com células-tronco são muito mais complicados.”
Entretanto, as terapias com células-tronco estão se tornando uma área lucrativa do turismo médico, apesar da ciência ainda precisar revelar seu potencial e das controvérsias ainda infestarem o campo.
Essas células, encontradas em embriões e em certos tecidos adultos, têm o potencial de se desenvolver em diferentes tipos de células. Mas as questões éticas quanto ao uso de embriões como fontes de células-tronco diminuíram o ritmo das pesquisas em países como EUA e Reino Unido. Pesquisadores nos EUA conduzem ensaios clínicos para tratamentos tanto com células adultas quanto embrionárias, mas o órgão americano responsável pela regulação médica, o FDA, ainda precisa licenciar qualquer tratamento.
Guia turístico
As novas diretrizes da ISSCR requerem que todo tratamento seja avaliado por especialistas sem qualquer interesse especial no procedimento. O guia também defende um processo consentido, no qual os pacientes teriam informações completas sobre o tratamento e transparência nos relatórios de resultados dos ensaios clínicos.
O manual para pacientes do ISSCR alerta sobre tratamentos experimentais com células-tronco – aqueles que não fazem parte de nenhum ensaio clínico oficial. Ele também alerta para sinais de tratamento duvidoso, como a alegação de que múltiplas doenças podem ser tratadas com o mesmo tipo de célula.
Essa é apenas uma das várias afirmações otimistas usadas por médicos de vários países, geralmente em seus sites.
Timothy Caulfield, do Instituto de Direito da Saúde da Universidade de Alberta, pesquisou 19 sites oferecendo tratamentos com células-tronco e divulgou seus resultados esta semana. Dez sites descreveram o tratamento como “pronto para o acesso público,” ao invés de experimental. Muitas pessoas descobrem as ofertas de tratamento com células-tronco através de “publicidade direta ao consumidor” na Internet, ele disse.
“E existe um descompasso entre o que está sendo oferecido e o que a literatura científica existente diz,”afirmou Caulfield. “Aqueles que oferecem os tratamentos possibilitam a escolha entre duas coisas: o entusiasmo genuíno acerca das pesquisas com células-tronco e a controvérsia social em torno delas.”
As clínicas cobram em média US$ 21,5 mil pelo tratamento com células-tronco, observou a pesquisa, mas as últimas notícias indicam que clínicas na China podem cobrar até US$ 70 mil.
Pesquisadores descobriram que tratamentos com células-tronco não-comprovados também podem causar complicações para os pacientes. Em 2006, o neurologista Bruce Dobkin, da Universidade da Califórnia, Los Angeles, descobriu que alguns pacientes haviam contraído meningite após operações para lesões crônicas na medula espinhal. Complicações no sistema nervoso e infecções também foram registradas após a utilização de células-tronco no tratamento de doenças do sangue.
Caulfield disse que nem todos os médicos oferecendo terapias com células-tronco são charlatões, mas acredita que qualquer um vendendo um tratamento deveria publicar dados que sustentem suas alegações.
“Ainda há barreiras científicas reais para essas pesquisas – mesmo os principais pesquisadores de células-tronco da Universidade de Stanford e no Reino Unido encontram dificuldades nos ensaios clínicos,” disse Caulfield.
Nas trincheiras
Tuma, o cardiologista procurado por Ramirez, com mal de Parkinson, promete restaurar órgãos e tecidos enfermos usando células-tronco adultas coletadas do próprio corpo do paciente.
Desde 2005, Tuma já tratou cerca de 600 pacientes ¿ em torno de um quarto vindo de fora do Peru – com doenças como Parkinson, diabetes tipo 2 e enfisema. Seu método: injetar o órgão afetado com células-tronco da medula óssea do próprio paciente.
“Sempre digo a meus pacientes que isso não é uma cura, mas acredito que seja uma nova alternativa tremenda para melhorar a qualidade de vida,” disse Tuma.
Ele operou Ramirez em outubro de 2007, em um procedimento simples que durou 45 minutos. Tuma extraiu e preparou as células da medula óssea da espinha de Ramirez e as injetou em uma artéria no cérebro. A partir daí, disse Tuma, elas começaram a gerar novas células que inibiriam o avanço da doença.
