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De olho no fundo dos olhos 30/03/2007

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Utilidade pública.
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Essa região reflete não apenas a presença de doenças oculares, como o glaucoma, mas também outros males como diabetes, distúrbios da tireóide e até câncer

Um olhar não mente, especialmente se for analisado por um oftalmologista e seus instrumentos especiais, como o oftalmoscópio, que permite ao médico examinar o interior da visão do paciente. Tudo aparece no fundo do olho, a região que fica entre o cristalino (espécie de lente atrás da íris) e a retina (a membrana de células sensíveis à luz e receptoras de imagens, localizada na parte posterior do olho). O fundo do olho é o único local do corpo humano em que os vasos sangüíneos são vistos diretamente. E qualquer alteração aí pode indicar um desequilíbrio. “Essa região ocular funciona como uma janela através da qual se enxerga a saúde do organismo de uma maneira geral”, explica o gerente médico de oftalmologia do Hospital Cema, Pedro José Monteiro Cardoso. Entenda um pouco mais sobre esse exame e suas aplicações.

No olho normal, o líquido é produzido na câmara posterior e atinge a câmara anterior por meio da pupila. Depois é drenado pelos canais de saída

1 A dificuldade ou o bloqueio da saída do HUMOR VÍTREO (líquido do olho) aumenta a pressão ocular, o que pode levar à perda da visão

2 As setas vermelhas indicam a pressão feita sob o globo oculars

UM INIMIGO SILENCIOSO
  O glaucoma é uma doença ocular caracterizada, basicamente, pelo aumento da pressão dos olhos. Isso provoca lesões no nervo óptico que, se não tratadas, podem levar à cegueira total. A oftalmoscopia é um dos principais exames para diagnosticar precocemente este problema, ou seja, o distúrbio.

TIPOS: há vários tipos de glaucoma. O crônico simples ou de ângulo aberto, que representa mais ou menos 80% dos casos, costuma acometer pessoas acima dos 40 anos e, normalmente não apresenta sintomas. Por isso a importância do exame. Uma alteração na anatomia do órgão, no ângulo da câmara anterior, dificulta a saída do líquido do olho, lesionando o nervo óptico. Neste caso, a pessoa perderá a visão lentamente. Entretanto, quem tem familiares com a doença poderá apresentar maior risco de desenvolver a lesão do nervo óptico. Já o glaucoma de ângulo fechado provoca episódios de aumento súbito da pressão ocular. Isso ocorre por conta do estreitamento do espaço entre a íris e a córnea, que impede a passagem do líquido do olho (humor vítreo). O tipo da doença que é decorrente de outras enfermidades, como o diabetes, é chamado de secundário e sua causa são infecções, inflamações, presença de tumores e qualquer outro problema que interfira no fluxo do líquido do olho.

TRATAMENTO: como a doença não apresenta sintomas é muito importante fazer exames específicos, como a oftalmoscopia (veja a seguir), pois este exame poderá detectar o glaucoma. A perda visual somente acontece nas fases mais avançadas da doença, quando já não dá para reverter o que se perdeu de visão. Mas quando percebida no início, mesmo que não seja possível evitar sua instalação, dá para se controlar a pressão ocular por meio de medicamentos, o que impede que ela progrida.

   

FAÇA O EXAME OCULAR COMPLETO, QUE INCLUI A AVALIAÇÃO DO FUNDO DO OLHO, PELO MENOS UMA VEZ POR ANO. QUANTO MAIS CEDO FOR DETECTADO O GLAUCOMA, MAIS CHANCES DE IMPEDIR A PERDA DO NERVO ÓPTICO, OU SEJA, A CEGUEIRA PARCIAL OU TOTAL

Para que serve

É o exame de fundo de olho, ou oftalmoscopia, que avalia as condições do humor vítreo (líquido do olho), da retina, dos vasos sangüíneos (veias e artérias retineanas) e do nervo óptico (responsável por levar os estímulos visuais, já convertidos em sinais elétricos, ao cérebro).

“Todas as pessoas devem ser submetidas a ele, pois é um exame que detecta várias doenças oculares – como glaucoma e distúrbios da retina – e também outros males, como diabetes, câncer, leucemia, aids, infl amações reumáticas, tuberculose, toxoplasmose e desequilíbrios da tireóide”, esclarece o oftalmologista.

Quem deve fazer

De acordo com os especialistas, todo mundo, até mesmo as crianças. “O ideal seria que os bebês já fossem submetidos ao exame logo após o nascimento, principalmente os prematuros e filhos de mães que tiveram infecções durante a gestação”, enfatiza o médico. Tanto é assim, que o governo de Minas Gerais tornou o exame, desde o ano de 2004, obrigatório a todo recém-nascido. O teste é realizado no próprio berçário ou na sala de parto. A oftalmoscopia, neste caso, pode indicar a presença de retinoblastoma (tumor que atinge o órgão), catarata congênita (ou seja, de nascimento), retinopatia da prematuridade (doença degenerativa que pode levar à cegueira), além de toxoplasmose (infecção causada por um parasita, cujo hospedeiro é o gato), rubéola, citomegalovírus (um tipo de herpes) e sífilis.

Freqüência

Quem não tem problemas oculares e indivíduos com doenças que predispõem a males na região dos olhos (como diabetes, leucemia, câncer, distúrbios da tireóide, entre outros) precisam fazer o exame anualmente, especialmente se já passaram dos 40 anos. Mas nada impede que o oftalmologista estipule outra periodicidade, levando em conta o histórico do paciente. “Portadores de hipertensão, diabetes e glaucoma, especialmente, devem ficar atentos à saúde de seus olhos”, alerta o oftalmologista Pedro José Monteiro Cardoso.

Como é feito

Apesar do nome complicado, a oftalmoscopia é de fácil aplicação e não requer muito tempo para ser realizado. Além do oftalmologista, outros especialistas também podem realizá-lo, como o clínico- geral, o endocrinologista e o neurologista. Embora eles tenham o intuito de avaliar outros aspectos da saúde do paciente, como os relacionados à hipertensão, ao diabetes e também à pressão intracraniana.

• Com a ajuda de um aparelho, que contém uma lente especial, capaz de aumentar a imagem diversas vezes, o médico observa as condições do humor vítreo (líquido do olho). Existem dois tipos de oftalmoscopia: a direta e a indireta. A primeira proporciona uma maior ampliação da imagem. A segunda, mesmo tendo uma ampliação menor, permite a visualização da periferia da retina.

• Nem sempre a dilatação da vista é necessária no exame de fundo de olho. A análise da porção posterior da retina (câmara posterior) de pacientes sem problemas oculares pode ser feita sem a dilatação. “Sem dilatar a visão, o médico consegue ver a retina aumentada, mas a imagem não é tridimensional (com profundidade). Isso é importante só em alguns casos”, explica o oftamologista do Cema.

• O médico pode pingar gotas de colírio (sem dilatar a visão) nos olhos do paciente para que ele possa ver melhor as condições do globo ocular.

Fonte: Revista Viva Saúde – abril de 2007

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