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Dor neuropática 16/07/2006

Posted by Esclerose Múltipla in Espaço médico, O que significa?.
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“Todo mundo é capaz de suportar uma dor,
com exceção de quem a sente.”
William Shakespeare

Antes de definir dor neuropática é essencial que compreendamos o significado da palavra dor. Você com certeza já experimentou essa sensação algumas vezes ao longo de sua vida. Apesar disso, você saberia defini-la ou descrevê-la com palavras? São tantas e diversas as sensações que entendemos como dor; o que então todas elas têm em comum? (1)

A dor é uma sensação complexa caracterizada por uma experiência sensorial e emocional, sempre desagradável. Ela é, portanto, subjetiva, cabendo a cada indivíduo utilizar esta palavra de acordo com suas próprias experiências. (1)

A chamada “dor neuropática” por sua vez, foi definida pela Associação Internacional de Estudos da Dor como: “dor iniciada ou causada por uma lesão ou disfunção que compromete primariamente componentes do sistema nervoso” (cérebro, medula espinhal, raízes e nervos). Dependendo de onde se localiza a lesão, a dor pode ser classificada em central ou periférica. (1)

Como se manifesta? – Como qualquer outro tipo de dor, ela pode ser classificada em aguda ou crônica (superior a três meses), dependendo da sua duração. Infelizmente, a grande maioria das dores neuropáticas são crônicas. Ela pode ser espontânea, quando ocorre na ausência de estímulos externos, ou evocada por estímulo, também chamada de estímulo dependente. (1)

Vários sinais e sintomas são característicos de dor neuropática. Estudos recentes mostram que pacientes com dor neuropática descrevem suas sensações usando principalmente seis palavras: dor em choque elétrico, em queimação, dor fria, como coceira, um formigamento ou uma picada. É importante que médico e paciente consigam caracterizar bem o tipo de dor, pois este fato pode ter grandes implicações em seu tratamento. Apesar de não ser de intensidade extrema, ela causa importante incômodo e incapacidade ao paciente por suas características crônicas. (1)

Quais são os sintomas? (2)

Os sintomas da dor neuropática são frequentemente descritos como punhalada, queimadura ou choques eléctricos. Estes sintomas agravam-se, muitas vezes, durante a noite.

Outros sintomas comuns da dor neuropática são:
Alodínia – sensação dolorosa causada por estímulos que habitualmente não causam dor, como um leve toque;
Hiperestesias – respostas exageradas aos estímulos tácteis, como aos lençóis de cama;
Hiperalgesia – sensibilidade exagerada a estímulos dolorosos;
Hiperpatia – persistência da dor mesmo após a remoção do estímulo dolorosos;
Parestesias e disestesias – sensações anormais e desagradáveis descritas como formigamento, dormência, picadas.

Quão frequente é a Dor Neuropática? (2)

Estima-se entre 1,5 % e 7,7% as pessoas afetadas por dor neuropática, respectivamente, nos Estados Unidos da América (EUA) e na Europa. No entanto, é uma síndrome que, muitas vezes, é sub-diagnosticada e sub-tratada.

Nos países europeus a dor neuropática tem uma prevalência estimada em:
3 milhões de pessoas ou 7,5% no Reino Unido;
2,5 milhões de pessoas ou 6,4% em França;
3,5 milhões de pessoas ou 6% na Alemanha;
2,1 milhões de pessoas ou 7,7% em Espanha.

Que impacto tem a Dor Neuropática nos doentes? (2)

A dor neuropática tem impacto significativo, no funcionamento diário e na qualidade de vida das pessoas afetadas. Em muitos doentes a dor interfere, de forma relevante, no sono e associa-se a falta de energia e dificuldades de concentração.

Devido à dor, que é de natureza crônica, alguns doentes não conseguem trabalhar, andar, ou mesmo tolerar as roupas em contacto com o corpo, pois o simples contacto com estas pode desencadear dores insuportáveis, muitas vezes descritas como sensação de queimadura ou lancinantes.

As lesões nervosas dolorosas constituem um fardo econômico importante para os doentes que procuram cuidados para o alívio da dor. Por outro lado, estes doentes sofrem habitualmente de outras doenças, o que os torna maiores consumidores de cuidados de saúde.

A depressão, ansiedade, doença cardíaca e diabetes são perturbações frequentes nestes doentes. Estima-se que, nos doentes com dor neuropática, os custos totais com a saúde sejam cerca de três vezes superiores aos da população em geral. (2)

Principais causas de dor neuropática: (3)

Lesões traumáticas de:

  • nervos periféricos
  • nervos cranianos
  • raízes dorsais
  • medula espinal
  • certas regiões do encéfalo (vias sensitivas, núcleos sensitivos, tálamo, córtex sensitivo)

Neuropatias periféricas dolorosas:

Localizadas:

  • síndromes compressivas (entrapment e neoplasias)
  • dor complexa regional (distrofia simpaticorreflexa, causalgia)
  • membro fantasma e dor de coto de amputação
  • neuralgia pós-herpética
  • mononeuropatia diabética
  • neuropatia isquêmica
  • poliarterite nodosa
  • pós-radioterapia

Difusas (polineuropatias e mononeurites múltiplas):

  • diabética
  • alcoólica
  • amiloidose
  • AIDS
  • hipotireoidismo
  • neuropatias sensitivas hereditárias
  • doença de Fabry
  • deficiência de vitamina do complexo B
  • neuropatias tóxicas
  • auto-imunes
  • vasculites
  • paraneoplásica

Doenças medulares:

  • esclerose múltipla
  • lesões isquêmicas
  • mielopatias infecciosas degenerativas
  • siringomielia
  • compressões (tumores, degeneração discal)

Doenças encefálicas:

  • siringobulbia
  • acidente vascular encefálico
  • esclerose múltipla
  • doença de Parkinson

Fontes:

  1. Revista Hands nº 15 – abril / maio 2003 (Associação Brasileira do Câncer)
  2. ABC da Saúde – SAPO.pt
  3. Galvão, Antônio César Ribeiro. Dor Neuropática: tratamento com anticonvulsivantes. São Paulo: Segmento Farma, 2005
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