Em uma semana, Ramirez disse que começou a notar que suas pernas estavam menos rígidas. Depois, seu braço esquerdo voltou a ter certa força. Ele se sente melhor que antes da operação e seus sintomas são menos identificáveis.
“Posso dançar com minha esposa e viver uma vida quase normal” disse Ramirez. “Sou muito grato ao doutor Tuma.”
Como muitos médicos oferecendo esses tratamentos, os procedimentos de Tuma não foram sancionados pelo governo de seu país. Apesar de ter publicado resultados menores de suas terapias cardíacas em revistas científicas, incluindo o Journal of Cardiac Failure and Cardiovascular Revascularization Medicine, ele ainda não publicou artigos sobre a eficácia de seus outros tratamentos.
De acordo com Insoo Hyun, professor de bioética da Universidade de Case Western Reserve e presidente da Força-Tarefa para Diretrizes em Células-Tronco da ISSCR, cobrar pacientes por tratamentos não-comprovados é considerado antiético.
“Ou você realiza pesquisas ou oferece uma terapia reconhecida, mas alguns desses médicos parecem querer fazer tudo ao mesmo tempo,” disse Hyun.
Sem tempo a perder
Timothy Henry, cardiologista do Instituto do Coração de Minneapolis/Hospital Abbott Northwestern, está autorizado pelo FDA a conduzir ensaios clínicos aleatórios com células-tronco adultas para doenças cardíacas. Ele já tratou 150 pessoas e disse que os dados preliminares são promissores. Mas os Estados Unidos têm ficado para trás na área devido às preocupações éticas levantadas sobre a pesquisa com células-tronco embrionárias, admite.
“A pesquisa com células-tronco adultas tem sido um desafio com a falta de informação e confusão a respeito das células embrionárias,” disse Henry. Porém, pacientes desesperados como Ramirez estão relutantes em esperar provas concretas e a aprovação do FDA.
Roberto Brenes é outro médico que realiza implantes de células-tronco adultas. Ele atrai pacientes até uma clínica em San José, Costa Rica, por meio do site cellmedicine.com. Ele e seus colegas já trataram entre 50 e 70 pacientes com esclerose múltipla usando células-tronco retiradas do tecido adiposo, cobrando entre US$ 15 mil e US$ 25 mil, com “índices de sucesso muito bons,” segundo Brenes.
Embora Brenes reconheça que nunca houve ensaios clínicos demonstrando a eficácia da terapia para esclerose múltipla, ele disse que muitos pacientes não querem esperar.
“A área vai progredir muito nos próximos 10 a 15 anos, mas vários pacientes precisam de ajuda terapêutica agora e querem passar pelo procedimento,” disse Brenes.
Mesmo se isso significar custosas visitas de acompanhamento: Tuma recomendou que Ramirez voltasse a cada seis meses para acompanhar o seu progresso. E disse que se os sintomas da doença de Parkinson retornassem, outro procedimento seria necessário.
“Sei que a terapia não é uma cura completa, mas não a acho perigosa e faria novamente,” disse Ramirez.
Morrison, da ISSCR, entretanto, permanece cético. “Vários pacientes vão gastar US$ 6 mil para comprar esperança, mas ainda assim não é certo vender poções milagrosas.”
Fonte: Terra
Internet melhora desempenho do cérebro, diz estudo Outubro 14, 2008
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| Atividade cerebral de usuário experiente da internet ao ler livro |
Pesquisadores da Universidade da Califórnia-Los Angeles descobriram que a busca de dados pela rede estimula centros do cérebros que controlam a tomada de decisões e o raciocínio complexo.
Segundo os cientistas, isso pode até ajudar no combate a mudanças fisiológicas relacionadas à idade que levam o cérebro a ficar mais lento.
Com o envelhecimento, o cérebro passa por uma série de mudanças, incluindo o encolhimento e redução na atividade celular, o que pode ter um impacto no desempenho cerebral.
