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A intervenção da enfermagem na assistência à pessoa com esclerose múltipla e aos familiares 14/09/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, Qualidade de vida, Utilidade pública.
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MARIA DE FÁTIMA SEIXAS DE SOUZA E SILVA

A enfermeira como membro da equipe multiprofissional atende o paciente (indivíduo, família e comunidade) em suas necessidades básicas, planejando suas ações no sentido de promover a assistência, a recuperação, capacitando-lhe, sempre que possível para o auto-cuidado,o que contribuirá para a integridade de sua estrutura humana, seu desenvolvimento bio-psico-sócio-espiritual até atingir o equilíbrio no bem-estar dentro das limitações impostas pela esclerose múltipla.

O auto-cuidado como suporte educativo já existe como proposta de assistência desde o surgimento da enfermagem moderna. Ele representa a forma de “despaternalizar” a assistência,tornando-a participativa e mais independente dos serviços de saúde convencionais.

A enfermeira enquanto educadora para o auto-cuidado tem a responsabilidade de desenvolver as habilidades necessárias nos pacientes e seus familiares/cuidadores, sempre que possível, levando-os a perceberem suas responsabilidades e seus papéis na reabilitação.

A intervenção da enfermeira na assistência à pessoa com esclerose eúltipla e seus familiares inicia-se tão logo seja definido o diagnóstico e indicado o tratamento.

Na consulta de enfermagem, o paciente tem um atendimento individualizado, permitindo que a enfermeira identifique as necessidades do ser humano que precisa de atendimento e a determinação do grau de dependência deste atendimento. A enfermeira faz intervenções nas queixas mais freqüentes apresentadas pelas pessoas com esclerose múltipla.
A fadiga é o sintoma mais persistente e comum na esclerose múltipla; a enfermeira deve identificar os fatores que afetam a capacidade de ser ativo, tais como: temperaturas extremas, ingestão alimentar inadequada, transtornos do sono, depressão, ansiedade, stress, uso de medicação, momento do dia em que a fadiga é pior, orientando com relação às maneiras de aumentar a energia da pessoa com esclerose múltipla.

Na constipação intestinal e na incontinência fecal são feitas intervenções no sentido de implementar medidas que proporcionem uma dieta e hidratação equilibradas, atividade física e a reeducação de hábitos promovendo a eliminação regular. Na incontinência e na retenção urinárias a enfermeira deve manter/recuperar o padrão de eliminação eficaz, propondo mudanças necessárias no estilo de vida, participando do regime de tratamento para corrigir/controlar a situação, instituindo programa de treinamento vesical,quando apropriado. A enfermeira faz as instruções para o cateterismo intermitente, estimulando o aprendizado da auto-cateterização, sempre que possível.

Um dos aspectos importantes da intervenção da enfermeira se dá nos casos onde a integridade da pele está prejudicada, especialmente nos pacientes que se encontram acamados ou que permanecem longos períodos em cadeiras de rodas. As úlceras de pressão atingem milhares de pessoas e o tratamento é oneroso. Sendo assim, a enfermeira deve atuar preventivamente, orientando sobre os aspectos nutricionais, hidratação da pele, controle da incontinência/umidade, mobilidade. Nos pacientes que apresentam úlceras de pressão será feita avaliação para indicar a melhor cobertura.
A enfermeira deve estar atenta não apenas às necessidades básicas do ser humano, como alimentação, oxigenação, higiene, exercícios, dentre outros, mas para a necessidade de sexualidade que faz parte do seu próprio equilíbrio. Deve ter um conhecimento adequado do assunto,sendo capaz de aconselhar e assistir os pacientes com o objetivo de tentar melhorar sua qualidade de vida.

Diante do diagnóstico de esclerose múltipla, as mais diversas indagações podem surgir, com respeito à sexualidade, e muitas vezes as pessoas não têm acesso às informações ou não relatam suas dúvidas, dificuldades e medos sobre o assunto. Em nossa cultura, cabe ressaltar que sexo tem conotação com saúde e vigor, e que a atividade sexual parece ser incompatível com a doença, mesmo que seja mínima a limitação.

Na tentativa de esclarecer alguns pontos obscuros, independente do apoio que venha sendo prestado por especialistas no assunto, a enfermeira faz intervenções quanto ao aspecto físico, pois um problema físico pode afetar o nível de interesse sexual e dificultar a iniciativa e a realização do ato sexual. Quanto ao aspecto emocional, pois um problema físico costuma ter um significado profundo para o indivíduo, ocorrendo certas alterações emocionais. Quanto ao aspecto social, pois estaremos incentivando o relacionamento social, estimulando a comunicação com familiares e amigos.

No que se refere ao tratamento medicamentoso muitas vezes indicado, cabe ressaltar que pessoas com esclerose múltipla não gostam de tomar injeções, como qualquer outra pessoa. Diante da perspectiva de auto-administrar os Imunomoduladores as pessoas podem ficar assustadas, pensando que não irão conseguir realizar o procedimento. Com as orientações feitas pela enfermeira na consulta de enfermagem, elas rapidamente familiarizam-se com os métodos de diluição, preparo e administração dos Imunomoduladores. A enfermeira ensina a técnica de auto-administração destes medicamentos e supervisiona as primeiras doses, o que leva a uma maior segurança quando o cliente/familiar/cuidador forem administrar a medicação no domicílio. Também são feitas orientações sobre o que é o imunomodulador, como funciona o tratamento, a importância do uso da medicação, prováveis eventos adversos resultantes do tratamento.

A assistência à saúde vem sofrendo modificações importantes nas últimas décadas, em especial,em nosso país. O atendimento domiciliar surge como um dos modelos de atenção à saúde já consolidado em alguns países. Devido à dificuldade de deslocamento de clientes acamados na residência, para os serviços ambulatoriais,pela falta de transporte apropriado e pela carência de recursos financeiros da grande maioria da população, criam-se condições para descontinuidade do tratamento, agravamento dos problemas de saúde o que pode levar ao aumento da incidência de internações. Sendo assim, a enfermeira deve realizar, quando possível, o atendimento domiciliar como uma alternativa que beneficia as pessoas com incapacidade crônica. Dessa forma estará interagindo com a família, conhecendo o espaço físico, planejando com a pessoa e familiares as possíveis adaptações necessárias para o cuidar sem riscos,assim como identificando e intervindo nas situações de sobrecarga do familiar/cuidador.

Todos os cuidados de enfermagem realizados durante o tratamento,aliados ao apoio emocional que damos às pessoas com esclerose múltipla, a preocupação que temos com a sua sobrevivência, com a autonomia de suas ações, com o seu convívio social, familiar e de trabalho e o ensino do auto-cuidado, podem se resumir em uma única palavra: reabilitação.

Todas as intervenções prevêem a co-participação da enfermeira com o paciente e familiares, trabalhando juntos, para identificar, planejar, implementar e avaliar cada modo de cuidar, com o intuito de obtenção de cuidados de enfermagem baseados na visão de mundo da pessoa.

BCTRIMS News nº 06 – Ano 04 – Jan/2004 – IV Encontro BCTRIMS / Portadores

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