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Uma doença e múltiplas incapacitações 07/08/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Utilidade pública.
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A Hora do Diagnóstico

Cinthya Leite
Da Editoria de Suplementos / JC

Enfermidade inflamatória do sistema nervoso central, a esclerose múltipla (EM) tornou-se mais conhecida desde que a atriz Claudia Rodrigues, 35 anos, protagonista do programa “A Diarista”, revelou no mês passado ser portadora do mal, que ganha destaque no próximo dia 30, com o Dia Nacional de Conscientização da Esclerose Múltipla. A patologia também será abordada durante o Congresso Brasileiro de Neurologia, de 19 a 23 de agosto, no Centro de Convenções de Pernambuco, em Olinda.

Segundo a Federação Internacional de Esclerose Múltipla, o problema acomete 2,5 milhões de pessoas em todo o mundo. No Brasil, são 30 mil pessoas que sofrem da doença e, desse total, apenas cinco mil recebem tratamento adequado devido à demora no diagnóstico. Deficiência visual, falta de coordenação motora, alterações visuais e incontinência urinária são alguns dos sintomas dos surtos de EM, que é prevalente entre 20 e 40 anos.

“Fadiga, fraqueza, formigamento, dormência nos braços ou pernas e dificuldade para falar são outros sinais comuns entre os doentes”, esclarece a enfermeira Ivone Fernandes, do Programa de Atendimento Personalizado Betaferon (APB), da Schering do Brasil e que serve como apoio ao portador. A causa da doença ainda é desconhecida, mas se sabe que a EM compromete uma membrana que recobre o axônio – parte do neurônio responsável pela condução dos impulsos elétricos para o cérebro.

É por essa disfunção que os pacientes se queixam de vários conflitos que impedem ou afetam o equilíbrio psicológico. “O dano dificulta a transmissão dos impulsos elétricos nervosos, o que degenera funções como a coordenação motora, a visão, a fala e o controle da bexiga”, diz o médico Dagoberto Callegaro, coordenador do ambulatório de EM do Hospital das Clínicas de São Paulo.

As perturbações citadas pelo médico são apenas algumas das várias formas de manifestação do mal. O estado mais comum é o recorrente-remitente, em que há crises repentinas que podem ou não deixar seqüelas. Após cinco a dez anos, em média, o problema pode evoluir para a forma secundária progressiva, uma fase em que se predomina incapacidade física evolutiva. A forma mais inconveniente é a primária progressiva (manifestada entre as duas já mencionadas) – no início das manifestações, a doença evolui rapidamente e ainda não pode ser tratada.

“A minha primeira crise, uma cegueira temporária, aconteceu quando eu tinha 18 anos. A partir desse caso, surgiram sinais de dormência nas mãos e pernas. Apenas cinco anos depois é que os médicos descobriram que se tratava de esclerose. Naquela época, era muito difícil diagnosticar porque não existiam exames avançados, como a ressonância magnética”, recorda a presidente da Associação Pernambucana de Esclerose Múltipla (APEM), Maria da Conceição Chaves, 60.

Ela também conta que hoje é difícil controlar os sintomas, principalmente as incontinências urinária e fecal. “Os únicos incômodos que consigo contornar são os problemas de voz e de coordenação. Consigo me comunicar e voltei a escrever bem com a mão direita”, completa.

PREDISPOSIÇÃO – Existem situações que favorecem o aparecimento de EM, como doenças de caráter inflamatório. “Pessoas com casos na família de artrite reumatóide, psoríase e tireoidite de hashimoto têm propensão de desenvolver a enfermidade. Vale salientar, contudo, que não se trata de hereditariedade e, sim, de genética”, explica Dagoberto Callegaro.

Ou seja: há uma suspeita de que o problema nasce a partir de um defeito em gene, que aparece apenas no adulto jovem e independe de transmissão obrigatória de pais para filhos. “Dificilmente, há casos que surgem depois dos 60 anos.”

Sintomas

Surgem entre os 20 e os 40 anos. As mulheres são mais propensas à doença. Sinais iniciais mais comuns são o formigamento, a dormência ou outras sensações nos membros superiores e inferiores, tronco ou na face. Pode haver perda da força ou da destreza em um membro inferior ou mão. Alguns apresentam só sintomas oculares – visão dupla, borrada ou nublada, cegueira parcial e dor em um dos olhos. Alterações emocionais ou mentais.