Acreditava-se que atividades como palavras-cruzadas ajudariam a manter o cérebro ativo e também a minimizar o impacto do envelhecimento. O novo estudo sugere que surfar pela internet também pode ser uma destas atividades.
“Os resultados do estudo são encorajadores, as tecnologias que estão surgindo podem ter efeitos fisiológicos e benefícios potenciais para adultos de meia-idade ou mais velhos”, diz o professor Gary Small, que liderou a pesquisa.
“As buscas na internet envolvem uma complicada atividade cerebral, que pode ajudar a exercitar o cérebro e melhorar as funções cerebrais”, acrescenta Small.
O estudo foi publicado na revista American Journal of Geriatric Psychiatry.
Exames
Os cientistas trabalharam com 24 voluntários com idades entre 55 e 76 anos. Metade era formada por usuários experientes da internet. Cada voluntário teve o cérebro examinado enquanto fazia buscas na internet e lia livros.
Os dois tipos de tarefas deram provas de uma atividade significativa em regiões do cérebro que controlam linguagem, leitura, memória e habilidades visuais.
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| Atividade cerebral de usuário experiente ao pesquisar na internet |
No entanto, a busca na internet produziu atividade adicional em áreas separadas do cérebro, que controlam a tomada de decisões e raciocínos complexos, mas apenas nos voluntários que eram usuários experientes da internet.
Segundo os pesquisadores, comparando com a simples leitura, as múltiplas escolhas da internet exigem que as pessoas tomem decisões a respeito do que clicar para conseguir informações relevantes.
Os cientistas sugeriram, porém, que os usuários inexperientes da rede não conseguiram compreender bem as estratégias necessárias para uma busca bem-sucedida.
“Uma tarefa simples, cotidiana, como fazer buscas na internet, parece intensificar os circuitos cerebrais nos adultos mais velhos, demonstrando que nosso cérebro pode continuar a aprender à medida que envelhecemos”, afirma Small.
“Essas descobertas fascinantes se somam a pesquisas anteriores e sugerem que pessoas de meia-idade ou mais velhas podem reduzir o risco de sofrer de demência ao praticar regularmente atividades cerebrais estimulantes”, diz Rebecca Wood, diretora-executiva da organização Alzheimer’s Research Trust.
“Interação social frequente, prática regular de exercícios e a manutenção de uma dieta balanceada também podem reduzir o risco de demência”, acrescenta Wood.
No entanto, para Susanne Sorensen, chefe de pesquisas da Alzheimer’s Society, “ainda há poucas evidências de que manter o cérebro ativo por meio de palavras-cruzadas, jogos e outras atividades” pode reduzir o risco de demência.
Fonte: BBC Brasil
Pacientes checos pagam US$1,80 por consulta médica – e acham caro Junho 10, 2008
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População acredita que assistência médica deve ser gratuita, como na época comunista. Número de consultas em todo o país caiu depois da adoção de taxas.
Na República Checa, você pode fazer uma consulta médica por cerca de $1,85 dólares. Um dia no hospital pode chegar a custar $4 dólares. Mas isso não é motivo para comemorar.
Para os checos, que freqüentam consultórios médicos mais vezes do que qualquer outro país europeu, isso levou a uma enorme revolta. Na verdade, a idéia de cobrar qualquer quantia por assistência médica pode gerar enorme controvérsias, sem mencionar mudanças abruptas nas políticas de saúde pública na República Checa e em outros países da Europa.
Na Hungria, as taxas de assistência médica foram derrubadas após um referendo nacional no mês de março, que resultou na demissão do Ministro da Saúde. Na República Checa, que começou a impor taxas modestas no começo do ano, o próprio Primeiro Ministro foi forçado perante a corte constitucional em Brunn a depor, enquanto a corte avaliava derrubar as taxas. No mês passado, a corte determinou que o governo tem o direito de cobrar taxas de pacientes que usam o sistema de assistência médica.
