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Excesso de corticóides provoca osteoporose Agosto 10, 2006

Posted by Esclerose Múltipla in Utilidade pública.
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Longos tratamentos à base de cortisona – receitados para asma, poliartrite reumatóide e outras doenças inflamatórias – podem ser decisivos para o desenvolvimento de osteoporose. É o que revela um estudo feito com ratinhos de laboratório por pesquisadores da Faculdade de Medicina da Universidade de Washington.

Trabalhando com diversos grupos de camundongos modificados geneticamente, os cientistas constataram que a cortisona age diretamente sobre os osteoblastos (células responsáveis pela formação do osso) e os osteoclastos (que eliminam o osso velho), provocando a autodestruição dos osteoblastos e inibindo o poder de destruição dos osteoclastos, o que faz com que o processo de renovação do osso seja interrompido.

- A ação da cortisona, ao afetar desta forma o processo de renovação dos ossos, faz com que a estrutura óssea da pessoa se torne muito fraca, por causa do envelhecimento e do estresse dessa estrutura – afirma um dos autores do estudo, publicado na edição de agosto da revista especializada Journal of Clinical Investigation.

Segundo os pesquisadores, serão necessárias agora pesquisas complementares para identificar melhor os mecanismos celulares que levam a esses resultados, o que permitiria desenvolver um meio de combater esse efeito colateral dos corticóides.

Fonte: Globo Online

Terapia ortomolecular – defensores e detratores Agosto 10, 2006

Posted by Esclerose Múltipla in Qualidade de vida, Utilidade pública.
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O legado de Linus Paulling
por José Antonio Mariano

A terapia ortomolecular promete reequilibrar as funções do organismo por meio da suplementação vitamínica e de demais substâncias, mas há quem não veja fundamento científico nessa proposta

Quem deu a partida na controvérsia foi Linus Paulling, simplesmente o ganhador de dois prêmios Nobel (Química, em 1954; e Paz, em 1963), quando afirmou: “Substâncias que são fabricadas pelo organismo ou ingeridas via alimentação, essenciais para a manutenção da vida, podem ser utilizadas para melhorar a saúde humana“. Talvez essa tenha sido a certidão de batismo da terapia ortomolecular (TerOrto), uma terapêutica que, tanto quanto outras disponíveis, opõe defensores e detratores. O dr. Cyro Masci, psiquiatra e pós-graduado em Acupuntura Médica e Medicina Ortomolecular, diz que na TerOrto são administrados complementos de vitaminas, minerais, ervas, e outras substâncias “comprovadamente benéficas, com o objetivo de fornecer melhores condições ao organismo tanto para enfrentar as agressões do dia-a-dia quanto para facilitar o tratamento médico convencional durante ou após uma doença”.

”Somos formados por substâncias químicas que o tempo todo reagem umas com as outras, visando, por exemplo, reparar as células e facilitar aos órgãos um funcionamento de modo harmônico, permitindo, com isso, que nossas faculdades em manter a saúde e a vitalidade estejam numa ótima capacidade”. O dr. Masci diz que tais substâncias químicas naturais constituem o grande arsenal do qual lança mão para auxiliar as pessoas. “São elas, as substâncias, que permitem ao organismo exercer suas funções com excelência, uma vez administradas de modo equilibrado, controlado e adequado às necessidades de cada paciente”. Para chegar a essas necessidades, o dr. Masci realiza alguns exames (no próprio consultório), através dos quais avalia o nível de desgaste orgânico e as carências nos componentes químicos. “Se necessário, inicia-se uma suplementação com as substâncias necessárias”.

É aqui talvez que a TerOrto sai da vala comum das chamadas terapias alternativas, uma vez que as substâncias que usa são reconhecidas por suas propriedades e não possuem nada de exótico ou misterioso. Essencialmente, são vitaminas, como o ácido ascórbico (vitamina C), tocoferol, betacaroteno e algumas pertencentes ao complexo B; minerais como zinco, magnésio, cromo, selênio; e aminoácidos como arginina, taurina, ornitina, cisteína, N-acetil cisteína. Ocorre também que é justamente nesse aspecto que repousa uma das críticas dos que não vêem com bons olhos essa prática. Para muitos deles, essa suplementação é desnecessária, já que uma dieta equilibrada, com todos os grupos de alimentos, abastece o organismo com tudo o que se precisa. “Com nossas fontes naturais de alimentação contaminadas com toda sorte de produtos químicos, é um tanto difícil acreditar que só a dieta pode fornecer os nutrientes necessários”, conceitua o dr. Carlos Eugênio Ventura, médico ortomolecular da clínica Kyron, em São Paulo.

Reequilíbrio

O dr. Eduardo Gomes de Azevedo, geriatra e diretor da clínica Anna Aslan no Brasil, conta que na década de 1930, o solo dos Estados Unidos passou por um processo de transformação natural que durou 15 anos e conseguiu retomar 70% de sua eficiência. Para suprir os 30% restantes, a população faz uso das vitaminas. Segundo o médico, talvez fosse necessário fazer algo similar no Brasil, uma vez que, ele alega, o solo brasileiro é pobre em minerais, “o que desequilibraria as estruturas física e mental da pessoa, mesmo que ela mantenha uma alimentação correta e equilibrada”. Equilíbrio, aliás, é o que se busca com a terapia. O próprio termo provém de duas palavras gregas, “orto” (equilíbrio) e “molecular” (referente às moléculas). A TerOrto tem como objetivo básico compreender a bioquímica que ocorre no organismo e atuar para manter o equilíbrio das moléculas e, de maneira global, das células, órgãos e sistemas que compõem esse organismo.