Causas

Desconhecida, mas se suspeita que um vírus ainda não identificado leve ao problema. A hereditariedade parece ter um papel na esclerose múltipla (EM) – cerca de 5% dos indivíduos afetados possuem irmã(o) com a doença e quase e 15% têm parente próximo afetado. Os fatores ambientais também têm um papel. A EM afeta um em cada dois mil indivíduos que passam a primeira década da vida em climas temperados.

Tratamento

Interferonas, que reduzem a freqüência das recidivas, além dos corticosteróides para aliviar os sintomas agudos e reduzir a duração dos episódios. A prática de exercícios regulares reduz a fadiga progressiva e ajuda a manter a saúde cardiovascular, muscular e psicológica. A fisioterapia pode ajudar na manutenção do equilíbrio.

Prevenção

Como se trata de um problema acarretado por um erro genético, não existe prevenção. Os médicos sugerem, contudo, que indivíduos com parente próximo afetado devem fazer consultas médicas periódicas.

DIAGNÓSTICO - O diagnóstico clínico é o primeiro teste a qual é necessário se submeter para checar se a doença está instalada, segundo o médico Dagoberto Callegaro. “Depois, o paciente precisa fazer exames de sangue e de imagem que ajudam a confirmar e a acompanhar a evolução da doença”, afirma.

Atualmente, não há teste definitivo para determinar se uma pessoa tem esclerose múltipla (EM). A dificuldade para diagnosticar a enfermidade é composta pela variedade de sintomas que pode se apresentar em uma pessoa ou outra (os sinais da EM podem ser similares aos de outras doenças). Assim, um diagnóstico só pode ser apresentado depois que todas as outras causa possíveis e sintomas tenham sido descartados.

Por ser ainda uma doença sem cura, a comunidade médica pesquisa mecanismos para avançar as ferramentas terapêuticas e, assim, melhorar a qualidade de vida do portador. “A administração de corticóide, forma mais antiga de tratamento e ainda em uso, é indicada para cuidar da fase aguda. Para evitar recaídas e progressão, a terapia mais eficaz é à base de interferonas”, completa Callegaro.

O primeiro medicamento dessa classe aprovado foi o interferon beta 1-b, cuja substância é uma versão do beta interferon humano e foi desenvolvida através de engenharia genética. O medicamento é fornecido gratuitamente pela rede pública de saúde e o único que pode ser utilizado nas fases remitente-recorrente e secundária-progressiva da doença. As interferonas
reduzem a freqüência e a gravidade dos surtos, como também o desenvolvimento do dano cerebral e a possibilidade de incapacidade futura.

PESQUISA – O Serviço de Neurologia do Hospital da Restauração (HR), em Pernambuco, dará início a uma pesquisa que envolve o uso de uma droga imunossupressora em dez pacientes selecionados pelo hospital. Nos próximos dois anos, seis profissionais (quatro médicos, um psicólogo e uma enfermeira), sob orientação da chefe de neurologia do HR, Lúcia Brito, acompanharão os pacientes para realizar constantes avaliações sobre o tratamento.

Além de Pernambuco, o estudo será realizado em Minas Gerais e no Rio de Janeiro. Para participar, é necessário ter mais de 18 anos, não ter passado por nenhum outro tratamento e assinar um termo de consentimento.

Fonte: JC Online 06/08/06

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Comentários

1. Juliana Maria de Lemos Estolano da Silveira - 07/08/2006

Sou acadêmica gostaria de participar do congresso de EM, que será realizado em Permambuco pois me interessei muito pelo assunto e gostaria também de receber em meu email algumas explicações mais detalhadas sobre o assunto para poder publicar um artigo científico juntamente com o corpo docente da Universidade Castelo Branco.

2. Tica - 07/08/2006

Juliana,

O blog é um trabalho social e voluntário que tem como objetivo divulgar a EM. Não dispomos do serviço de envio de e-mails. Você pode percorrer o espaço médico (RNM) e outras seções, estão repletas de informações. Caso deseje utilizar algum artigo de nossa autoria em seu trabalho/pesquisa, favor verificar nosso Termo de Uso.

Obrigada pela visita.


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