Países ricos e pobres lutam para descobrir a melhor forma de oferecer assistência médica acessível a seus cidadãos, sem ir à falência. Em lugares como a República Checa, há um sentimento de traição, porque o governo há muito tempo cuida da saúde, mas também um medo justificável pelos anos recentes de mudança e crescimento. Até mesmo em Praga, conhecida como a cidade dourada, a nova riqueza – e o aumento da expectativa por serviços de alto padrão – significou apenas preços mais altos para aquela população dependente de salários baixos e pensões fixas.
“Tenho que economizar para ter dinheiro para comer”, disse Kveta Lachoutova, 78 anos, uma viúva aposentada. Em uma entrevista na sala de espera do consultório médico, ela afirmou estar tentando viver com uma pensão de cerca de US$ 600, gastando cerca de US$ 400 em aluguel e serviços como água e luz. “Não compro nada mais”.
Para pessoas saudáveis e empregadas, as taxas representam praticamente um trocado, pagas com as mesmas moedas de 10 ou 20 coroas usadas para comprar um bilhete de bondes elétricos em Praga (1 dólar vale cerca de 16 coroas). Checos abastados admitem secretamente que gastam muito mais em cuidados veterinários para seus bichos de estimação do que com sua própria assistência médica, mesmo tendo que bancar alguns medicamentos.
No entanto, muitos checos vêem como uma questão de princípio o fato de que a assistência médica deveria ser gratuita – apesar de que o sistema de saúde é financiado em parte por deduções de imposto de renda. Além disso, os checos têm um forte senso de solidariedade com os mais pobres.
Sob o regime comunista, a assistência médica era gratuita, mas até certo ponto. Suborno para obter melhores condições de tratamento era uma prática comum e ainda pode ser um problema, particularmente na Hungria, onde ainda continua vigente.
A região tem sido um laboratório para reformas na assistência médica nos últimos anos. O esforço foi liderado por defensores do livre-mercado da próspera Eslováquia, que se beneficia de taxas de imposto uniformes para todos os cidadãos e um crescimento econômico bastante acelerado, na casa dos 10% no ano passado.
A Eslováquia introduziu pagamentos modestos para consultas médicas e diárias hospitalares em 2003. Mas, como aconteceria mais tarde na Hungria, as taxas não duraram muito. O governo de esquerda que chegou ao poder em 2006 as eliminou naquele mesmo ano, apenas alguns meses depois de tomar posse.
“O que queremos alcançar no sistema de saúde é uma responsabilidade individual maior, fazendo com que os consumidores sejam mais responsáveis pelo que consomem”, disse Peter Pazitny, diretor-executivo e um dos sócios fundadores do Instituto de Políticas de Saúde na Bratislava, antes o principal conselheiro do Ministro da Saúde da Eslováquia.
A necessidade de uma reforma na região é evidente, disse Pazitny. Estatísticas da Organização pela Cooperação e Desenvolvimento Econômico demonstram que os sistemas de saúde da República Checa, da Eslováquia e da Hungria estão entre os piores de todos os países membros em relação à expectativa de vida e à taxa de mortalidade para derrames, doenças cardíacas e câncer.
O governo checo foi receptivo às recomendações do Instituto de Política de Saúde e até emprega outro colega de Pazitny em Praga. Mas os membros da oposição preferem que o antigo compatriota os deixe em paz – e também o sistema de saúde pública.
“Eu entenderia se os rapazes eslovacos fizessem recomendações como se fosse um trabalho de faculdade, mas aqui eles estão introduzindo essas coisas na vida real”, disse Michal Hasek, líder da convenção partidária Social Democrata, o maior partido de oposição no Parlamento.
A constituição checa afirma que “cidadãos têm direito, através do seguro público de saúde, a assistência médica gratuita nas condições definidas por lei”. Os novos pagamentos não só são inconstitucionais, segundo Hasek, mas também têm causado sofrimento real em alguns segmentos da população. A oposição e a mídia local transformaram a imagem de bebês prematuros em incubadoras, cujos pais devem pagar os custos hospitalares, em símbolos do novo sistema.