Ela está estreitamente relacionada ao conceito de radicais livres. “A medicina ortomolecular traz à tona o paradoxo: o mesmo oxigênio, vital para a nossa existência, é também fator de alta toxicidade para as nossas células”, afirma a dra. Audrey Katherine Worthington, cirurgiã-plástica pela Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica e pós-graduada em Medicina Estética. “Quando respiramos, parte do oxigênio consumido, obrigatoriamente, é transformado em radicais livres – moléculas instáveis que causam oxidação de todas as macromoléculas da célula”. É certo e sabido que os radicais livres são a origem de várias doenças. Os livros de clínica médica e bioquímica adotados nas faculdades de medicina de praticamente todo o mundo consideram o excesso de radicais livres um fator fundamental nas lesões celulares provocadas por várias doenças. Pelo menos é o que diz o dr. Paulo Roberto Carlos de Carvalho, em seu livro Medicina ortomolecular (editora Nova Era).

A TerOrto teve início na década de 1950, quando alguns psiquiatras começaram a adicionar doses altas de nutrientes aos tratamentos para problemas mentais graves. A substância original era a vitamina B3 (ácido nicotínico ou nicotinamida) e a terapia era denominada “terapia de megavitamina”. Mais tarde, o regime do tratamento foi expandido para incluir outras vitaminas, minerais, hormônios e dietas, já que qualquer um deles pode ser combinado com a terapia medicamentosa convencional e com os tratamentos de eletrochoque. Atualmente, cerca de uma centena de médicos norte-americanos usam esta abordagem para tratar uma variedade de distúrbios, tanto mentais como físicos. Ela desembarcou no Brasil, vinda dos EUA, há 15 anos, com uma atraente e polêmica proposta: retardar o envelhecimento, equilibrar e evitar danos ao nosso organismo.

Qual a novidade?

Sua promessa é a de evitar a osteoporose, reduzir os efeitos da tensão pré-menstrual, combater insônia e estresse, e melhorar a memória – já que provoca aumento do fluxo sangüíneo cerebral. Segundo seus defensores, a TerOrto é capaz de tratar com eficácia alcoolismo, alergias, artrites, epilepsia, hipertensão, hipoglicemia, dor de cabeça, depressão, transtornos do aprendizado, retardo intelectual, transtornos metabólicos, afecções de pele e hiperatividade. Hoje, está claro que o estresse oxidativo está envolvido em inúmeras condições patológicas, enfatizando a importância das terapias antioxidantes na medicina preventiva. Tanto é assim que no mundo inteiro, são mais de 4 mil cientistas pesquisando radicais livres, transformando essa área em uma das mais atuantes na ciência da atualidade. Mas é justamente nos EUA que estão seus maiores críticos. Um deles é Stephen Barrett, psiquiatra aposentado da Pensilvânia, muito conhecido como um “desmistificador” e um descobridor de fraudes.

Ele afirma que nos anos de 1970, uma força-tarefa organizada pela Associação Americana de Psiquiatria investigou a prática ortomolecular de vários psiquiatras americanos, observando que vários desses profissionais usavam “métodos não convencionais para realização de diagnóstico e tratamento”. Eles concluíram que o uso da chamada “terapia da megavitamina” não era efetiva e que a massiva divulgação da TerOrto é que tornava a prática popular entre a população. Barrett diz ainda que pesquisadores holandeses realizaram 53 trabalhos em 1991, avaliando as megadoses de vitamina B6 e niacina em transtornos mentais, e concluíram que alguns achados reportaram melhora em um pequeno número de crianças altistas, “mas não em hiperatividade, síndrome de Down, esquizofrenia, transtornos emocionais e em outros, inclusive em adultos”. Estudos conduzidos por pesquisadores americanos em 1995 chegaram a resultados similares.

Mas não é somente nos EUA que a TerOrto sofre críticas. Em reportagem publicada no dia 22 de outubro de 2004, no jornal Diário de São Paulo, o prof. dr. Joel Rennó Júnior – doutor em Psiquiatria pela Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP) e coordenador do Pró-Mulher, Projeto de Atenção à Saúde Mental da Mulher, do Instituto de Psiquiatria do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (FMUSP) – faz severas críticas à prática: “Essa dieta não apresenta nada de novo. Os profissionais, supondo haver uma ingestão insuficiente de vitaminas, sais minerais e proteínas, recomendam reeducação alimentar, ou seja, comer várias vezes ao dia porções pequenas e pouco calóricas, dando-se preferência a verduras, legumes, frutas e carnes brancas, além dos cereais integrais. Outras interessantes e ‘inéditas’ informações referem-se à restrição de doces, carne vermelha e frituras, além das atividades físicas. Qual a novidade nisto tudo?”, pergunta.

Fonte: Phoenix Comunicação Integrada – 19/06/2006