Especialistas discordam na questão de que taxas pagas para consultas médicas são uma boa idéia, sob a ótica da saúde pública, e até questionam se elas representam grandes economias para o sistema de saúde em geral. “Serviços mais caros e desnecessários não são exigidos pelos pacientes, mas sugeridos pelos médicos somente para gerar mais receita para eles”, afirmou Peter Gaal, professor de políticas de saúde na Universidade Semmelweis em Budapest.
As taxas daqui, $1,85 dólares por uma prescrição e consulta médica, e $4 dólares para um dia no hospital, claramente estão produzindo efeitos no comportamento dos checos. O Ministro da Saúde disse que o número de prescrições caiu 40% no primeiro trimestre, apesar de que algumas delas podem ter sido resultado de estocagem no final do ano passado. O governo calculou que seguradoras públicas economizaram mais de US$ 100 milhões no primeiro trimestre, em comparação ao ano anterior, enquanto fornecedores arrecadaram US$ 62 milhões em taxas.
“Tentamos eliminar do sistema de saúde alguns custos que as pessoas podem pagar sozinhas”, disse Tomas Julinek, Primeiro-Ministro da República Checa, em uma entrevista no seu gabinete. Mas existe um teto para pagamentos, ajustado em mais de US$ 300 para o ano, que Julinek afirma que também protegeria as doenças graves.
Vários pacientes crônicos afirmaram não ter certeza como o teto funcionaria, ou exatamente quais custos estariam incluídos. “Até agora, só vejo e sofro o lado negativo”, disse Lenka Vondrackova, paciente de esclerose múltipla que luta para sobreviver junto a seu marido e seus dois filhos adolescentes com cerca de US$ 1.200 por mês, a soma do seu salário e da pensão pela deficiência.
Eles vivem apertados em um apartamento minúsculo em um edifício da época comunista em Cerny Most, um bairro afastado na parte leste de Praga. Seu regime de remédios exige cinco comprimidos pela manha, um spray nasal uma vez ao dia e mais três comprimidos à noite, bem como uma injeção aplicada por seu marido ou um de seus filhos. Antes das reformas, eles conseguiam economizar um pouco a cada mês.
“Agora, tudo o que sobrou foi dominado pelas taxas”, disse o marido Pavel.
“Acredito que no futuro ficará evidente que haverá mais dinheiro para equipamentos e remédios melhores”, disse ela, torcendo por uma pílula que pudesse substituir a injeção dolorosa que toma todas as noites. “Se funcionar…”, acrescentou, desviando o olhar, dividida entre o ceticismo e a esperança.
Fonte: G1
Simulador faz médicos sentirem na pele os sintomas da esclerose múltipla Abril 18, 2008
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Projeto de companhia farmacêutica visa criar empatia entre neurologistas e pacientes. Simulação está percorrendo os Estados Unidos e qualquer pessoa pode participar.

Você quer ir para frente, mas sua perna não obedece. Quer levantar uma xícara, mas algo parece que a puxa para baixo. Tenta pagar a conta, mas não consegue enxergar quais as notas que estão nas suas mãos. Seus dedos formigam, sua temperatura sobe, tudo parece fora de controle. Esses são os sintomas da esclerose múltipla (EM), que até agora eram conhecidos em primeira mão apenas pelos portadores da doença. Até agora, porque uma companhia farmacêutica criou um simulador da enfermidade. O objetivo? Fazer médicos e familiares entenderem exatamente o que sofre um paciente com esclerose múltipla durante uma crise.
A experiência é estranha, mas reveladora. Uma coisa é conhecer a listagem de sintomas da esclerose múltipla – outra, bem diferente, é senti-la na pele. “Definitivamente é algo que cria uma empatia, que é essencial na relação entre médicos e pacientes”, afirmou ao G1 o neurologista brasileiro Alessandro Finkelszten, do Hospital das Clínicas de São Paulo, que experimentou o simulador. “É uma experiência bem diferente. Não temos nada parecido com isso, nem mesmo durante a faculdade de medicina”, disse ele.
O projeto, criado e desenvolvimento pela companhia Biogen Idec, está percorrendo os Estados Unidos. Nesta semana, foi levado à Reunião Anual da Academia Americana de Neurologia, em Chicago. “Acreditamos que é muito importante levar essa experiência para os médicos, para que eles vejam a doença de um jeito novo, entendam como isso afeta o dia-a-dia das pessoas”, disse o diretor da empresa, José Juves.
Família experimenta
A simulação também já foi levada para quatro shoppings centers nos Estados Unidos, onde atraiu a atenção dos americanos. “Pacientes levaram seus familiares, fizeram-nos experimentar. E, na hora que eles saíam, diziam: ‘Nossa, agora sim eu entendo o que você passa’”, conta a gerente da Biogen Idec, Shannon Altimari.
O simulador, na verdade, é um equipamento bastante simples. Consta de uma esteira, como aquelas de academia, luvas especiais, fones de ouvido e uma tela de televisão. A esteira reproduz a dificuldade de movimento dos pacientes de esclerose – de acordo com Finkelszten, um desequilíbrio muito parecido com o da labirintite. As luvas tiram a sensibilidade e causam formigamento na ponta dos dedos. Os fones abafam os ruídos e a tela reproduz a visão de um portador durante uma crise. Além disso, há um aquecedor, que mostra como são os “calores” que os pacientes sofrem.
A Biogen Idec no Brasil pretende trazer o simulador para o país, mas ainda não há previsão de quando e onde isso vai acontecer.
A jornalista Marília Juste viajou a convite da Biogen Idec
Fonte: G1
Esclerose múltipla aumenta risco de depressão e suicídio Abril 14, 2008
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Doença é diagnosticada na idade de todas as decisões
| A molécula de Triptofano tem servido de base a novos tratamentos para a doença |
Surge na idade de todas as decisões e exige grandes mudanças na vida do seu portador. A esclerose múltipla afecta cerca de cinco mil doentes em Portugal, na maioria mulheres (3500). A doença surge por volta dos 30 anos e as constantes picadas e lesões cutâneas provocadas pelos tratamentos, associadas a outros sintomas, levam a um aumento do número de divórcios, depressão, suicídios e absentismo, de acordo com um estudo epidemiológico realizado pelo departamento de Neurologia da Universidade de Odense, na Dinamarca.
Aos 30 anos é a altura em que a mulher tem maiores perspectivas de carreira, casamento e maternidade, pelo que é uma altura especialmente traumática para ser feito o diagnóstico. “Os sintomas são muito diversos e podem afectar a visão, mobilidade, fala, entre outras funções, por isso é muito importante o acompanhamento psicológico do doente e familiares para evitar situações extremas”, explicou o responsável da Unidade de Esclerose Múltipla do Hospital Fernando da Fonseca, Ricardo Ginestal, durante um debate intitulado “A Mulher e a Esclerose Múltipla”.
Contudo, as causas da doença ainda não estão identificadas, pelo que não existem actualmente terapêuticas curativas. A principal dificuldade consiste no facto da esclerose múltipla afectar várias funções do corpo humanos e de diferentes formas, pelo que não se conseguiram ainda desenvolver tratamentos adequados a cada caso. No entanto, o acompanhamento psicológico, aliado a uma alimentação saudável e à prática de exercício físico, são fundamentais para garantir o equilíbrio do paciente.
Ainda assim, Portugal é um dos países que está na vanguarda da investigação no que diz respeito a moléculas inovadores para futuros tratamentos orais, menos dolorosos mas eficazes.
O que é a esclerose múltipla?
A esclerose múltipla é uma doença inflamatória crónica, desmielinizante e degenerativa, do sistema nervoso central que interfere com a capacidade do mesmo em controlar funções como a visão, a locomoção, e o equilíbrio, entre outras, de acordo com informação disponibilizada pelo site da Associação Nacional de Esclerose Múltipla.
Denomina-se “esclerose” pelo facto de, em resultado da doença, se formar um tecido parecido com uma cicatriz que endurece e forma uma placa em algumas áreas do cérebro e medula espinal e “múltipla” porque várias áreas dispersas do cérebro e medula espinal são afectadas.
A palavra desmielinizante significa que são provocadas lesões nas bainhas de mielina que envolvem as fibras nervosas, que são afectadas de forma progressiva, por vezes irreversível.
Fonte: Público Pt
Filme terá personagem com EM Março 8, 2008
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Hilary Swank produz drama baseado em livro
Hilary Swank (“Menina de Ouro”) e Molly Smith (“P.S. Eu Te Amo”) compraram os direitos para levar às telas o livro “You’re Not You”, de Michelle Wildgens.
A dupla irá produzir o longa-metragem que narra a história de uma mulher vítima de esclerose múltipla que é cuidada por uma mulher mais nova. A protagonista deverá ser interpretada por Swank, que já ganhou dois Oscars por papéis igualmente desafiadores.
O desafio do novo personagem está em interpretar, gradualmente, a perda da fala da mulher. “É um assunto pesado, sem dúvida, mas Hilary adora papéis femininos fortes que obrigam ela a fazer algo que ela nunca fez”, comentou Smith.
Alison Greenspan (“Quatro Amigas e Um Jeans Viajante”) também assina a produção e foi ela a responsável pela iniciativa: “Eu pensei que esse seria um filme especial, pois não há grandes papéis para mulheres e, nessa história, temos dois. Elas trocam presentes valiosos até que uma delas morre e a outra entra na vida adulta”, explicou.
Hilary Swank esteve presente nos cinemas brasileiros em “P.S. Eu Te Amo” e entre seus projetos futuros está a cinebiografia de Amelia Earhart, primeira mulher a cruzar o Oceano Atlântico em um avião, na qual ela será a protagonista.
Fonte: Cinema com Rapadura
Higiene faz mal à saúde Fevereiro 1, 2008
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Higiene faz mal à saúde
Nunca vivemos em meio a tanta limpeza. E isso pode estar deixando de as pessoas ainda mais doentes.
Nunca fomos tão limpos.
Por dentro e por fora: dos banhos diários à comida pasteurizada, do papel higiênico à água clorada, dos antibióticos ao aspirador de pó, uma série de avanços culturais e tecnológicos eliminaram boa parte dos microorganismos com os quais nossos antepassados sofriam. Várias doenças deixaram de existir, a expectativa de vida aumentou.
Mas esse estilo de vida asseado pode fazer mal, aumentar a incidência de certos tipos de doença.
Hoje, nos EUA, mais de 50% das pessoas têm algum tipo de alergia o dobro da década de 1980. E os jornais publicam notícias assustadoras sobre a comida: só num dos casos, ano passado, 10 milhões de quilos de carne tiveram de ser recolhidos do mercado devido a contaminação. Até o reles amendoim é tratado como se fosse ameaça biológica como há crianças que podem morrer se sentirem o cheiro dele, as escolas americanas estão criando zonas livres de amendoim.
O que está acontecendo?
Bom, lembra de quando você era criança e chegava imundo em casa? Aí sua mãe mandava correr para o banho. Ela estava errada. Se você tiver um gato antes do nascimento do seu filho, a criança nasce mais protegida contra alergia (a gato), devido às substâncias liberadas pelo animal. Isso foi comprovado em alguns estudos, diz Evandro Alves do Prado, professor da UFRJ e diretor da Sociedade Brasileira de Alergia e Imunopatologia.Ele cita outros casos intrigantes: Alguns trabalhos feitos na Alemanha mostram que, em famílias com muitos filhos, o irmão caçula estaria protegido de alergias, devido ao contato com os irmãos mais velhos. E pessoas que moram em áreas rurais, em contato com esterco de boi, de cavalo, também acabariam mais protegidas.Mais: além de ajudar o corpo a criar resistência contra microorganismos, a exposição a sujeiras no dia-a-dia ajudaria a refrear a fúria do sistema imunológico.
Num estilo de vida superurbano, avesso à sujeira, as células de defesa do organismo não têm tantos inimigos para combater e acabam surtando. Desse jeito, elas podem entender o amendoim, por exemplo, como um inimigo. E reagir violentamente (na forma de uma alergia). Outra manifestação de um sistema imunológico pirado é atacar as próprias células do corpo, coisa que pode dar nas chamadas doenças auto-imunes (asma, artrite, esclerose).
É o que prega a hipótese da higiene, uma teoria que já existe há algum tempo, e que nunca foi consenso. Mas agora estão surgindo algumas pesquisas que parecem comprová-la.
Um estudo feito na Universidade Duke, nos EUA, mostrou que ratos selvagens têm menos tendência a desenvolver certas doenças do que os de laboratório, habitantes de um ambiente tão limpo quanto um hospital de primeira. Tudo por causa de dois tipos de anticorpo: o IgG, ligado a alergias, e o IgE, que pode desencadear as doenças auto-imunes. Os ratos selvagens têm mais anticorpos. Mas eles não causam patologias, pois se ligam a agentes externos. Nos animais de laboratório, provocam reações alérgicas e auto-imunes, diz o professor William Parker, responsável pelo estudo.
Além de fazer o organismo endoidar, a limpeza excessiva também pode nos deixar vulneráveis a bactérias e parasitas. O próprio governo dos EUA desaconselha o uso de produtos de limpeza com bactericidas, que são considerados ineficazes e perigosos, pois poderiam estimular o surgimento de bactérias hiper-resistentes.
Pelo mesmo motivo, a ong Union of Concerned Scientists (algo como União dos Cientistas Engajados), voltada para assuntos de saúde, protesta contra o uso indiscriminado de antibióticos: nos EUA , o consumo deles subiu 50% desde a década de 1980 sendo que a grande maioria, mais de 90%, é consumida pelos bois, vacas e galinhas que a gente come.
A comida moderna, superdesinfectada, pode ser perigosa. E a defesa da sujeira vai além: para alguns cientistas, o aumento no número de nascimentos por cesariana é um dos responsáveis pela explosão das alergias.
É que nesse tipo de parto, mais limpo, a criança não passa pela vagina da mãe. Então não tem contato com a infinidade de bactérias que vivem lá, e acaba com o sistema imunológico pouco calejado. Parece absurdo, né? Mas, se você levar em conta que o corpo humano carrega 10 vezes mais células de bactérias do que de gente, faz sentido.
A imundície, veja só, pode até curar: dois estudos recentes mostram que determinados tipos de parasitas e bactérias aliviam, respectivamente, os sintomas da esclerose múltipla e da depressão.
Convencido? Calma: ninguém está dizendo pra você parar de tomar banho, rolar na lama ou deixar a casa emporcalhada. Contra as doenças da limpeza, a grande aposta dos cientistas é a sujeira high-tech: a empresa alemã Ovamed já vende um tratamento, de 2 200 euros, que supostamente alivia alguns tipos de doenças auto-imunes. São ampolas cheias de Trichuris suis ova versão esterilizada de um parasita encontrado no intestino do porco. Você toma junto com água, no café da manhã. Vai encarar?
Fonte: Revista SuperInteressante – Fevereiro de 2008




A Grã-Bretanha autorizou a criação de embriões híbridos em laboratórios, com genes humanos e de outros animais. O objetivo é extrair células-tronco para pesquisas. Enquanto isso, uma questão mais antiga, que também esbarra no limite da ética, passa despercebida: a pesquisa com seres humanos — não os embriões, mas os adultos. Não há dúvidas de que pesquisas em busca da cura da aids são urgentes. Mas também há riscos. A mais promissora delas, por exemplo, acabou de ser cancelada na fase 2, quando a eficácia de uma vacina contra o HIV era testada em três mil voluntários de oito países, incluindo 132 brasileiros. Os participantes, de 18 a 45 anos, foram escolhidos entre grupos mais vulneráveis, como as prostitutas. Metade tomava a vacina e metade, placebo (substância inócua). Todos teriam sido avisados para evitar situações de risco e tomar as devidas precauções. Mesmo assim, 24 pessoas no grupo vacinado e 21 no outro, foram contaminadas ao se exporem posteriormente ao HIV. A questão é: até onde devemos ir em nome da ciência? Para falar sobre isso, Viva Saúde conversou com Volnei Garrafa, presidente do Conselho Diretor da Rede Latino-Americana e do Caribe de Bioética da Unesco.








